Economia

Australiana Solis adquire projeto de lítio da Rio Tinto em Minas

Transação contempla um pacote de exploração de 93 mil hectares entre Araçuaí e Salinas, no chamado Vale do Lítio
Australiana Solis adquire projeto de lítio da Rio Tinto em Minas
Foto: Reprodução Site Solis Minerals

A australiana Solis Minerals anunciou recentemente que fechou acordo com a Rio Tinto Desenvolvimentos Minerals, subsidiária brasileira do grupo anglo-australiano Rio Tinto, para a aquisição total de um projeto de lítio em Minas Gerais. A transação envolve um pacote de exploração de 93 mil hectares entre Araçuaí e Salinas, no chamado Vale do Lítio.

Pelos termos do documento, a Rio Tinto receberá US$ 500 mil no dia da assinatura dos contratos definitivos vinculantes. Além disso, manterá um royalty de 1,75% sobre o retorno líquido da fundição (NSR, na sigla em inglês) da área. A operação está sujeita às aprovações estatutárias e regulatórias padrão e ao período de diligência legal.

Listada na Australian Securities Exchange (ASX), a Solis tem como maior acionista a também australiana PLS, com 5,1% de participação. Conforme acordado entre as empresas, a PLS possui direito de preferência caso a Solis negocie futuramente o ativo.

Nomeado Brazil, o projeto comprado pela Solis é adjacente ao Projeto Colina, incorporado pela PLS em 2025 ao adquirir a conterrânea Latin Resources. A Solis, inclusive, é formada por uma equipe que desempenhou papel importante desde a descoberta do depósito de Colina até a venda da ex-proprietária do projeto, como o presidente do Conselho, Chris Gale, e o CEO, Mitch Thomas, respectivamente, o fundador e o diretor financeiro da Latin.

Potenciais do ativo

A Solis informou que, após revisar o pacote de concessões da Rio Tinto, concluiu que a área, embora subexplorada, é altamente promissora. O trabalho revelou indicadores consistentes com um sistema de lítio fértil, incluindo anomalias geoquímicas, litologias hospedeiras favoráveis e configurações estruturais análogas às de descobertas próximas.

Outros pontos que trazem um cenário positivo de desenvolvimento do ativo são:

  • a área não está sujeito a restrições de conservação ambiental, facilitando um caminho simplificado para o licenciamento de exploração;
  • as concessões estão localizadas longe de centros populosos, em regiões dominadas pelo uso do solo para agricultura e plantações de eucalipto, reduzindo a complexidade de acesso à superfície;
  • e grandes partes do terreno permanecem subexploradas devido a uma fina cobertura residual, o que significa que o potencial de prospecção ainda não foi totalmente testado e resta um potencial de valorização substancial.

Segundo a Solis, a compra do ativo proporciona escala e múltiplas oportunidades, exposição ao Vale do Lítio, proximidade com as concessões da PLS, além de potencial de valorização por descoberta, complementando seu portfólio de cobre no Peru.

O presidente do Conselho da Solis também destacou o momento da aquisição do projeto. Para Gale, o timing é “excepcional, uma vez que o preço do lítio continua a subir, com a oferta enfraquecendo e a demanda se fortalecendo”.

Próximos passos

Dentro dos próximos seis meses, a Solis pretende avançar o projeto em Minas Gerais para testes de perfuração direcionados nas anomalias de lítio de maior prioridade, com foco inicial em dois alvos: Mandacaru e Campo Grande. O trabalho planejado inclui mapeamento geológico detalhado; levantamentos magnéticos e topográficos via drone; e perfuração diamantada de reconhecimento inicial (sondas portáteis).

A Solis disse que, dependendo dos resultados deste programa inicial – já totalmente financiado -, a empresa avaliará o escopo e o cronograma das perfurações de acompanhamento no final do ano para testar e priorizar ainda mais os alvos em toda a área do ativo.

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