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Economia

Preço do minério recua com volta da produção

Atividades tinham sido suspensas por questões de segurança

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Crédito: Divulgação/Vale
Crédito: Divulgação/Vale

Após alguns dias de trégua das chuvas em Minas Gerais, as mineradoras começam a retomar parcial ou totalmente suas operações no Estado. Na última semana, empresas como Vale, CSN, Gerdau, Usiminas, Vallourec e Arcelor suspenderam suas operações localizadas em diversas cidades mineiras por questões de segurança em virtude das chuvas torrenciais. A paralisação chegou a puxar a cotação do minério de ferro no mercado internacional, mas os preços não se sustentam e já começam a cair.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), o gráfico do preço do minério de ferro mostra que, no dia 12 de janeiro, houve registro de alta, com a tonelada do insumo siderúrgico chegando a US$ 131,5 – maior valor desde agosto do ano passado. Porém, a entidade destaca que, entre os dias 10 e 17 deste mês,  o minério com 62% de teor de ferro teve queda entre 1,45% e 1,2% e que o aumento se deveu a uma pressão pontual, inclusive pelas chuvas que assolaram Minas Gerais.

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“Os preços já vinham subindo vagarosamente devido às questões chinesas. Além disso, junto às chuvas em Minas Gerais também foram registrados eventos de ciclones na Austrália. Por isso o aumento no dia 12. Mas, desde esse dia (os preços) vêm sofrendo queda novamente”, comentou em nota.

No último dia 10, quando a situação levou à suspensão de diversas operações no Estado, o instituto informou que as paralisações eram temporárias, em precaução aos riscos trazidos pelas condições climáticas e que a situação poderia ser revertida em breve, a depender da intensidade pluviométrica dos dias seguintes. E que se a intensidade de chuvas perdurasse por um curto período, estimava que não haveria reflexos na variação do preço dos minérios e na oferta. 

Ontem, a principal matéria-prima do aço já estava sendo comercializada a US$ 125,65 nos portos chineses, e o analista de investimentos da Mirae Asset Wealth, Pedro Galdi, avaliou que as paralisações surtiram em impacto positivo no preço do minério em um primeiro momento, mas que a tração já perdeu força e o preço já cai há alguns dias.

“Vale lembrar que, nesta época do ano, sempre chove acima do normal. Por isso, esse impacto já aparece nas contas das mineradoras. Sobre os preços, acredito que não devem mostrar o ímpeto do ano passado e devem girar na faixa de US$ 100 a tonelada”, afirmou.

Retornos

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A Vale disse que retomou de forma parcial e gradual as operações no Estado, após serem restabelecidas as condições adequadas de segurança, findo o período de chuvas intensas que atingiram a região. E que, em função das paralisações, estima um impacto de aproximadamente 1,5 milhão de tonelada na produção e compra de minério de ferro, mas que considera o impacto sazonal decorrente do período chuvoso em todas as operações e reitera seu guidance de produção da commodity entre 320 e 335 milhões de toneladas para 2022.

De forma detalhada, informou por meio de nota que retomou todas as operações no Sistema Sudeste: circulação de trens na Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) no trecho Rio Piracicaba – João Monlevade, permitindo a expedição gradual da produção de Brucutu e Mariana.

Disse ainda que o ramal de Belo Horizonte, responsável pelo transporte de carga geral, encontra-se paralisado e que estão sendo estudadas alternativas para o retorno definitivo. E que no Sistema Sul foram liberados alguns acessos rodoviários e viabilizados outros alternativos, permitindo a circulação de empregados às minas.

“Vários trechos da MRS Logística tiveram sua circulação de trens liberada e com previsão de liberação de novos trechos ao longo da semana. Dessa forma, foram retomadas, nos últimos dias e de forma gradual, as usinas de Abóboras, Vargem Grande, Fábrica e Viga, que representam cerca de metade da capacidade atual do Sistema Sul. As demais usinas deverão ser retomadas nos próximos dias, após trabalhos adicionais de restabelecimento das condições operacionais adequadas e normalização das circulações de trens”, afirmou no documento.

Sobre as barragens, a mineradora informou que segue monitorando continuamente as estruturas e que as fortes chuvas alteraram as condições de segurança de duas:  Barragem Área IX da Mina de Fábrica (Ouro Preto), com elevação do nível de emergência de 1 para 2; e Dique Elefante (localizado na mina Água Limpa, na cidade de Rio Piracicaba), que teve início do protocolo de emergência em nível 1.

A ArcelorMittal, que opera no Estado duas minas para extração de minério de ferro e plantas industriais para produção de aço, adotou medidas preventivas e corretivas para mitigar os impactos com as interdições de rodovias, priorizando a segurança operacional, das pessoas e o atendimento aos clientes. Embora não tenha detalhado as medidas, informou que “os efeitos nas plantas de mineração foram pontuais e rapidamente solucionados”.

Vale dizer que a capacidade atual das minas Serra Azul e Mina do Andrade chega a 5,1 milhões de toneladas/ano.

A Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas), por sua vez, informou, por meio de fato relevante, que a Mineração Usiminas S.A. (Musa) iniciou a retomada de suas operações de forma gradual no último dia 14 de janeiro e que a Barragem Central retornou ao nível não emergencial (ou nível zero). “Ressaltamos que as consequências das fortes chuvas na região afetaram também as empresas que participam da cadeia logística de escoamento de minério, e que a Musa está acompanhando a evolução das ações implementadas por tais empresas de forma a assegurar a mais rápida recuperação possível”, diz o documento.

Mina Pau Branco

Já a Vallourec, detentora da estrutura onde houve um transbordamento do dique de contenção de sedimentos em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), lembrou que as operações da Mina Pau Branco continuam interditadas. Mas garantiu que a pilha Cachoeirinha está sendo monitorada por radar de forma contínua, 24 horas por dia, e que o Dique Lisa encontra-se íntegro.

A reportagem também tentou contato com a CSN, que paralisou a mina Casa de Pedra da CSN Mineração, em Congonhas, mas não obteve resposta. Já a Gerdau, que na última semana também informou problemas operacionais em suas unidades em Minas Gerais em virtude das fortes chuvas, preferiu não atualizar as informações mesmo diante da estiagem.

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