Com ‘Projeto Santo Bolinho’, Santa Casa leva humanização e inovação em saúde ao HackTown
O HackTown 2026 aconteceu em Santa Rita do Sapucaí, Sul de Minas, entre os dias 3 e 7 de setembro. Durante o festival, no Coreto da Praça Matriz da cidade, Sílvia Castro entrevistou, para o podcast Na Boa, parceria do Diário do Comércio, o diretor Roberto Otto sobre uma presença que poucos esperariam num festival de tecnologia: a Santa Casa de Belo Horizonte. Na conversa, Roberto Otto contou como a instituição “invadiu” o festival com uma série de ações que uniram caridade, inovação em gestão e cuidado em saúde.
Bonecos do Projeto Santo Bolinho reverteram renda para centro de autismo
O símbolo mais visível da presença da Santa Casa no festival foi o boneco do Projeto Santo Bolinho, que se tornou febre entre os participantes do evento. A iniciativa nasceu do encontro entre os bolinhos da artista Raquel Bolinho, que há anos espalham afeto por Belo Horizonte, e a Santa Casa BH, instituição com mais de 125 anos de história dedicados ao cuidado em saúde. Juntas, as duas histórias deram origem a uma plataforma permanente de arte, acolhimento, solidariedade e mobilização de recursos, que convida a sociedade a conhecer, por meio dos bolinhos, as histórias que fazem da Santa Casa BH uma das instituições de saúde mais importantes do país. A venda dos bonecos reverteu integralmente para o centro de autismo mantido pela instituição na capital mineira.
“A gente precisa de apoio financeiro no nosso centro de autismo. É um centro inovador, que está fazendo muita diferença em Belo Horizonte, mas que tem um custo muito alto”, explicou Roberto Otto. Segundo o diretor, o centro reúne diversas terapias voltadas às crianças com autismo e às suas famílias.
Carreta ofereceu exames de imagem gratuitos durante o festival
Além do apelo pela causa, a Santa Casa levou ao HackTown uma estrutura de atendimento direto à população. A Carreta da Família, estacionada no evento, ofereceu exames de raio-X e mamografia a pacientes regulados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Santa Rita do Sapucaí.
A instituição também montou um espaço infantil com um “mini bloco cirúrgico” com bonecos, onde crianças se vestiam de médicos e enfermeiras e aprendiam, de forma lúdica, sobre os órgãos do corpo humano. Outra atração foi um coração inflável, no qual o público podia entrar para conhecer o trabalho das 11 unidades da Santa Casa.
Um hospital com quase 7 mil colaboradores repensou a própria gestão
Para Roberto Otto, participar de um evento como o HackTown foi também uma forma de discutir o que significa, de fato, inovar em saúde. “Às vezes num processo que você começava pela letra A, você percebe que, se começar pela C, vai gastar menos tempo e menos recursos. Isso é inovação, desde que tenha finalidade, que esteja atendendo aos anseios da sociedade”, afirmou.
Com quase 7 mil colaboradores e mais de 2 mil médicos no corpo clínico, a Santa Casa apostava no que o diretor chamou de gestão compartilhada, baseada na escuta de colaboradores em qualquer nível hierárquico. Segundo Roberto Otto, a cultura de valorização do colaborador remonta à década de 1990, quando a instituição quase fechou as portas e funcionários seguiram trabalhando mesmo com salários e vale-transporte atrasados por meses.
Santa Ideia: programa interno premiou inovação dos próprios funcionários
Uma das iniciativas apresentadas no festival foi o programa “Santa Ideia”, realizado anualmente pela instituição. Colaboradores de qualquer setor podiam propor ideias voltadas a dois eixos: eficiência e sustentabilidade, ou experiência do paciente. As propostas passavam por dois colegiados, o de superintendentes, que fazia uma primeira triagem, e o de diretores, do qual Roberto Otto participa, que escolhia os três projetos vencedores.
Os vencedores recebiam orçamento para implementar as ideias no ano seguinte e ainda ganhavam hospedagem, alimentação, transporte e credenciamento para participar do HackTown. “Esses colaboradores, quando voltam para a Santa Casa, já voltam cheios de ideias e contaminam positivamente os demais”, descreveu o diretor.
Objetivo foi divulgar a causa e também aprender com outros setores
Segundo Roberto Otto, a ida ao HackTown teve dois objetivos centrais: dar visibilidade ao trabalho da instituição para atrair apoio, inclusive inspirando outras entidades de saúde a fazer o mesmo, e aprender com áreas fora do universo hospitalar, como tecnologia, arte e alimentação, presentes no festival.
“A gente fica na nossa bolha da saúde, falando para nós mesmos. Precisamos trazer pessoas de outros ecossistemas para nos ajudar a encontrar soluções, e também levar soluções para eles”, resumiu o diretor, que agradeceu o apoio contínuo do Diário do Comércio à cobertura das ações da Santa Casa.
Reportagem produzida com base em entrevista conduzida por Sílvia Castro para o podcast Na Boa, parceria do Diário do Comércio, disponível no canal do Diário do Comércio MG no YouTube (@diariodocomerciomg).
Ouça a rádio de Minas