Falta de capacitação é realidade no mercado de trabalho nacional
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Ray Souza*

As empresas familiares brasileiras estão profissionalizando seus negócios e isso é determinante para os resultados econômicos nacionais. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) revelam que 90% das empresas no Brasil são familiares, representam 65% do Produto Interno Bruto (PIB) e empregam 75% da força de trabalho do País.

Além disso, o Sudeste é a região preferida das empresas familiares brasileiras que planejam expandir seus negócios, reunindo unidades federativas que se destacam como destinos preferenciais de novos investimentos. Pelo segundo ano consecutivo, a região lidera este quesito, pois oferece mercado maduro, elevada demanda e mão de obra qualificada.

Estas conclusões estão na pesquisa “Retratos de Família”, conduzida pela KPMG em conjunto com a Fundação Dom Cabral, revelando o Sudeste como opção de expansão por 44% dos executivos de empresas de diversos setores de atuação, uma evolução em comparação com os anos anteriores, quando a região atingiu 34% das preferências em 2017 e apenas 2% em 2016.

Em Minas Gerais, mais de um terço dos pequenos negócios têm familiares como sócios ou empregados, segundo dados do Sebrae, índice próximo ao nacional. Nesse contexto, as empresas familiares de Minas Gerais e de outros Estados atravessam um período de superação de desafios e atenção às oportunidades.

A maioria das empresas familiares brasileiras se importa com boas práticas de governança corporativa (85%), harmonia e comunicação entre gerações da família (85%), nível de preparação e capacidade demonstrado pelos sucessores (82%) e comunicação com a família sobre a situação do negócio. Quase metade delas (42%) tem Conselho de Administração, dentre as quais 60% com membros independentes.

Outro dado relevante da pesquisa da KPMG é que a receita histórica está com tendência positiva, com 56% indicando aumento no último semestre, enquanto 25% mantiveram e 19% perderam receita. A maioria (74%) disse ainda que o plano estratégico inclui investimentos e, destes, 37% pretendem trazer inovação.

Apesar da crescente profissionalização das empresas familiares, diversas pesquisas revelam que 70% das empresas desse tipo não sobrevivem à geração do fundador e apenas 5% chegam à terceira geração.

Para reverter esse quadro, construir negócios perenes e assumir a liderança no mercado, as empresas familiares de Minas Gerais e de todo o Brasil precisam de um modelo de gestão que contorne conflitos internos, crie processos dinâmicos e introduza novas tecnologias direcionadas para a expansão dos negócios.

As empresas familiares de sucesso sempre serão as que equilibrarem gestão profissional com uma dinâmica saudável entre os parentes. Além disso, é cada vez mais determinante que haja uma gestão estratégica focada em resultados e não em privilégios, além de um fluxo de trabalho estruturado para a geração de negócios e a prosperidade financeira da empresa.

*Sócio de Mercados Regionais da KPMG no Brasil