Usiminas vai reacionar alto-forno 1 em Ipatinga

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Usiminas vai reacionar alto-forno 1 em Ipatinga
Crédito: Divulgação

Mesmo com um prejuízo líquido de R$ 395 milhões no segundo trimestre deste ano, que reverteu o resultado positivo de R$ 171 milhões dos mesmos meses de 2019, a Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) vai religar o alto-forno 1 e retomar as atividades da aciaria 1 da usina de Ipatinga (Vale do Aço), bem como reativar a Usina de Cubatão, em São Paulo.

Os equipamentos foram desligados em abril, como consequência da forte queda na demanda por aço em função da pandemia de Covid-19. Na ocasião, a empresa também paralisou o alto-forno 2 da planta mineira que, conforme o presidente da companhia, Sergio Leite, somente deverá ser reativado em 2021.

“Estamos reativando na primeira quinzena de agosto o alto-forno 1 e o 2 dependerá de quão intensa será a recuperação econômica no cenário pós-pandemia. Mas, na nossa visão, não deverá ser este ano”, admitiu, citando ainda que o retorno das atividades da Usina de Cubatão está previsto para a segunda metade do mês e que já estavam em funcionamento em Minas o alto-forno 3, a aciaria 2, laminações e galvanizações.

Sobre a reforma do alto-forno 3, o de maior capacidade produtiva da planta industrial de Ipatinga, Leite informou que o cronograma está mantido para meados de 2022. Prevista inicialmente para ocorrer a partir do ano que vem, a reforma do equipamento foi adiada por um período de 12 meses, conforme comunicou a empresa no fim do ano passado, sem dar mais detalhes ou justificar a nova data.

Os investimentos previstos de R$ 1,234 bilhão já foram aprovados pelo Conselho de Administração e estão em curso. “Trata-se de um projeto grande, cujo desembolso ocorrerá em três anos, e a paralisação para reforma ocorrerá em meados de 2022. Neste momento, estamos prosseguindo com a compra de equipamentos e o projeto da obra já está pronto”, detalhou.

Diante do início de uma retomada pelo setor siderúrgico, a Usiminas também anunciou a elevação do plano de investimentos para o ano, de R$ 600 milhões para R$ 800 milhões, após terminar junho com uma posição de caixa de R$ 2,5 bilhões. De acordo com o presidente da produtora de aços planos, os principais aportes devem acontecer na implantação do projeto de empilhamento a seco de rejeitos da Mineração Usiminas.

“Estamos confiantes que o pior já passou e que a trajetória agora é de retomada. Temos uma participação muito forte do setor automotivo, que foi um dos impactados em abril e que já indica retomada do crescimento. A construção civil também segue com alguma demanda, e quanto ao mercado externo, devido a elevada participação da China, acreditamos que manteremos nosso patamar de embarque de 10% da produção”, resumiu.

Balanço – Conforme o balanço do segundo trimestre, o resultado operacional da Usiminas medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) caiu 63%, chegando a R$ 208 milhões, com a margem Ebitda ficando em 8,6%. Já o Ebitda Ajustado consolidado ficou em R$ 192 milhões no mesmo período, com recuo de 66,3% em relação ao trimestre anterior (R$ 569 milhões) e a margem de 7,9%. O lucro bruto do acumulado de abril a junho foi de R$ 279 milhões.

Por área de negócios, o principal destaque no segundo trimestre foram os resultados da Mineração Usiminas (Musa), cujo Ebitda Ajustado foi de R$ 380 milhões. O dado representa recorde histórico para a companhia e a margem ficou em 51%.

A unidade produziu 2 milhões de toneladas de minério de ferro e registrou vendas de 1,9 milhão de toneladas. Na mesma época de 2019, as vendas totalizaram 1,7 milhão de toneladas. Já a receita líquida alcançou R$ 746 milhões. Segundo a empresa, a elevação ocorreu principalmente em função da desvalorização do real frente ao dólar, do aumento do preço do minério e da redução no preço do frete.

Na unidade de siderurgia, os resultados refletiram a retração nas vendas internas e externas de aço, desde março, por causa da pandemia de coronavírus. Desta maneira, a produção de aço bruto na usina de Ipatinga ficou em 533 mil toneladas no segundo trimestre e a de laminados (Ipatinga e Cubatão) totalizou 0,7 milhão de toneladas.

Já as vendas totais somaram 608 mil toneladas, com 83% direcionadas ao mercado interno e 17% às exportações. Na mesma época de 2019, as vendas chegaram a 1,05 milhão de toneladas. Com isso, o Ebitda Ajustado atingiu R$ 102 milhões negativos e a margem ficou negativa em 5,4%.

Na Soluções Usiminas, a receita líquida do segundo trimestre totalizou R$ 498 milhões e o Ebitda Ajustado da unidade no período ficou em R$ 11 milhões negativos. Já na Usiminas Mecânica, a receita líquida do segundo trimestre foi de R$ 43 milhões.

Vale destacar que, no fim do mês passado, a subsidiária teve sua reestruturação aprovada pelo Conselho de Administração da companhia e manteve apenas as atividades relacionadas à prestação de serviços para a Usiminas e suas controladas. Para Leite, trata-se apenas de uma reestruturação e o corpo diretivo está confiante que a empresa voltará a operar em patamares positivos a partir do ano que vem.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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