Transportadoras de Minas estudam reajuste de até 40% no frete a partir de janeiro

Setor prevê alta diante do aumento do ICMS sobre o diesel, da reforma tributária e dos custos trabalhistas

O setor de transporte de cargas em Minas Gerais estuda reajustar o frete entre 30% e 40% a partir de janeiro. A alta reflete a combinação de fatores como o aumento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) sobre o diesel, aprovado pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), a entrada em vigor da reforma tributária, a reoneração da folha de pagamentos e o fim da escala 6×1.

Segundo o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg), Antônio Luís da Silva Júnior, o setor já opera com margens praticamente zeradas. A avaliação é que a maioria das empresas deverá encerrar 2026 sem resultado positivo, diante da pressão crescente sobre os custos operacionais do transporte rodoviário de cargas.

O pessimismo do setor se intensificou nesta quarta-feira (28) com a aprovação, pelo Confaz, de novas alíquotas de ICMS sobre combustíveis, válidas a partir de fevereiro de 2027. O diesel terá o maior reajuste, de 11,1%, passando de R$ 1,17 para R$ 1,30 por litro. A gasolina ficará 4,5% mais cara, enquanto o imposto sobre o gás de cozinha terá alta de 4,8%.

Para o dirigente, o aumento do imposto sobre o diesel é mais um fator de pressão sobre os custos do transporte rodoviário de cargas. Segundo Silva Júnior, o setor opera com margens praticamente zeradas em 2026, e os combustíveis representam de 30% a 40% do custo total da operação.

“Se o diesel subir 11%, o impacto no frete será de cerca de 4%, sem contar os outros custos. O repasse é inevitável. Todo aumento tem impacto imediato no transporte”, destaca.

Além do diesel, o dirigente aponta outros fatores de pressão sobre os custos do setor. A reforma tributária é um dos destaques, já que a transição para o novo sistema tributário, iniciada em 2026, exige adaptação das empresas às novas regras de apuração e recolhimento de tributos, com possíveis reflexos nos custos administrativos e na formação dos preços dos serviços.

No campo trabalhista, Silva Júnior aponta o fim da escala 6×1 e a reoneração da folha de pagamentos como fatores adicionais de pressão sobre os custos operacionais das transportadoras. As ações citadas, segundo ele, podem elevar as despesas com pessoal e exigir novos ajustes nos valores dos fretes.

“Estamos estudando os reajustes, mas a previsão é de uma alta expressiva a partir de janeiro. O consumidor deve sentir uma forte pressão sobre os preços, principalmente em razão do aumento dos custos de transporte”, salienta.

Transportadoras projetam ano difícil sob novo governo Lula

O presidente do Setcemg acrescenta que o setor inicia o diálogo com o novo governo Lula sob expectativa negativa. Segundo ele, a combinação de mudanças tributárias e trabalhistas deve tornar o ano desafiador para as transportadoras, em um cenário de insegurança jurídica e baixa previsibilidade das regras.

“Para nós, a expectativa, por enquanto, é de um ano difícil. A reforma tributária foi um pouco intempestiva, não foi discutida nem avaliada como deveria. A expectativa inicial é muito ruim, mas isso pode mudar”, afirma.

Até o fim de 2026, o dirigente relata que, como algumas operações já registram prejuízos de 4% a 5%, a maioria das empresas deve encerrar o ano sem resultado positivo.

Sobre o autor

Leonardo Morais

Repórter de economia e negócios do Diário do Comércio, com experiência em jornalismo digital e produção multimídia. Graduado pela PUC Minas, foi premiado com o 2º lugar no Prêmio Sebrae de Jornalismo, Fotojornalismo (2024).