Preço do ouro deve seguir em alta pelos próximos anos, projeta CEO da Jaguar Mining
O preço do ouro, que atingiu níveis recordes em 2026, deve manter trajetória de alta pelos próximos quatro a cinco anos, impulsionado por um movimento global de desdolarização das reservas dos bancos centrais e pela incapacidade da oferta de mineração em acompanhar a escalada da demanda, na avaliação do CEO da Jaguar Mining, Luis Albano Tondo.
Conforme ele, por décadas a economia de vários países era baseada no dólar, com bancos centrais dispondo de reservas expressivas na moeda norte-americana, inclusive o brasileiro. No entanto, na última década, o dólar desvalorizou fortemente e ligou um alerta nos bancos centrais, que passaram a buscar lastro em ouro, um ativo de proteção mais seguro.
Em meio a esta mudança no sistema financeiro global, a lei da oferta e da procura entra em ação. A demanda por ouro aumenta, enquanto os recursos das minas são finitos e as empresas precisariam de mais exploração para ampliá-los, o que não vem ocorrendo. Dessa forma, a produção aumenta, contudo, em ritmo inferior ao crescimento do volume demandado, pressionando o preço do metal.
De acordo com a análise de Albano, esse cenário tende a continuar por um longo período. Segundo ele, o consenso do mercado é que a onça do ouro possa alcançar entre US$ 7 mil e US$ 8 mil no horizonte de cinco anos. O preço do metal, que neste ano passou de US$ 5 mil a onça pela primeira vez na história, está atualmente na faixa de US$ 4,5 mil.
“Estamos em um ciclo positivo em que uma empresa como a Jaguar tem que aproveitar para fazer todos os investimentos que necessita para já estar preparada para o próximo ciclo”, salientou o executivo em entrevista ao Diário do Comércio durante o XII Simpósio Brasileiro de Exploração Mineral (Simexmin), evento realizado pela Agência para o Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro (Adimb), em Ouro Preto, na região Central.
Expansão da mineradora e perspectivas de desempenho
Como informado anteriormente, a Jaguar Mining, que atua no Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, tem um plano robusto de expansão em andamento, fomentado pela alta do preço do ouro. A estratégia, que tem como objetivo ampliar a capacidade produtiva e tornar a empresa uma média produtora do metal, envolve: maximização de ativos e recursos atuais; alavancagem do portfólio de exploração e busca pela compra de ativos estratégicos.
Ao extrair o máximo potencial das minas e plantas de processamento existentes, incluindo a reativação de operações e a implementação de uma nova mina no Estado, a companhia espera elevar a produção anual de 40 mil para até 120 mil onças de ouro em cinco anos. Esse volume tende a ser ampliado posteriormente com a identificação de novas jazidas nas campanhas de sondagem. Já com a compra de projetos potenciais de terceiros, a expectativa da mineradora é poder superar a faixa de 220 mil onças produzidas anualmente.
Já neste ano, a Jaguar projetou um salto na produção para entre 50 mil e 60 mil onças. No primeiro trimestre, assim como no acumulado de 2025 em relação a 2024, a produção recuou, afetada pela paralisação do complexo de Turmalina (MTL), retomado em março último. No mesmo período, alavancada pela valorização do metal, a empresa reportou lucro líquido de US$ 4,7 milhões, revertendo o prejuízo de US$ 1,6 milhão de um ano antes, e receita de US$ 44,6 milhões, com alta interanual de 63,4%.
Sobre as perspectivas de desempenho, conforme o CEO, a mineradora está em preparação para o crescimento futuro, que permitirá o salto produtivo esperado, o que demanda investimentos, financiados pelo próprio caixa gerado pela companhia. Assim, a evolução dos resultados nos próximos períodos tende a ocorrer de maneira gradual, segundo ele.
“Isso faz parte do nosso planejamento. Portanto, acredito que o crescimento [dos resultados] daqui para frente será paulatino e, à medida que a gente for implementando novas produções, aumenta a receita e também o lucro da empresa”, pontuou.
* O repórter viajou para Ouro Preto a convite da Adimb
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