Venda de veículos novos cresce 24,36% em Minas e supera média nacional
O número de emplacamentos de veículos em Minas Gerais cresceu 24,36% de janeiro a outubro deste ano na comparação com o mesmo período de 2025. No período, foram emplacadas 756.130 unidades, entre automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas e outros veículos. Os dados são da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
O crescimento em Minas Gerais foi mais expressivo que o registrado no País. No Brasil, foram emplacados 4,72 milhões de veículos de janeiro a outubro, alta de 12,62% ante os 4,19 milhões registrados no mesmo período de 2025. O Estado responde por 16% dos emplacamentos do ano.
Para o economista e professor da Estácio BH, Alisson Batista, uma série de fatores leva Minas Gerais a ter um aumento considerável nas vendas de veículos. “Temos no Estado um grande fator que favorece a estruturação de frotas. Enquanto o consumidor paga um Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) convencional de 4%, os frotistas pagam 1%. Então, essa reposição de automóveis para frotas, acaba favorecendo essa venda”, comenta.
Somado a esta questão, Batista acrescenta a dimensão do Estado. “São 853 municípios, com atuação forte em várias frentes. Atuando desde o agro, passando por uma indústria forte, a mineração e o comércio de bens e serviços muito fortes também”, completa.
Considerando apenas o mês de outubro, os emplacamentos em Minas Gerais caíram 4,81% em relação a setembro e 2,44% na comparação com o mesmo mês do ano passado. No período, foram emplacados 76,4 mil veículos. “Entre outubro e novembro, temos oscilações da troca de tabelas. As montadoras e as concessionárias finalizam a comercialização dos veículos de 2026 e já começam a oferta dos de 2027. As pessoas acabam aguardando para avaliarem a melhor opção”, diz.
No acumulado do ano, o crescimento foi impulsionado pelos emplacamentos de automóveis. Ao todo, foram 468,8 mil unidades contra 349,5 mil unidades ano passado. Já na comparação com outubro do ano passado, foram 76,4 mil unidades emplacadas este ano, contra 78,3 mil no ano passado. Nesse caso, a queda veio principalmente dos implementos rodoviários (-13,5%) e das motos (-5,14%).
O professor de Economia e Relações Internacionais do Ibmec BH, Pedro Cordeiro, compartilha as posições de Batista e acrescenta o bom desempenho operacional do Detran de Minas Gerais. “É um dos Detrans mais ágeis no processo de emplacamento”, comenta.
Além disso, Cordeiro lembra que os bancos têm facilitado a oferta de crédito, permitindo mais acesso aos financiamentos, mesmo com a taxa de juros em patamar alto. “Os bancos tem renegociado modalidades de pagamento, ampliado prazos e até quitando financiamentos mais antigos. A gente tinha uma demanda represada durante a pandemia, que os carros ficaram muito caros e agora a gente tem tido uma normalização dessa produção”.
Motocicletas continuam atraindo o consumidor
As motocicletas também registraram crescimento. Foram 141 mil unidades emplacadas no Estado de janeiro a outubro, ante 130,5 mil no mesmo período do ano passado, avanço de 7,97%. Na comparação mensal, no entanto, o segmento apresentou queda de 4,93% em relação a setembro, enquanto, em relação a outubro de 2025, a queda foi de 5,14%.
Nesse caso, o professor afirma que as incertezas econômicas do País, os juros altos e o alto custo de um automóvel, que hoje ultrapassa os R$ 70 mil, tem levado às pessoas a optar pela motocicleta. “Não tendo a certeza de como irá comportar a inflação, o consumidor avalia que é inviável financiar um veículo, dessa forma, parte para a motocicleta que tem um valor mais acessível, tanto para mobilidade quanto para trabalho”, avalia.
Setor cresce 12,6% no Brasil
No Brasil, os emplacamentos de veículos cresceram 12,6% de janeiro a outubro, em relação ao mesmo período de 2025, ao emplacar 4,72 milhões de unidades ante os 4,19 milhões do ano passado. O volume é o segundo maior resultado acumulado da série histórica, atrás apenas do registrado em igual período de 2011.
Com relação a outubro do ano passado, no entanto, a queda de 0,85% representa certa estabilidade. Na comparação com o mês anterior, o setor também registrou queda (-4,06%).
De acordo com o presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, o resultado mostra que o mercado brasileiro mantém ritmo consistente de crescimento em automóveis, comerciais leves e motos, ainda que com ajustes pontuais.
“Observamos uma recuperação gradual em segmentos como caminhões, ônibus e implementos rodoviários, cuja queda acentuada vem retrocedendo ao longo dos meses, notadamente, após a implantação do Programa Move Brasil”, afirmou.
Arcelio Junior afirmou ainda que a instituição tem consciência que o cenário de crédito permanece desafiador em função das taxas de juros e que alguns segmentos apresentaram queda acentuada, como é o caso das máquinas agrícolas. “No entanto, revisamos para cima as projeções para esse ano, na maior parte dos segmentos”, finalizou o presidente.
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