CVM suspende registro da Santanense em meio a crise financeira do grupo Coteminas
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) suspendeu, nesta terça-feira (19), o registro de companhia aberta da Cia Tecidos Santanense. Com a medida, a empresa, que faz parte do grupo Companhia de Tecidos Norte de Minas (Coteminas), fica impedida de negociar ações e outros valores mobiliários em mercados regulamentados, incluindo a B3, o que agrava a situação da holding que teve a recuperação judicial aprovada no início deste mês de maio.
A autarquia justificou a punição após a Cia Tecidos Santanense descumprir, por mais de 12 meses, as obrigações de prestação de informações financeiras periódicas exigidas pela CVM.
Dessa forma, a decisão foi tomada pela Superintendência de Relações com Empresas (SEP) da CVM e atinge companhias que permaneceram inadimplentes na entrega de documentos obrigatórios, como balanços financeiros e formulários de referência. No caso da Santanense, integrante do grupo Coteminas, a suspensão ocorre em meio às negociações com credores e à alienação de ativos industriais conduzidas pela empresa.
Na prática, a suspensão impede que investidores negociem ações ou títulos da companhia em bolsa ou no mercado de balcão. Além disso, a medida funciona como um alerta regulatório. Caso a inadimplência documental permaneça por mais 12 meses, o registro poderá ser cancelado definitivamente pela CVM.
Mesmo com a suspensão, a regulamentação da autarquia prevê que a companhia, controladores e administradores continuam sujeitos a eventuais penalidades e responsabilizações por infrações cometidas até a data da decisão.
Plano de recuperação judicial
Mais cedo, no início do mês, a Justiça de Minas Gerais já havia homologado o plano de recuperação judicial da Coteminas. A decisão foi assinada pelo juiz Murilo Silvio de Abreu, da 2ª Vara Empresarial de Belo Horizonte, e abriu caminho para que a companhia reestruture uma dívida estimada em mais de R$ 2 bilhões.
A homologação ocorreu com ressalvas. A Justiça impôs condições para a venda de ativos e limitou benefícios que a empresa pretendia estender a fiadores e garantidores. O processo de recuperação judicial tramita desde 2024.
Fundado em 1967, o grupo Coteminas atua no setor têxtil com fábricas em Minas Gerais, Paraíba, Rio Grande do Norte e Santa Catarina, além de operações na Argentina e nos Estados Unidos. Em seu auge, chegou a responder por cerca de 20% do consumo de algodão no Brasil e reuniu marcas como Artex, Santista, MMartan e Casa Moysés.
A deterioração financeira do grupo se intensificou ao longo dos últimos anos. Entre os fatores apontados pela empresa estão a valorização do real frente ao dólar a partir de 2008, que reduziu a competitividade das exportações, o aumento dos custos de matérias-primas durante a pandemia de Covid-19 e a alta dos juros nos anos seguintes, elevando o nível de endividamento da companhia.
A reportagem do Diário do Comércio tentou contato com a defesa das empresas citadas e aguarda retorno. O espaço segue aberto para esclarecimentos.
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