Cenibra diversifica negócios para crescer além da celulose
Sem perspectiva de expandir a capacidade de produção de celulose neste momento, a Celulose Nipo-Brasileira (Cenibra) está ávida por novos negócios e investe na diversificação do portfólio para crescer. A estratégia é destacada pelo diretor-presidente da empresa mineira, Júlio Ribeiro, em entrevista ao Diário do Comércio.
O executivo ressalta a entrada da Cenibra nos mercados de biocarbono, biochar e mogno africano, nos quais visualiza oportunidades relevantes de atuação. Ele também salienta os planos da empresa de ampliar as atividades de restauração florestal.
Detalhando os movimentos, o diretor-presidente recorda que, no fim de 2025, a Cenibra adquiriu 49,9% do capital social da Bionow. Criada em 2022 pela Vale, que manteve 51,1% de participação, a joint venture desenvolve soluções em biocarbono para uso em indústrias intensivas em carbono, como siderúrgicas, em substituição aos combustíveis fósseis.
A primeira planta industrial da Bionowserá construída em São Gonçalo do Rio Abaixo, na região Central de Minas Gerais. Segundo cronograma disponibilizado no site da joint venture, o início das operações está previsto para 2028. A expectativa é que o projeto seja aprovado pelos dois acionistas até o final deste ano, de acordo com Ribeiro.
“A intenção é começar pela primeira unidade de São Gonçalo do Rio Abaixo já com um volume significativo, e crescer não só no Brasil, mas fora também”, afirma.
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Uma novidade que ele pontua é que a empresa construiu recentemente uma planta-piloto em Belo Oriente, no Vale do Aço, para produção de biochar a partir de resíduos florestais, como cascas, pequenas toras e resíduos de madeira. Conforme o executivo, esse mercado tem boa atratividade em razão da geração de crédito de carbono.
A tecnologia que será utilizada nos fornos foi desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV), na Zona da Mata mineira. Os testes realizados anteriormente em escala de laboratório apresentaram resultados promissores.
“O biochar vai ser uma fonte de retenção de carbono. Uma das expectativas é que ele pode ser usado na compactação de estradas, dando rigidez também, e espalhado em florestas, porque vai reter umidade, o que é muito positivo para o solo”, explica.
Ribeiro relembra ainda que a Cenibra comprou, em meados do ano passado, parte de duas empresas de Natalândia, no Noroeste do Estado, com foco na plantação de mogno africano. A empresa passou a deter 80% da Mogno das Alterosas Investimentos Florestais (MDA), proprietária das terras, e 45% na Mamoneira Agropastoril, dona da floresta.
“Mogno é uma madeira de tons meio avermelhados, muito usada em móveis decorativos e instrumentos musicais. É algo novo, que estamos entrando agora, aprendendo e buscando soluções e usos, mas já é uma realidade”, observa.
Segundo o diretor-presidente, o plano de negócios está no começo e o destino do mogno será definido posteriormente. Ele afirma que são cerca de 15 mil hectares de área total e seis mil já plantados e ressalta que a primeira colheita comercial deve ocorrer em 2032 ou 2033.
Por fim, de acordo com o executivo, a Cenibra discute parcerias com empresas focadas em restauração florestal. A produtora de celulose branqueada de fibra curta de eucalipto atua nesse segmento há mais de 20 anos, porém quer fortalecer esse business.
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