Minas quase dobra número de redes supermercadistas bilionárias em dez anos
O número de empresas do varejo supermercadista de Minas Gerais com faturamento igual ou superior a R$ 1 bilhão segue em expansão nos últimos anos. De acordo com as edições mais recentes do Ranking Abras, esse grupo saltou de seis, em 2015, para 11 companhias bilionárias no ano passado, o que representa crescimento de 83,33% no período.
Conforme levantamento realizado pelo Departamento de Economia e Pesquisa da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), em parceria com a NielsenIQ, essas empresas estão entre as 90 maiores do setor no Brasil. Ao todo, somaram R$ 81,6 bilhões ao longo de 2025.
O presidente executivo da Associação Mineira de Supermercados (Amis), Antônio Claret Nametala, avalia que, de maneira geral, o desempenho das varejistas mineiras foi bastante positivo. Ele destaca que essas companhias seguem apresentando crescimento no faturamento. “Isso é o mais importante. Temos que parabenizar todas as empresas pelo grande trabalho”, diz.
No ano passado, o estudo contava com dez empresas bilionárias sediadas no Estado. Para a atual edição, as novidades são o Grupo Martins, dono da rede associativista Smart Supermercados, e a rede SuperMaxi, ambas com sede em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Vale ressaltar que a rede Luiz Tonin saiu da lista após registrar retração de 15,36%, passando de R$ 1 bilhão para R$ 856,1 milhões.
Para Claret, o aumento no número de empresas bilionárias em Minas Gerais é resultado de muito trabalho e de grandes investimentos em expansão, atendimento e modernização de lojas, com novas tecnologias. Além disso, ele menciona a proximidade com o consumidor como outro fator determinante.
O dirigente destaca que esse cenário demonstra o potencial do mercado mineiro, com grandes oportunidades de crescimento para empresas de todos os portes. “Minas Gerais é o segundo mais importante mercado supermercadista do Brasil, com empresas cada vez mais fortes e em expansão”, afirma.
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O Grupo Martins é uma das novidades desta edição, uma vez que não estava na lista do ano anterior. A companhia encerrou o último exercício com faturamento bruto anual de R$ 12,549 bilhões. Esse montante faz com que a empresa figure no Top 3 de Minas e na 11ª posição do Ranking Abras 2026.
Já a SuperMaxi ingressou neste seleto grupo após encerrar 2025 com R$ 1 bilhão, o que representa variação positiva de 9,19% na comparação com o observado no ano anterior (R$ 940 milhões). Dessa forma, a rede permanece na 11ª posição estadual, mas recua da 86ª para a 87ª posição na lista nacional.
Um fato interessante é que a supermercadista é uma das associadas da rede associativista Hipervalor Varejista, que também tem como integrante a rede SuperLuna Supermercados, a qual passou a fazer parte da lista de empresas bilionárias do Estado na edição anterior do ranking.
A quantidade de empresas com faturamento igual ou superior a R$ 1 bilhão com sede em Minas vem apresentando tendência de crescimento ao longo das últimas décadas. Em 2007, por exemplo, eram apenas duas companhias (Bretas e DMA Distribuidora), passando para quatro em 2012, seis em 2015 e dez no ano passado, antes de chegar ao número atual de 11 empresas.

O presidente da Amis ressalta que o mercado supermercadista é muito competitivo e requer extrema cautela com os custos e com a gestão de forma geral. Ele também destaca a importância da concorrência na geração de competência.
“As empresas mineiras têm demonstrado essa competência e, quando há um trabalho bem feito, com boa gestão e fortes parcerias, como tem sido no setor supermercadista mineiro, a tendência é de crescimento contínuo”, completa.
Principais destaques de Minas Gerais no varejo supermercadista
Entre as empresas com sede em Minas, o grande destaque continua sendo a rede Supermercados BH, que lidera o ranking estadual e ocupa a quarta posição nacional. A empresa fechou 2025 com faturamento bruto de R$ 25,7 bilhões, o que representa crescimento nominal de 20,89% frente ao registrado em 2024 (R$ 21,2 bilhões).
