A Usiminas elevou o plano de investimentos de R$ 600 milhões para R$ 800 milhões em 2020 | Crédito: Divulgação

Mesmo com um prejuízo líquido de R$ 395 milhões no segundo trimestre deste ano, que reverteu o resultado positivo de R$ 171 milhões dos mesmos meses de 2019, a Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) vai religar o alto-forno 1 e retomar as atividades da aciaria 1 da usina de Ipatinga (Vale do Aço), bem como reativar a Usina de Cubatão, em São Paulo.

Os equipamentos foram desligados em abril, como consequência da forte queda na demanda por aço em função da pandemia de Covid-19. Na ocasião, a empresa também paralisou o alto-forno 2 da planta mineira que, conforme o presidente da companhia, Sergio Leite, somente deverá ser reativado em 2021.

“Estamos reativando na primeira quinzena de agosto o alto-forno 1 e o 2 dependerá de quão intensa será a recuperação econômica no cenário pós-pandemia. Mas, na nossa visão, não deverá ser este ano”, admitiu, citando ainda que o retorno das atividades da Usina de Cubatão está previsto para a segunda metade do mês e que já estavam em funcionamento em Minas o alto-forno 3, a aciaria 2, laminações e galvanizações.

Sobre a reforma do alto-forno 3, o de maior capacidade produtiva da planta industrial de Ipatinga, Leite informou que o cronograma está mantido para meados de 2022. Prevista inicialmente para ocorrer a partir do ano que vem, a reforma do equipamento foi adiada por um período de 12 meses, conforme comunicou a empresa no fim do ano passado, sem dar mais detalhes ou justificar a nova data.

Os investimentos previstos de R$ 1,234 bilhão já foram aprovados pelo Conselho de Administração e estão em curso. “Trata-se de um projeto grande, cujo desembolso ocorrerá em três anos, e a paralisação para reforma ocorrerá em meados de 2022. Neste momento, estamos prosseguindo com a compra de equipamentos e o projeto da obra já está pronto”, detalhou.

Diante do início de uma retomada pelo setor siderúrgico, a Usiminas também anunciou a elevação do plano de investimentos para o ano, de R$ 600 milhões para R$ 800 milhões, após terminar junho com uma posição de caixa de R$ 2,5 bilhões. De acordo com o presidente da produtora de aços planos, os principais aportes devem acontecer na implantação do projeto de empilhamento a seco de rejeitos da Mineração Usiminas.

“Estamos confiantes que o pior já passou e que a trajetória agora é de retomada. Temos uma participação muito forte do setor automotivo, que foi um dos impactados em abril e que já indica retomada do crescimento. A construção civil também segue com alguma demanda, e quanto ao mercado externo, devido a elevada participação da China, acreditamos que manteremos nosso patamar de embarque de 10% da produção”, resumiu.

Balanço – Conforme o balanço do segundo trimestre, o resultado operacional da Usiminas medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) caiu 63%, chegando a R$ 208 milhões, com a margem Ebitda ficando em 8,6%. Já o Ebitda Ajustado consolidado ficou em R$ 192 milhões no mesmo período, com recuo de 66,3% em relação ao trimestre anterior (R$ 569 milhões) e a margem de 7,9%. O lucro bruto do acumulado de abril a junho foi de R$ 279 milhões.

Por área de negócios, o principal destaque no segundo trimestre foram os resultados da Mineração Usiminas (Musa), cujo Ebitda Ajustado foi de R$ 380 milhões. O dado representa recorde histórico para a companhia e a margem ficou em 51%.

A unidade produziu 2 milhões de toneladas de minério de ferro e registrou vendas de 1,9 milhão de toneladas. Na mesma época de 2019, as vendas totalizaram 1,7 milhão de toneladas. Já a receita líquida alcançou R$ 746 milhões. Segundo a empresa, a elevação ocorreu principalmente em função da desvalorização do real frente ao dólar, do aumento do preço do minério e da redução no preço do frete.

Na unidade de siderurgia, os resultados refletiram a retração nas vendas internas e externas de aço, desde março, por causa da pandemia de coronavírus. Desta maneira, a produção de aço bruto na usina de Ipatinga ficou em 533 mil toneladas no segundo trimestre e a de laminados (Ipatinga e Cubatão) totalizou 0,7 milhão de toneladas.

Já as vendas totais somaram 608 mil toneladas, com 83% direcionadas ao mercado interno e 17% às exportações. Na mesma época de 2019, as vendas chegaram a 1,05 milhão de toneladas. Com isso, o Ebitda Ajustado atingiu R$ 102 milhões negativos e a margem ficou negativa em 5,4%.

Na Soluções Usiminas, a receita líquida do segundo trimestre totalizou R$ 498 milhões e o Ebitda Ajustado da unidade no período ficou em R$ 11 milhões negativos. Já na Usiminas Mecânica, a receita líquida do segundo trimestre foi de R$ 43 milhões.

Vale destacar que, no fim do mês passado, a subsidiária teve sua reestruturação aprovada pelo Conselho de Administração da companhia e manteve apenas as atividades relacionadas à prestação de serviços para a Usiminas e suas controladas. Para Leite, trata-se apenas de uma reestruturação e o corpo diretivo está confiante que a empresa voltará a operar em patamares positivos a partir do ano que vem.