Preço do aluguel sobe 23% em BH com altas maiores em bairros com menor tíquete médio
Os preços de aluguel em Belo Horizonte subiram 23,3% em 12 meses, com altas espalhadas por bairros de diferentes perfis. Um levantamento da Loft mostra que os bairros Santa Tereza e Palmares são os que tiveram os maiores aumentos entre os bairros com menor tíquete médio, com altas de 74,6% e 69,3%, respectivamente. Já entre as regiões mais caras, os bairros Belvedere, Santa Lúcia e Funcionários concentram os maiores avanços, com altas de 56,8%, 47,8% e 43,4%, respectivamente.
Os dados consideram cerca de 47 mil anúncios de imóveis residenciais nas principais plataformas digitais, com comparação entre novembro de 2025 e abril de 2026 frente ao mesmo período do ano anterior. Além dos líderes, bairros como Itapoã (+59,8%) e Calafate (+54,9%) também registram aumentos expressivos, o que mostra que o encarecimento dos aluguéis não ficou restrito a uma única região da cidade.
Gerente de dados da Loft, Fábio Takahashi afirma que, embora bairros com aluguéis mais baixos tenham maior espaço para variações intensas, o cenário em Belo Horizonte vai além desse padrão. “Em locais com tíquete médio menor, há mais espaço para crescimento acentuado no preço do aluguel. Em Belo Horizonte, porém, o movimento vai além: bairros nobres como Belvedere e Funcionários também registram altas relevantes, refletindo pressão de demanda disseminada por toda a cidade”, observa.
Na outra ponta, Manacás foi o único bairro com queda nos preços, com recuo de 13,6% e aluguel médio de R$ 2.423 para imóveis de 82 metros quadrados. O Cruzeiro ficou próximo da estabilidade, com variação negativa de 0,7%. Também cresceram abaixo da média bairros tradicionais como Lourdes (+7,9%), Serra (+7,2%) e Buritis (+7,0%).
Preço dos aluguéis
No recorte por preço médio, o Belvedere aparece na liderança, com aluguel de R$ 17.193 em imóveis de 289 metros quadrados. Em seguida estão São Bento, com R$ 14.643, e Santa Lúcia, com R$ 12.392.
Já os menores valores foram registrados em Araguaia (R$ 1.637), Camargos (R$ 1.820) e Manacás (R$ 2.423), em imóveis que variam de 67 a 82 metros quadrados.
O levantamento também mostra que, no País, os aluguéis continuam subindo mais do que os preços de venda. Em março, a alta foi de 9,8% na locação, frente a 7,1% nos imóveis à venda.
Segundo Takahashi, o nível ainda elevado dos juros ajuda a explicar esse movimento, ao encarecer o financiamento imobiliário e manter parte da demanda no mercado de locação. “Com o crédito ainda restrito, a locação continua sendo uma alternativa importante para muitas famílias, o que mantém a pressão sobre os preços”, explica.
Para o estudo, foram considerados apenas bairros com ao menos 50 anúncios ativos nas plataformas digitais analisadas.
Ouça a rádio de Minas