Saldo de empregos formais registra queda de 32% em Minas Gerais

Serviços lideraram as contratações, enquanto a Agropecuária registrou saldo negativo de 8,2 mil vagas; juros elevados e crédito restritivo limitam o ritmo de geração de empregos
Saldo de empregos formais registra queda de 32% em Minas Gerais
Saldo de empregos formais em Minas segue positivo, mas mostra desaceleração em setembro | Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

O mercado de trabalho formal de Minas Gerais registrou saldo positivo de 8.102 postos de trabalho em setembro, resultado 32% inferior ao observado no mesmo mês de 2025, quando foram criadas 11,8 mil vagas. Apesar de permanecer no campo positivo, o saldo indica uma desaceleração na geração de empregos com carteira assinada no Estado.

Em setembro, o Estado contabilizou 234.460 admissões e 226.358 desligamentos, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A desaceleração em setembro foi impulsionada pelo resultado negativo da Agropecuária, que registrou fechamento líquido de 8.221 vagas no período.

Nos demais setores, o saldo de empregos permaneceu positivo, com destaque para Serviços, que liderou a abertura de vagas, com 10.848 postos de trabalho. Na sequência aparecem Comércio, com 3.212 vagas, e Construção, com 1.680. A Indústria também apresentou resultado positivo, com 587 postos.

Na avaliação do economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), João Gabriel Pio, os resultados de setembro reforçam os sinais de desaceleração do mercado de trabalho, embora a geração de empregos permaneça positiva.

Para o economista, a indústria continuou contribuindo para a abertura de vagas, com saldo positivo no Brasil e em Minas Gerais, mas em ritmo inferior ao registrado no mesmo mês do ano passado. Ele afirma que o cenário de juros elevados e crédito restritivo limita os investimentos e leva as empresas a adotar maior cautela nas contratações.

“O mercado de trabalho segue resiliente, mas a perda de dinamismo da atividade econômica tende a se refletir de forma mais intensa na geração de empregos nos próximos meses”, avalia Pio .

Diferenças setoriais marcam mercado de trabalho em Minas

O economista Guilherme Almeida também associa a desaceleração do mercado de trabalho ao cenário de juros elevados e crédito restritivo. Segundo ele, o encarecimento do financiamento reduz a disposição do setor produtivo para investir e ampliar suas operações, o que acaba limitando as contratações. Os efeitos também chegam ao consumo, especialmente de bens duráveis e semiduráveis, mais dependentes de crédito.

“O País teve o pior setembro na criação de empregos formais desde 2020, e Minas acompanha esse ciclo. Temos a indústria mineira patinando, com saldo baixo de contratações”, avalia.

Almeida ressalta que o setor de Serviços mantém um peso predominante na geração de empregos, em linha com sua participação na economia brasileira. Historicamente menos sensível às oscilações dos juros, o segmento concentra cerca de 66% do saldo positivo de vagas no Estado em setembro. Parte expressiva dessas contratações está concentrada em atividades menos dependentes de crédito, como educação e saúde. Juntas, o economista destaca que essas áreas e a administração pública responderam por mais de um terço do saldo positivo do setor.

Na Agropecuária, o resultado negativo foi predominantemente sazonal. Segundo Almeida, o comportamento está relacionado ao calendário de colheitas, especialmente a do café. “Historicamente, o período entre maio e setembro concentra contratações temporárias para as atividades de safra, cujos contratos são encerrados ao fim da colheita. Em 2026, a duração mais longa do período de safra contribuiu para ampliar tanto as admissões quanto os desligamentos, com reflexos no saldo de setembro”, argumenta.

Expectativa para o emprego

Na avaliação da Fiemg, a perda de dinamismo da atividade econômica brasileira tende a moderar o ritmo de geração de empregos, embora o mercado de trabalho permaneça resiliente. Os juros elevados continuam restringindo o crédito e as decisões de investimento, enquanto o endividamento das famílias limita a expansão do consumo.

Apesar desse cenário, a sazonalidade de fim de ano deve favorecer as contratações, especialmente nos setores de Comércio, Serviços, Logística e Transporte. A Black Friday, o Natal e o pagamento do 13º salário tendem a impulsionar a demanda por mão de obra.

Sobre o autor

Leonardo Morais

Repórter de economia e negócios do Diário do Comércio, com experiência em jornalismo digital e produção multimídia. Graduado pela PUC Minas, foi premiado com o 2º lugar no Prêmio Sebrae de Jornalismo, Fotojornalismo (2024).


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