Economia

Vale fará bombeamento emergencial para evitar desabastecimento na RMBH

Acordo com MPMG prevê envio de até 2 m³/s do Paraopeba à ETA Rio Manso após risco estrutural
Vale fará bombeamento emergencial para evitar desabastecimento na RMBH
Divulgação/ MPMG

Após a identificação de riscos de colapso estrutural de adutora e de desabastecimento hídrico da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), a Vale assinou acordo com o Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG) e iniciará, “de forma imediata, emergencial e temporária”, o bombeamento de água bruta do Rio Paraopeba para a Estação de Tratamento de Água (ETA) Rio Manso. A informação foi divulgada pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG) nessa quinta-feira (23).

De acordo com o MPMG, estudos hidráulicos realizados em janeiro de 2026 encontraram um problema técnico na ETA em questão: a operação do sistema em vazões superiores a dois metros cúbicos por segundo (m³/s) apresenta riscos de colapso estrutural da adutora, o que inviabiliza a entrega imediata da capacidade plena de 5 m³/s que a Vale foi obrigada a construir e entregar ainda em 2019 (por força de acordo de reparação decorrente do rompimento da barragem Córrego do Feijão, em Brumadinho).

Assim, diante do risco “iminente de desabastecimento hídrico” da RMBH, provocado pela situação crítica dos reservatórios do Sistema Paraopeba, e com base na recomendação técnica da auditoria independente Aecom, a Vale e o MPMG, por meio do Núcleo de Acompanhamento de Reparações por Desastres (Nucard), acordaram pelo bombeamento emergencial citado.

O acordo foi celebrado em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF), a Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais (DPMG), a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), a empresa de auditoria técnica independente Aecom do Brasil e o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam).

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Vale segue obrigada a entregar sistema

Conforme o procurador de Justiça Leonardo Castro Maia, coordenador-geral do Nucard do MPMG, o bombeamento deverá ser contínuo e de até dois metros cúbicos por segundo (m³/s), conforme demanda sinalizada pela Copasa, que é a empresa responsável pela operação da estação de tratamento e pela garantia da potabilidade da água fornecida à população.

O bombeamento provisório, no entanto, não extingue as obrigações originais da empresa. “O bombeamento provisório é uma etapa intermediária e não substitui a entrega da planta em plena capacidade – a Vale continua obrigada a realizar todas as obras de adequação e a entregar o sistema operando a 5 m³/s, conforme pactuado desde 2019”, declara Maia.

Por isso, segundo o procurador, a Vale se obriga a prosseguir com as obras de adequação e com a instalação de dispositivos visando à operação segura na vazão plena de 5 m³/s. “O termo tem vigência até 31 de dezembro de 2026, podendo ser prorrogado enquanto persistir o risco de desabastecimento e enquanto não houver a entrega definitiva da planta de captação à Copasa”, completa.

Vale afirma que iniciará bombeamento ‘nos próximos dias’

Procurada, a Vale informa que, de comum acordo com a Copasa e com os demais compromitentes do Termo de Compromisso Águas, iniciará nos próximos dias o bombeamento de até 2 m³/s de água bruta do Rio Paraopeba para a Estação de Tratamento de Água Rio Manso, operada pela Copasa.

“A estrutura de captação e bombeamento de água no rio Paraopeba, em Brumadinho, teve sua construção concluída em 2022, quando foi iniciada a fase de testes e operação. Desde então, equipes técnicas de engenharia da Vale e da Copasa vêm realizando análises conjuntas para avaliação da performance operacional da planta e discutindo eventuais ajustes técnicos, com foco no aumento da eficiência do sistema”, declara, em nota.

“A Vale reafirma seu compromisso com as ações previstas nos acordos firmados, atuando de forma técnica, responsável e integrada com os órgãos competentes e com a Copasa para contribuir com a segurança hídrica e o abastecimento da população”, encerra o texto.

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