Do total previsto para a atual safra, R$ 1,6 bilhão será destinado para custeio e outros R$ 2,3 bilhões serão disponibilizados para a comercialização do café | Crédito: Divulgação Emater

O orçamento recorde de R$ 5,7 bilhões previsto para o Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) no ano safra 2020/21 foi avaliado como positivo pelo setor cafeeiro. O valor aprovado pelo Conselho Deliberativo da Política do Café (CDPC) ficou 17,2% maior que o disponibilizado na safra anterior.

Também foi autorizado aumento dos recursos para as linhas de custeio e comercialização, linhas que são consideradas fundamentais para que o cafeicultor consiga produzir e comercializar com planejamento, esperando melhores condições de mercado.

De acordo com as informações da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), dos R$ 5,7 bilhões do orçamento previsto para o fundo cafeeiro, R$ 1,6 bilhão será destinado para custeio, valor que ficou 23,1% superior ao registrado no ano anterior. Para a comercialização da safra serão disponibilizados R$ 2,3 bilhões para contratação dos produtores, aumento de 17,2%.

Também estão previstos R$ 1,15 bilhão para a linha de Financiamento para Aquisição de Café (FAC). Outros R$ 650 milhões irão para capital de giro e R$ 10 milhões para a recuperação de cafezais.

Segundo a analista de agronegócio da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Ana Carolina Alves Gomes, o valor a ser disponibilizado pelo Funcafé é fundamental para que o produtor tenha condições de produzir e planejar a comercialização da safra, o que permite que ele escolha os melhores momentos para negociar o café.

A estimativa é de que as entidades financeiras passem a operar o crédito entre junho e julho, período de plena colheita do café.

“Os números anunciados são bem positivos. Além do aumento do recurso total aprovado, de R$ 5,71 bilhões, houve crescimento nas linhas de custeio e comercialização, que beneficiam diretamente os produtores. A linha de custeio é fundamental para o manejo e colheita da safra e será utilizado para cobrir os gastos operacionais. Essa linha permite que o produtor cubra os custos com a mão de obra, por exemplo, o que é essencial nas regiões onde a colheita do café é manual”, explicou Ana Carolina.

Já na linha de comercialização, Ana Carolina explica que a verba permite que produtores e cooperativas tenham condições para estocar, armazenar e planejar a comercialização da safra ao longo do ano. “O recurso contribui para uma gestão estratégica do café, permitindo que o produtor escolha o melhor momento de mercado para negociar. Isto ajuda a ampliar os ganhos e gerar lucratividade”, disse.

Novo coronavírus – O crédito disponibilizado também pode ser importante caso o mercado do café seja afetado pelos efeitos da pandemia do novo coronavírus. De acordo com Ana Carolina, o mercado de café ainda não sofreu um impacto direto em função da doença, mas, no médio prazo, pode ser afetado.

“Nós notamos que houve uma valorização dos preços na bolsa, mas pode estar relacionada às perspectivas de safra, porque passamos pelo período de entressafra. Imaginamos que, se os problemas com o coronavírus continuarem, no médio prazo, poderemos ter problemas com o mercado internacional, uma vez que somos os maiores exportadores. Vários dos mercados que adquirem nosso café, como a Itália, por exemplo, estão passando por momentos delicados na economia e com o fechamento de fronteiras comerciais. Hoje, é difícil mensurar o impacto direto, mas pode vir a acontecer, e tendo recurso maior para estocagem é benéfico para o produtor”, destacou.

Em relação à safra, até o momento, o clima tem proporcionado um bom desenvolvimento. De acordo com os dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a estimativa inicial para a safra 2020 de café, em Minas Gerais, é de uma produção variando entre 30,7 milhões de sacas e 32 milhões de sacas de café.

Os números representam incremento entre 25,1% e 30,7%, respectivamente, em relação à temporada anterior. O aumento da produtividade média impactado pelo efeito da bienalidade positiva, assim como o acréscimo de área em produção influenciaram diretamente na ampliação da safra.