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Sobe a confiança das empresas de pequeno porte, aponta o Sebrae

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Pesquisa realizada pelo Sebrae Minas em junho mostra que os pequenos empresários da construção civil são os mais otimistas | CRÉDITO: ALISSON J. SILVA

Os pequenos empresários mineiros estão mais otimistas. O Índice Sebrae de Confiança do Pequeno Negócio (Iscon) registrou em junho o melhor resultado da série histórica, de acordo com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae Minas).  

A analista da unidade de inteligência do Sebrae-MG, Paola Zorzim, disse que o  Iscon registrou 115 pontos, sete pontos a mais do que o contabilizado em maio. A margem de erro do estudo é de 3,1 pontos percentuais.

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Paola explicou que o indicador é importante porque permite a revelação do que ela chama de “profecia autorrealizável”, por demonstrar a tendência destes pequenos empresários em ampliarem os  investimentos  no próprio negócio, comprando equipamentos e contratando mão de obra. 

“É como se fosse um termômetro. É claro que o Iscon não pode ser considerado sozinho. Mas quando o empresário está confiante, ele tende a atuar de forma a aquecer a economia. Ao comprar equipamentos, as empresas fornecedoras terão mais recursos. O mesmo acontece se a contratação de funcionários aumentar”, explicou.

Questionamentos

O Iscon, segundo Paola, é baseado em dois indicadores distintos. O Índice de Situação Recente (ISR), que mede a situação dos negócios nos últimos meses. Este indicador cresceu 14 pontos em junho na comparação com o registrado em maio, pulando de 65 pontos para 78 pontos 

Já o Índice de Situação Esperada (ISE) subiu quatro pontos (de 129 para 133). Segundo Paola, estes indicadores são construídos a partir das respostas dos  empresários a perguntas que registram suas impressões sobre o passado recente de seus negócios (obstáculos, conquistas) e sobre o planejamento para os próximos meses. 

“Eles revelam o que aconteceu com o negócio, se melhorou, ou piorou, o que eles acham que vai acontecer, se pretendem investir”, informou.

Justificativas

O crescimento do otimismo é baseado em alguns fatores como a volta do pagamento do auxílio emergencial,  estendido até outubro deste ano, a volta do  Programa Nacional de Apoio às Microempresas e às Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), que facilita o acesso ao crédito das pequenas empresas. Este plano funcionou até o final de 2020, mas foi suspenso no início deste ano. 

Outro fator que explica o otimismo foi o retorno do Benefício  Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEm). “Com mais incentivos, a confiança dos pequenos empresários começou a crescer”, informou. 

Vacinação

Ainda conforme a pesquisadora, no primeiro trimestre os pequenos empreendedores estavam muito pouco confiantes em função da piora da pandemia que provocou uma nova onda de fechamento do comércio e mais restrições à atividade produtiva. 

Sem a ajuda do auxílio emergencial e sem acesso fácil ao crédito, eles não estavam nada confiantes.  Mas com a retomada da vacinação, a diminuição de casos e a flexibilização das restrições à atividade econômica, segundo Paola, o ânimo voltou.

“A situação começou a melhorar em abril, quando o índice atingiu 89 pontos. Em maio registramos 107 pontos. E, agora, 115 pontos”, explicou.

Pequenas empresas da construção civil são as mais confiantes

A pesquisa do Sebrae também constatou que pequenos empresários que trabalham na construção civil estão entre os mais confiantes em Minas. O Iscon registrou índice de 123 pontos entre os empreendedores desse tipo de atividade econômica. 

Ainda conforme Paola, foi o segundo maior indicador, neste segmento, ficando atrás apenas dos 126 pontos registrados em fevereiro deste ano.

“Temos aqui microempresários, proprietários de pequenas e médias empresas, como arquitetos, pequenas construtoras e MEIs que se dedicam a prestar serviço para este segmento”, afirmou.

O segundo setor mais confiante foi o composto por empresas prestadoras de serviços cujo Iscon atingiu 116 pontos,  apresentando uma recuperação do nível de confiança que havia se mantido baixo durante o endurecimento das regras de prevenção à Covid-19, no primeiro trimestre deste ano.

Menos confiante

Os proprietários de pequenas , microempresa e os MEIs que atuam no ramo do comércio foram os menos otimistas. O Iscon desse segmento atingiu 11 pontos, recuando um ponto em relação ao registrado em maio.

“O Dia das Mães é uma data importante para o comércio. É normal que, em junho, as vendas não sejam iguais ao registrado no mês de maio”, afirmou.

O tamanho da empresa, em junho, também foi proporcional ao nível de confiança. Segundo a pesquisa do Sebrae, as empresas de pequeno porte foram as mais otimistas no último mês de junho, registrando 125 pontos de Iscon Já as microempresas contabilizaram 116 pontos e os MEIs, 111 pontos. “Mas o indicador que mais aumentou em junho foi o dos MEIs, que registrou 101 pontos em maio e cresceu 10 pontos no mês passado”, informou.

Acesso ao crédito é obstáculo

Brasília – Donos de pequenos negócios do setor da indústria são os que têm a pior avaliação sobre a obtenção de empréstimos no País. De acordo com a Sondagem das Micro e Pequenas Empresas, realizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), apesar da percepção de melhoria de acesso ao crédito ter crescido, quase 33% dos donos de micro e pequenas indústrias consideram o grau de exigência para concessão ou renovação de empréstimos bancários alto, 57,3% moderado e apenas 10% acreditam que é baixo.

Por essa razão, para o Sebrae é importante o desenvolvimento de políticas públicas que facilitem o uso de garantias, como é o caso do Programa Nacional de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Pronampe), que voltou a vigorar neste mês.

Criado no ano passado para ajudar micro e pequenas empresas afetadas pela pandemia de Covid-19, o Pronampe tornou-se permanente em 2021, mas o volume que pode ser emprestado depende da quantia injetada no Fundo Garantidor de Operações (FGO), que cobre os eventuais calotes dos tomadores de empréstimos. Nos primeiros dez dias de funcionamento, o programa já emprestou 40% dos recursos.

Já os empreendedores do setor de serviços, apesar de serem uns dos mais afetados pela pandemia e com grande parte do faturamento reduzido, veem o acesso a crédito de uma forma mais positiva. Segundo o Sebrae, para 25,6% deles as exigências são altas e 14,6% consideram baixas. Para 59,8%, as exigências são normais.

No caso do comércio, para 75,7% dos empresários as exigências são normais, o que, na visão do Sebrae, pode estar associado ao uso mais tradicional de montantes menores e para capital de giro. (ABr)

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