A empresa está atrás apenas das companhias que integram o Top 3 do Brasil. O Grupo Carrefour segue na liderança geral, com montante de R$ 123,5 bilhões, sendo a única empresa com faturamento na casa dos R$ 100 bilhões. Em seguida, aparecem o Assaí Atacadista e o Grupo Mateus, com R$ 84,7 bilhões e R$ 43,5 bilhões, respectivamente.
Outro grande destaque do Estado é o grupo formado pelas redes de atacarejo Mart Minas e Dom Atacadista, que registrou faturamento bruto anual de R$ 12,5 bilhões. Esse valor representa aumento de 9,77% frente ao ano anterior (R$ 11,4 bilhões). Apesar do avanço e de se manter como o segundo maior do Estado, o grupo apresentou retração na pesquisa, caindo da oitava para a 10ª posição no ranking.
Claret pontua que as projeções da Amis indicam crescimento de 3,45% no consumo dos mineiros e investimentos de R$ 1,3 bilhão voltados para a abertura de, pelo menos, 78 lojas na região. O dirigente ainda lembra que a expectativa do setor é de gerar 8.580 novos postos de trabalho com esses empreendimentos. “Acreditamos que são metas possíveis de serem atingidas”, declara.
Ranking das 11 maiores empresas do varejo supermercadista em Minas Gerais (dados de 2025):
- Supermercados BH (R$ 25.724.242.808);
- Mart Minas & Dom Atacadista (R$ 12.549.621.329);
- Grupo Martins (R$ 11.811.008.373);
- DMA Distribuidora (R$ 8.908.482.537);
- Grupo ABC (R$ 5.537.280.000);
- Grupo Supernosso (R$ 5.105.278.519);
- Grupo Bahamas (R$ 4.491.803.536);
- Villefort (R$ 3.622.474.000);
- Organizações Verdemar (R$ 1.755.687.035);
- SuperLuna (R$ 1.141.860.152);
- Rede SuperMaxi (R$ 1.026.387.975).
Cenário nacional

O estudo mostra que o segmento supermercadista nacional registrou faturamento total de R$ 1,1 trilhão no último exercício, o equivalente a 9,02% do Produto Interno Bruto (PIB). O valor representa crescimento nominal de 7,32% e real de 3,68% na comparação com o registrado em 2024 (R$ 1 trilhão).
Do montante total apresentado, quase metade (49%) corresponde ao segmento de autosserviço, ou supermercados convencionais, com R$ 563,6 bilhões. Em seguida, aparecem o atacarejo (R$ 327,7 bilhões), as micro e pequenas empresas (R$ 167,1 bilhões), a mercearia (R$ 79,4 bilhões) e o marketplace (R$ 7,3 bilhões).
Além disso, o setor de supermercados também encerrou o período com 439.728 lojas em operação, que registraram cerca de 30 milhões de consumidores circulando todos os dias. O setor ainda foi responsável pela geração de 9 milhões de empregos diretos e indiretos no País.
Se consideradas apenas as dez maiores empresas deste segmento, é possível notar que não houve muitas mudanças. A grande novidade foi o avanço do Grupo Koch e do Novo Mateus, que ultrapassaram o Grupo Mart Minas. No caso do Novo Mateus, o grupo saltou da 19ª para a nona posição.
Top 10 do Ranking Abras 2026:
- Grupo Carrefour (R$ 123.594.300.000);
- Assaí Atacadista (R$ 84.736.000.000);
- Grupo Mateus (R$ 43.551.900.000);
- Supermercados BH (R$ 25.724.242.808);
- GPA (R$ 20.631.000.000);
- Grupo Muffato (R$ 20.355.475.718);
- Grupo Pereira (R$ 17.530.890.000);
- Grupo Koch (R$ 12.925.675.000);
- Novo Mateus (R$ 12.549.927.422);
- Mart Minas & Dom Atacadista (R$ 12.549.621.329).
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