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Os colonizadores portugueses que vieram para o Brasil precisaram de quase duzentos anos até alcançar o território mineiro | Crédito: Evandro Rodney / IEF

Invejosos da sorte dos espanhóis, que, tão logo chegaram ao Novo Continente, encontraram metais preciosos, os portugueses precisaram de quase duzentos anos avançando pelo território, correndo todo tipo de risco, até chegar a um “novo mar”, feito de montanhas, onde minerais valiosos, especialmente o ouro, estavam à flor da terra.

Eram tão abundantes que a palavra que antes denominava apenas uma atividade ou profissão ganharia a função de gentílico e, mais que isso, denominaria um jeito de ser, uma nova forma de enxergar o mundo, formaria um povo e uma civilização inédita: a mineira.

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As Gerais, porém, não se referem apenas aos minerais. A denominação original, Minas Dos Gerais, diz respeito a uma – por vezes esquecida – diversidade econômica. Mais do que os icônicos ouro, café, minério de ferro e, quem sabe, logo, as startups, um número incontável de atividades manufaturadas ajudou a compor um mosaico variado, complexo e desigual.

Cafeicultura alavancou infraestrutura de transportes estadual, como mostra Carta da Província com indicações das estradas da época | Crédito: Divulgação

Urbanização contribui para economia diversificada  

Dois de dezembro de 1720 é reconhecido como o aniversário de Minas Gerais por ser a data quando a Capitania de Minas Gerais se separou da de São Paulo, relacionando-se, a partir daí, diretamente com o Império Português. Mas a história já havia começado. Podemos voltar aos anos de 1680, com a chegada dos primeiros paulistas à região do Rio das Mortes, no Campo das Vertentes.

Segundo o professor e pesquisador do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (Cedeplar/Face/UFMG), Marcelo Magalhães Godoy, o fim da União Ibérica e a perda do monopólio da produção de açúcar impuseram ao Império a busca por novas riquezas.

“A crise geral do Império fez com que crescesse o interesse pela pesquisa minerária. Já existia uma certa extração em São Paulo. Os paulistas sabiam sobreviver em um ambiente agreste e hostil pela presença das populações indígenas e localizar essas jazidas e o território vinha sendo percorrido desde o início do (século) 17. É importante lembrar que já existia alguma exploração e alguma ocupação através da pecuária curraleira que sobe o rio São Francisco e que depois terá uma forte expansão. Essas ocupações respondem pelas nossas primeiras nucleações urbanas”, explica Godoy.

Se, de um lado, o ouro “enchia os olhos e as burras” de portugueses e ingleses, do outro, era preciso alimentar aquela população. O ouro é uma economia essencialmente urbana e como tal, exige que núcleos produtores de gêneros alimentícios e outros serviços se instalem nas proximidades. Daí a grande fragmentação urbana do território mineiro, hoje demonstrada pelos seus 853 municípios.

Segundo a historiadora e coordenadora do Programa de Pesquisa e Edição da Coleção Mineriana da Fundação João Pinheiro (FJP), Maria Marta Araújo, mesmo antes da separação das capitanias, as vilas mineiras já tinham um intenso contato com inúmeros arraiais.

“Então foi um rápido processo de urbanização, surgindo uma economia altamente diversificada, com os sertões sendo progressivamente convertidos em distritos e freguesias. A agricultura feita com pequeno número de escravos, não necessariamente destinada à exportação, comercializava com o Rio de Janeiro e a Bahia, tornando esses territórios centros de abastecimento para as províncias vizinhas, estabelecendo um padrão peculiar”, destaca Maria Marta Araújo.

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Enfim, o café – O ciclo do ouro, porém, durou pouco, e a decadência da produção no final do século 18 fez com que Minas fosse declarada uma capitania agrícola, desencadeando um movimento migratório das vilas do ouro para outras áreas da Capitania. Nos primeiros anos do século 19, as lavouras de café começaram a crescer na Zona da Mata, pelos vales dos afluentes do rio Paraíba do Sul.

Rapidamente a cafeicultura se transformou em importante atividade econômica da província e indutora do povoamento e desenvolvimento da infraestrutura de transportes. A prosperidade ensejou um primeiro surto de industrialização. Foi a partir dessa época que o mineiro nunca mais perdeu o trem, mesmo com a desativação das ferrovias na segunda metade do século 20.

