Polo calçadista de Nova Serrana prevê vendas menores na Black Friday e no Natal

Sindinova aponta demanda enfraquecida, dificuldades nas exportações para a Argentina e busca por novos canais de comercialização
Polo calçadista de Nova Serrana prevê vendas menores na Black Friday e no Natal
Foto: Divulgação/ Sindinova

Nova Serrana, no Centro-Oeste de Minas Gerais, abriga um dos principais polos calçadistas do País, com centenas de fábricas e lojas que fazem do setor uma das forças da economia local. No entanto, 2026 tem sido um ano desafiador para a indústria diante da queda na demanda por seus produtos. Mesmo com a proximidade da Black Friday e do Natal, a expectativa é de que o cenário não apresente melhora significativa.

A avaliação é do presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias de Calçados de Nova Serrana (Sindinova), Rodrigo Martins.

“No geral, o varejo tem sofrido muito este ano. Se não me engano, são 16 meses consecutivos de queda no Brasil. Por isso, a nossa expectativa é que as vendas, tanto da Black Friday quanto do final do ano, sejam menores que as anteriores. Ainda não temos uma previsão de percentual, mas, pelos números do mercado que temos acompanhado, tudo indica que será um último trimestre complexo”, afirmou.

A situação preocupa, já que parte das indústrias produz apenas sob encomenda, enquanto outras trabalham com estoques e vendas on-line. Esses diferentes modelos de operação influenciam o planejamento da produção e a formação de estoques para atender à demanda.

“O endividamento das famílias está bem alto, então sobra menos dinheiro para o consumo. O varejo já vem sofrendo bastante, e esperamos um Natal e uma Black Friday abaixo dos dois últimos anos”, pontuou Martins.

Exportações também enfrentam dificuldades

Em períodos de dificuldades no mercado interno, as exportações costumavam representar uma alternativa para o setor calçadista. Todavia, o comércio exterior também enfrenta desafios. Segundo dados do Comex Stat, sistema de estatísticas do comércio exterior brasileiro vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as importações de calçados e produtos de couro superaram as exportações no período analisado.

De janeiro a agosto de 2026, as exportações somaram US$ 43 milhões, enquanto as importações alcançaram US$ 237 milhões, resultando em um déficit comercial de US$ 194 milhões. No mesmo período de 2025, foram registrados US$ 54 milhões em exportações e US$ 241 milhões em importações, com saldo negativo de US$ 187 milhões. Assim, o déficit aumentou aproximadamente 3,7% na comparação anual.

Mercado argentino reduz compras de calçados mineiros

Para o presidente do Sindinova, o polo calçadista de Nova Serrana foi fortemente afetado pela queda das exportações para a Argentina, historicamente um dos principais mercados externos dos produtos fabricados no município.

“Uma situação impactou muito o nosso polo: uma virada no mercado argentino. Historicamente, a Argentina é o mercado externo que mais consumia os produtos do nosso polo. No entanto, houve uma mudança tanto na legislação do país quanto na abertura para o mercado asiático. Isso afetou muito a economia argentina e, consequentemente, as exportações para lá, com um resultado muito negativo para nós”, explicou.

Setor busca alternativas para recuperar vendas

Diante do cenário desfavorável, o Sindinova e as empresas do polo calçadista buscam alternativas para reduzir os impactos da queda na demanda e melhorar os resultados até o fim do ano.

Segundo Rodrigo Martins, o Sindinova organizou uma feira em São Paulo, em julho, com o objetivo de impulsionar as vendas de fim de ano e estimular novos negócios. “Escolhemos essa data justamente para dar um gás às empresas nessas vendas”, afirmou.

O Sindinova também promove cursos e treinamentos voltados às vendas on-line, com o objetivo de ajudar as empresas a ampliar seus canais de comercialização.

“Além da indústria, o próprio e-commerce, trabalha em várias frentes e vende também por marketplace. Então temos dado bastante treinamento nessas vendas, para ajudar a abrir novos canais”, comentou.

“Também orientamos as empresas a se organizarem internamente, ajustando, quando necessário, os custos à realidade da produção, além de buscar novos clientes e canais de venda, por meio da participação em feiras, das vendas on-line, de marketplaces e de sites próprios”, concluiu o presidente.

Sobre o autor

Anderson Gonçalves

Jornalista desde 2002, especialista em Projetos Editoriais e campanhas políticas. Desde 2025 é repórter de economia e negócios no Diário do Comércio.