Saneamento requer investimentos de R$ 103,2 bi em Minas Gerais

São 5 milhões de cidadãos sem serviços básicos; mudanças na legislação podem afastar investidor
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Saneamento requer investimentos de R$ 103,2 bi em Minas Gerais
A falta de saneamento mata cerca de 11 mil pessoas por ano no Brasil (2022) | Crédito: REUTERS/Carlos Barria

Entra ano, sai ano e os desafios quanto à universalização dos serviços de água e esgoto Brasil afora só parecem aumentar. Não bastassem os déficits de saneamento que atingem 135 milhões de brasileiros de Norte a Sul do País, as mudanças no marco regulatório do setor, por parte do governo federal, podem afugentar os investidores e retardar, ainda mais, quaisquer soluções.

Em Minas, são mais de 5 milhões de pessoas sem saneamento básico e um a cada quatro mineiros não possui acesso aos serviços adequados. Para reverter esse cenário, seria necessário investir R$ 103,2 bilhões até 2041. E considerando as metas estabelecidas em 2020 pelo marco legal do setor, o investimento até 2033 seria de R$ 75,8 bilhões para levar água tratada a 99% da população e tratamento de esgoto a 90% dos mineiros.

As estimativas constam no Plano Estadual de Saneamento Básico de Minas Gerais, realizado em 2021, já considerando as premissas do marco regulatório, com novas perspectivas para o setor.

De acordo com o diretor-executivo da Associação Nacional das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon), Percy Soares Neto, o déficit em Minas é inferior ao nacional. Porém, os desafios ainda existem, especialmente, diante das instabilidades que pairam sobre a área. Em abril, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) editou dois decretos alterando a legislação do marco, flexibilização a atuação de estatais, inclusive, sem licitação.

Congresso ainda avalia mudanças no marco do saneamento

Apesar das críticas em torno das mudanças, o governo argumenta que os decretos têm o objetivo único de levar água limpa e tratamento de esgoto à população, com atração de investimentos privados e fortalecimento do papel das companhias públicas.

Ainda assim, o Congresso tem trabalhado pela derrubada das novas diretrizes. Na época, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), avisou que o Parlamento vai analisar criteriosamente as sugestões, mas não vai admitir retrocessos. E no início deste mês, derrubou os dispositivos, que seguiram para análise do Senado Federal. O presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), por sua vez, já afirmou que a tendência também é anulá-los.

Talvez o maior desafio hoje seja a estabilidade para que as coisas possam acontecer. O setor enfrentou um processo de discussão legislativa muito profundo para elaboração do novo marco e, desde a aprovação, os contratos com a rede privada já somam cerca de R$ 55 bilhões. Além de R$ 29 bilhões outorgadas aos poderes concedentes. Ou seja, o setor começou a avançar. E com a mudança de governo surgiram novos questionamentos. Mas já são mais de 30 projetos de decretos legislativos para sustar os decretos do governo e um conjunto de ações no STF (Supremo Tribunal Federal)”, explica.

Soares Neto diz que o cenário é ruim para o setor, já que diminui a clareza das regras do jogo. Para ele, o ideal era que essas suspensões fossem analisadas com maior celeridade. “Toda vez que a regulamentação de um setor entra em discussão, os agentes ficam em compasso de espera, principalmente os investidores. E é assim que nos encontramos atualmente. Porque a operação é diária, mas o investidor não vai colocar dinheiro sem saber como o negócio vai funcionar ou se é rentável”, ressalta.

Abcon faz trabalho de conscientização

Por fim, o diretor-executivo da Abcon diz que a entidade faz um trabalho de conscientização junto aos parlamentares e ao próprio governo. Tudo isso em vistas de o setor se organizar e ter condições de atrair os investimentos necessários para levar o serviço para a população desamparada.

“Temos o desafio de melhorar a qualidade do serviço do tratamento e fornecimento de água e coleta e tratamento do esgoto. Mas o principal desafio é levar esses serviços para quem ainda não o tem”, conclui.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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