Mais de 250 cidades de Minas Gerais vão ganhar Unidades Básicas de Saúde para enfrentar El Niño; investimento é de R$ 711 milhões
Minas Gerais vai ganhar 314 novas Unidades Básicas de Saúde (UBS) para ampliar o atendimento à população e reforçar a estrutura da rede pública diante da ocorrência de fenômenos climáticos, como o El Niño. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em coletiva de imprensa nessa quarta-feira (16).
As novas unidades estão distribuídas por 259 municípios (lista abaixo) e representam um investimento de R$ 711,5 milhões do governo federal. Nove UBS já foram concluídas. Até o momento, porém, o Ministério da Saúde não informou a previsão de entrega das outras 305 unidades e se os projetos finalizados também já estão em operação.
Veja alguns dos 259 municípios que contarão com as novas UBS
- Belo Horizonte;
- Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH): Betim e Contagem;
- Triângulo Mineiro: Uberlândia e Uberaba;
- Alto Paranaíba: Patos de Minas;
- Rio Doce: Governador Valadares;
- Norte de Minas: Montes Claros;
- Zona da Mata mineira: Juiz de Fora;
- Vale do Jequitinhonha-Mucuri: Teófilo Otoni;
- Sul de Minas: Poços de Caldas, Pouso Alegre e Varginha;
- Vale do Aço: Ipatinga
O Ministério da Saúde informa ainda que os projetos arquitetônicos das unidades incorporam estratégias de sustentabilidade, adaptação e resiliência, como ventilação e iluminação naturais, reuso de água, equipamentos de baixo consumo energético e geração de energia solar por painéis fotovoltaicos.
Saúde prevê R$ 9,8 bilhões para adaptação climática
Dados do Painel El Niño do governo federal, divulgado em julho, apontam probabilidade de 100% de permanência do fenômeno até, pelo menos, o início de 2027. As previsões indicam que as anomalias da temperatura da superfície do mar no Oceano Pacífico Equatorial podem superar 2°C entre a primavera e o verão deste ano.
O programa Adapta SUS do Ministério da Saúde prevê R$ 9,8 bilhões em investimento em todo o País para ações de resiliência climática. O planejamento de ações no enfrentamento ao El Niño contempla 27 metas e 93 medidas até 2035 para fortalecer a proteção à população, especialmente em regiões mais vulneráveis.
Calor extremo já matou 120 mil no País entre 2000 e 2019
Para o diretor de Programa da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde, Nilton Pereira Junior, as evidências internacionais, inclusive da Organização Mundial da Saúde (OMS), mostram vários impactos relacionados às mudanças climáticas que afetam a saúde da população global.
“Pelo menos um a cada 12 hospitais tem já algum risco de paralisação ou interrupção das atividades assistenciais por conta de eventos extremos. Uma a cada quatro mortes está relacionada a fatores ambientais em todo o mundo”, destaca.
Pereira cita ainda um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para alertar sobre a importância de ações de prevenção às mudanças climáticas. “Entre 2000 e 2019, segundo levantamento da Fiocruz, pelo menos 120 mil óbitos no Brasil tiveram relação direta com o calor extremo”, diz.
Ciência deve orientar preparação para os efeitos do El Niño, diz Padilha
O ministro Alexandre Padilha, por sua vez, reforça que a crise climática é um problema de saúde pública. Segundo ele, os dados que o Ministério da Saúde levanta junto com a OMS e os estudos da Fiocruz, somados a estudos apresentados na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), em Belém, no ano passado, sinalizam para uma adaptação urgente dos sistemas de saúde para enfrentar as mudanças climáticas.
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Padilha chama atenção ainda para a importância da população acreditar na ciência. A informação respaldada por autoridades de saúde, conforme o ministro, é fundamental para que o Brasil não viva, novamente, a onda negacionista da pandemia de Covid-19, que colocou em xeque a credibilidade das pesquisas e vacinas.
“A preparação para o El Niño é baseada na ciência. O Ministério da Saúde ouve os especialistas, respeita os dados produzidos pela nossa Fiocruz e respeita o que vem de informações da parte do clima e da análise dos satélites”, conclui.
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