“Minas se singulariza como uma experiência escravista única com passagem de uma economia de mercado externo, baseada na exportação do ouro, para uma dinâmica economia de mercado interno. Não há outra experiência assim na nossa história. Mesmo no período em que a cafeicultura está no auge, ela ocupa uma parcela de apenas um terço da escravaria mineira no século 19. Os outros estão em atividade de mercado interno. E aqui se produz tudo, com agricultura e pecuária diversificadas, além da mineração revigorada por técnicas de extração subterrânea e financiamento inglês. A indústria brasileira mais diversificada em termos de emprego de mão de obra, valor da produção e consumo de energia é a mineira até a terceira quadra do século 19. Temos um grande desenvolvimento na indústria têxtil, uma siderurgia primitiva e artes e ofícios manuais e mecânicos produzindo serviços e produtos em uma economia que não é mais de base urbana, mas que continua muito importante”, pontua o pesquisador do Cedeplar.

Inúmeros projetos industriais foram iniciados em Minas principalmente na década de 1970, como a Fiat | Crédito: FCA/Divulgação

Política agressiva impulsiona industrialização do Estado

O declínio da cafeicultura, entre 1930 e 1950, levou o Estado para a produção de bens intermediários com o aproveitamento dos recursos minerais. O empenho do governo na expansão da infraestrutura – sobretudo energia e transportes – ajudou na consolidação da política de substituição de importações.

A agressiva política de atração de investimentos, no final dos anos de 1960, interessou a investidores nacionais e estrangeiros. Já no início da década seguinte, houve uma grande arrancada industrial, com a implantação de inúmeros projetos. O parque industrial mineiro destacou-se nos setores metalmecânico, elétrico e de material de transportes.

Entre 1975 e 1996, o Produto Interno Bruto (PIB) mineiro cresceu 93% em termos reais, enquanto o País registrou alta de 65%. Destaque para o setor de transformação e nos serviços industriais de utilidade pública. Na indústria extrativa mineral, a supremacia mineira durou até 1980, quando o País passou a explorar, entre outras, as jazidas do Complexo Carajás, no Pará.

“A partir de 1930, temos a aceleração da integração do mercado interno com a constituição de um polo nacional identificado com São Paulo e a ‘periferização’ das demais regiões. São Paulo, à medida que cresce, promove a integração com esse caráter de complementaridade. Minas transita de uma economia diversificada para se especializar em determinados insumos para o crescimento do polo. O Estado tem uma produção indispensável, mas incapaz de se tornar uma economia avançada. Viramos a periferia do capitalismo periférico no sentido de nos integrarmos à economia paulista”, analisa o pesquisador do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar), Marcelo Magalhães Godoy.

Agronegócio – Chegando ao fim do século passado, Minas ainda tem papel importante na economia brasileira, sendo responsável por cerca de 10% do PIB nacional. Entre as suas maiores forças está o agronegócio, altamente mecanizado e voltado para a exportação de commodities.

“Minas Gerais ainda tem um espaço bastante grande para melhorar as condições de produção. Somos a caixa d’água do Brasil, mas os recursos hídricos mineiros não são utilizados da melhor maneira porque os produtores não são orientados que podem produzir água também. O produtor pode fazer um processo altamente sustentável, recuperando a fertilidade e, ainda, protegendo a produção de água. Estamos no clima tropical e com a irrigação temos até três safras por ano enquanto os nossos competidores das áreas temperadas e frias só podem fazer uma safra com a mesma infraestrutura”, afirma o ex-ministro da Agricultura Alysson Paulinelli.

“Não perdemos a proeminência política, mas perdemos lideranças políticas. A educação é um fator propulsor do desenvolvimento e o seu mapa coincide com o mapa das atividades econômicas. Não nos consolidamos a partir de um único destino ou viés populacional. Há um caminho muito rico de configuração da população no território. Minas Dos Gerais foi para dar conta dessa pluralidade que persiste ainda hoje. Os desafios precisam de estratégia, há uma identidade concreta que, se não for trabalhada, não terá seu objetivo alcançado. A desigualdade regional não é superada porque não é considerada na sua força positiva, na sua potência. A gente trabalha sempre com a ausência”, completa a pesquisadora da Fundação João Pinheiro, Maria Marta Araújo.

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