Economia

Vallourec ampliará produção na usina do Barreiro com tecnologia inédita

A siderúrgica vai instalar uma linha de produção dedicada ao Cleanwell, um revestimento livre de graxa aplicado nas conexões dos tubos
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Vallourec ampliará produção na usina do Barreiro com tecnologia inédita
Usina da Vallourec no Barreiro, em Belo Horizonte | Foto: Divulgação/Vallourec

A francesa Vallourec, uma das líderes mundiais em soluções tubulares premium, vai instalar uma linha de produção na usina do Barreiro, em Belo Horizonte, dedicada ao cleanwell, um revestimento livre de graxa aplicado nas conexões dos tubos, que substitui tanto os compostos de armazenamento quanto de montagem. As obras deverão começar até o início de 2027, com a entrada em operação prevista para o primeiro trimestre de 2028.

Quem revela a novidade ao Diário do Comércio é o CEO da Vallourec América do Sul, André Lacerda. Sem informar valores, ele diz que o projeto, a ser desenvolvido na área de antigos galpões de estocagem da planta, demandará um investimento significativo.

Conforme explica o executivo, o cleanwell envolve a eletrodeposição de um lubrificante seco, da cor azul, nas conexões dos tubos, uma tecnologia de propriedade intelectual da Vallourec. Segundo a companhia, não existe empresa no Brasil atualmente capaz de produzir com essa solução para o mercado de óleo e gás.

A Vallourec realça que esse revestimento oferece propriedades anticorrosivas e de lubrificação e possibilita operações mais limpas e eficientes. Lacerda destaca que a logística em termos de manuseio do tubo é facilitada, a segurança e velocidade da operação melhoram e, por ser livre de graxa, o produto previne contaminações no meio ambiente.

Foto em grande plano detalha a extremidade de um tubo de aço industrial escuro. A ponta do tubo está revestida com um protetor de rosca de plástico na cor azul vibrante, que apresenta ranhuras horizontais paralelas em relevo ao longo de toda a sua superfície cilíndrica. O tubo está posicionado diagonalmente na imagem, mostrando sua abertura oca e o interior escuro em primeiro plano. O fundo é cinza, texturizado e está fora de foco.
Cleanwell, tecnologia de propriedade intelectual da Vallourec | Foto: Philippe Zamora

Usina de Jeceaba recebe linha de produção de luvas

O CEO da Vallourec América do Sul também revela, sem detalhar o investimento, que, ainda em 2026, entrará em operação na usina de Jeceaba, na região Central de Minas Gerais, uma linha de produção de luvas Large OD – abreviação de Large Outer Diameter, que na tradução literal significa grande diâmetro externo.

O executivo pontua que, em 2024, a planta passou por uma expansão voltada para Large OD, ou seja, para produzir tubos de grande diâmetro. Porém, de acordo com ele, as luvas – usadas para conectar tubos – seguiram sendo importadas da Vallourec no exterior.

“O objetivo da Vallourec América do Sul, como hub de exportação do Grupo Vallourec, é conseguir fazer todos os produtos no Brasil, de A a Z”, afirma Lacerda.

Cabe mencionar que aproximadamente metade da produção da Vallourec no Estado é destinada para fora do País. A siderúrgica exporta para 35 países na Ásia (incluindo o Oriente Médio), Europa, América do Norte, América do Sul e Oceania.

Também é válido dizer que na unidade do Barreiro são produzidos tubos de aço sem costura de até sete polegadas para os setores petrolífero, industrial, automotivo, de energia e da construção civil. E na unidade de Jeceaba são fabricados tubos de aço sem costura acima de sete polegadas até 185/8 polegadas para o setor de petróleo e gás.

“As duas usinas são complementares. Elas têm que coexistir para a gente ter o portfólio de oferta completo para o mercado”, salienta o CEO.

Companhia investe em operações brasileiras visando novos contratos

Desde que decidiu, em 2022, fechar algumas fábricas na Europa e transferir parte da produção para o Brasil, a Vallourec vem investindo fortemente nas unidades brasileiras para ganhar novos contratos e atendê-los. A estratégia parece que tem dado certo.

Em janeiro, a empresa assinou contrato para fornecer produtos e serviços físicos e digitais, tanto onshore quanto offshore, para as operações da Shell no projeto petrolífero de águas profundas Orca, localizado na área do pré-sal da Bacia de Santos. Conforme informado anteriormente, mais de 95% dos tubos a serem fornecidos sairão das usinas mineiras.

Em maio, a companhia fechou dois novos contratos com a ExxonMobil Guyana Limited (EMGL) para o fornecimento de tubos revestidos aos projetos offshore Hammerhead e Longtail, localizados no Bloco Stabroek, na Guiana. Os tubos também serão produzidos em Minas Gerais e enviados para o Espírito Santo antes de serem entregues ao cliente.

Na unidade capixaba, parte dos tubos será coberta com resina Proxxima™ e isolamento submarino GDLX™, tecnologias desenvolvidas pela ExxonMobil para as quais a Vallourec tornou-se a primeira empresa licenciada a utilizá-las. O complexo na Grande Vitória passará por uma modernização para viabilizar a operação.

Também em maio foi assinada outra parceria. A siderúrgica e a Syngular Solutions, empresa de engenharia e consultoria especializada em projetos de Bioenergia com Captura e Armazenamento de Carbono (BECCS) e Captura, Utilização e Armazenamento de Carbono (CCUS) firmaram um memorando de entendimento (MoU) para colaboração em iniciativas de captura e armazenamento geológico de carbono no Brasil.

“É importante dizer que toda a tubulação que vai servir para a injeção do CO2 nas formações geológicas é produzida no Barreiro e em Jeceaba”, realça Lacerda.

Todos esses acordos foram fechados somente neste ano. Entre os mais antigos, vale destacar o que foi firmado em setembro de 2025 para fornecimento de tubos e serviços para operações offshore da Petrobras entre 2026 e 2029, contrato que pode gerar receita total de até US$ 1 bilhão para a Vallourec. Os tubos também são produzidos em Minas Gerais.

Homem branco de meia-idade, com cabelos curtos grisalhos bem penteados, posa de braços cruzados olhando para a câmera com uma expressão séria e profissional. Ele veste terno azul-marinho, camisa social branca e gravata azul-clara texturizada. Ele está posicionado em plano médio do lado direito do enquadramento. Ao fundo, há um corredor corporativo com divisórias brancas iluminadas por faixas de luz amarela vertical, onde estão pendurados painéis fotográficos coloridos fora de foco com imagens que sugerem operações industriais e logísticas.
CEO da Vallourec América do Sul, André Lacerda | Foto: Divulgação/Vallourec
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