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Mulheres dão exemplo de economia criativa no Vale do Jequitinhonha

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Mulheres do Vale do Jequitinhonha. Ajenai | Crédito: Érika Riani
Mulheres do Vale do Jequitinhonha. Ajenai | Crédito: Érika Riani

As mulheres das famílias do “Quilombo do Curtume”, distrito do município de Jenipapo de Minas, no Vale do Jequitinhonha, por muito tempo guardavam um enorme tesouro: os saberes de seus antepassados.

Embora todas cultivassem a terra e cuidassem da família, algumas delas, por questões de personalidade e problemas emocionais, sequer se aventuravam a sair de suas casas. Entretanto, a partir de 2011, com a ajuda da Associação Jenipapense de Assistência Infantil (Ajenai) tudo mudou.

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Além de venderem estandartes bordados com cenas tradicionais locais, aumentando a renda familiar, driblaram a diminuição da receita causada pela pandemia ao venderem pela internet os “Versinhos do Bem-Querer”, cantados e gravados por elas mesmas usando o WhatsApp.

A voz e a potência da poesia cantada por essas mulheres ecoou tão alto que nos primeiros sete meses a Ajenai conseguiu vender 4.600 versinhos. A comercialização virtual resultou em cerca de R$115 mil, os quais foram distribuídos à época entre as “jogadoras de versos” e a manutenção dos projetos que a associação mantém em sete comunidades da região.

Cada versinho custa R$26 e pode ser encomendado on-line por meio da plataforma do site. Em seguida, o pedido é distribuído para as “jogadoras de versos”, informou a publicitária e coordenadora de comunicação da associação, Mariana Berutto, 48, que, da Suíça, atua como uma das divulgadoras dos projetos da Ajenai, ao qual ela aderiu quando viajou ao Jequitinhonha, em 2019.

Imensuráveis impactos econômicos no Vale do Jequitinhonha

Segundo Berutto, não há como mensurar o impacto econômico do projeto “Versinhos do Bem-Querer” e das vendas de bordados nas lojinhas porque estes recursos foram distribuídos entre as bordadeiras e utilizados para a manutenção dos projetos mantidos pela instituição. 

A associação era financiada pela ChildFund Brasil – Fundo para Crianças –  e teve o convênio encerrado em 2020. Assim, com o isolamento social gerado pela pandemia, encontrou nos “Versinhos do Bem-Querer” uma forma de continuar sobrevivendo.

Em paralelo, a Ajenai começou a participar de editais de cultura, como um do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) voltado para outro projeto da associação: as tecelãs da comunidade de Tocoiós. Além disso, conseguiu recursos da Lei Aldir Blanc, e do edital lançado pela Magazine Luíza (Magalu) para o combate à violência doméstica, informou Berutto.

“Por este motivo, não temos como mensurar o impacto econômico de nossas ações na região. Estamos tentando manter os projetos que auxiliam estas comunidades”, afirmou Berutto. Os recursos estatais são conquistados por meio de editais. Não são contínuos.

Reconhecimento

Os versinhos também conquistaram o Prêmio Empreendedor Social – principal concurso de empreendedorismo socioambiental da América Latina -, que a Folha de São Paulo promove em parceria com a Fundação Schwab. O prêmio, conforme Mariana Berutto, foi concedido no dia 7 de dezembro de 2020.

A pandemia deu ao concurso de 2020 um caráter especial, pois houve a homenagem às entidades que enfrentaram a Covid-19. A Ajenai recebeu o prêmio na categoria Humanitária.

Em dezembro do ano passado, as mulheres “jogadoras de versinhos” também participaram de um vídeo comemorativo produzido pelo Diário do Comércio em homenagem aos 300 anos de Minas Gerais.

Presente na imprensa nacional e internacional, o projeto foi divulgado em países como França e Suíça.

“Na verdade, não foi preciso investir na divulgação internacional. Os versinhos foram comprados por brasileiros que moram em Portugal, França, Estados Unidos, Israel e Japão. A propaganda foi do tipo ‘boca a boca’”, contou Berutto.

A força da mulheres no enfrentamento da pandemia

A pandemia também diminuiu o rendimento vindo do trabalho masculino quando parte das fazendas suspendeu a colheita de cana e café na região.

Para ajudar no orçamento familiar, Marli de Jesus Costa, 41, mãe de três filhos, é uma das vozes mais engajadas no projeto “Versinhos do Bem-Querer”. Ela canta músicas tocadas nos batuques — festas tradicionais de raiz africana. 

“Eu tava na peneira/, eu tava peneirando, eu tava no namoro, eu tava namorando/ que menino bonitinho/ camisinha azul marinho/ eu não levo você pro céu/ porque não sei o caminho”, cantarolou Marli.

Bordadeira em outro projeto da Ajenai, o “Mulheres do Jequitinhonha”, Marli disse adivinhar qual é o verso ideal para cada cliente. “Eu escuto o pedido e já sei direitinho qual devo cantar. Conheço muitas músicas. Canto desde criança”, contou.

Já Maria Aparecida Leite, 50, conhecida como “Nêga”, diz também receber a gratidão das pessoas pelo seu trabalho cantado. “É uma troca de afeto. Eles recebem os versos que aprendemos com os nossos antepassados, que falam da nossa vida, e nós também recebemos o carinho e o apoio deles de volta”, disse.

Serviço

Doações pela conta:

  • Associação Jenipapense de Assistência à Infância
  • CNPJ: 03235662/0001-39
  • Banco do Brasil
  • Agência: 4126-2
  • Conta Corrente: 61429-7
  • Plataforma on-line: https://www.versinhos.com.br/
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