Shoppings de Belo Horizonte registram queda nas vendas e no fluxo de clientes em agosto

Mudança no comportamento do consumidor e fatores macroeconômicos impactam o setor de shoppings da capital mineira
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Shoppings de Belo Horizonte registram queda nas vendas e no fluxo de clientes em agosto
Foto: Divulgação Shopping Del Rey

Os shopping centers de Belo Horizonte registraram uma queda tanto nas vendas quanto no fluxo de clientes ao longo de agosto. Entre os fatores que ajudam a explicar esse cenário preocupante estão a mudança comportamental dos consumidores, questões macroeconômicas, e a sazonalidade.

A pesquisa realizada pela Associação dos Lojistas de Shopping Centers de Minas Gerais (Aloshopping-MG) indica que as vendas reais dos malls, deflacionadas pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses de 4,22%, foram reduzidas em 4,68% no último mês frente a agosto do ano passado. Além disso, 56% dos lojistas tiveram queda nas vendas, contra 44% que apresentaram alta.

Quanto ao tíquete médio, 45% dos entrevistados na Sondagem de Vendas relataram estabilidade, 30% tiveram diminuição efetiva e apenas 25% conseguiram elevar o volume médio por compras. Lembrando que o tíquete médio serve como um termômetro do comportamento dos consumidores dentro das lojas.

Já o fluxo de clientes fechou o mês de agosto em retração de 5,61%. De acordo com a entidade, esse é o indicador mais estrutural e preocupante do levantamento, pois sem clientes entrando, não é possível realizar a conversão. A maioria (73,68%) dos lojistas registrou redução de visitantes em suas unidades.

O estudo destaca que o fato dessa parcela dos comerciantes ser superior àqueles que apresentaram queda nas vendas indica que mesmo o grupo que apresentou alta nas vendas alcançou esse resultado com um volume menor de clientes, elevando a taxa de conversão ou o tíquete médio individual. Essa pode até ser uma estratégia sustentável no curto prazo, mas depende de mudanças estruturais para perdurar.

Causadores da crise no setor de shopping center

Lojas do BH Shopping em Belo Horizonte, Minas Gerais.
Foto: Divulgação Multiplan

Segundo a Aloshopping-MG, existem seis fatores interconectados que explicam o atual momento e os números do varejo de shoppings da capital mineira. O primeiro é monetário, com taxa Selic a 14% ao ano (a.a.), sendo o maior juro real do mundo (9,78%).

A inflação é outra fonte de preocupação, com IPCA acumulado de 4,22% nos últimos 12 meses corroendo a renda da população. O resultado final disso é crédito caro para os consumidores e capital de giro oneroso para os lojistas.

O fim da taxa sobre importações de até US$ 50 também foi mencionado, devido ao crescimento superior a 85% do cross-border, ou comércio transfronteiriço. A associação destaca o fato disso gerar uma concorrência estruturalmente desigual, com as plataformas asiáticas operando com custos de overhead (sobrecarga) mínimos, sem aluguel em shoppings ou encargos trabalhistas brasileiros e com subsídios logísticos de Estado.

Já o fator comportamental está atrelado a um consumidor endividado e seletivo, priorizando produtos essenciais e migrando para o canal digital. De acordo com o estudo, o brasileiro não deixou de consumir, mas mudou o local e a forma como gasta, com crédito do cartão rotativo acima de 346% a.a. e inflação corroendo a renda, o comportamento de consumo ficou ainda mais rígido.

Os recursos que sobram após a redução de despesas pontuais estão sendo direcionados para o pagamento de dívidas, recomposição do orçamento familiar ou formação de reserva; sem deixar espaço para novas compras no varejo. Isso, segundo a Aloshopping-MG, explica por que o fluxo cai mais do que as vendas.

As questões políticas e sazonais também ajudam a entender este momento no setor, com impactos do tarifaço dos Estados Unidos, da guerra no Oriente Médio, incertezas quanto à Reforma Tributária, além do fato de agosto ser um mês tipicamente mais fraco. Além disso, a associação ainda menciona a mudança estrutural de canal, com o e-commerce e o social commerce em ascensão, algo que impacta o fluxo de clientes.

Sobre o autor

Leonardo Leão

Repórter do Diário do Comércio desde 2022. Graduado em Jornalismo pela Estácio.

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