Finanças

Derrocada do conglomerado do Master reduz patrimônio do FGC em R$ 17,1 bi

Fundo Garantidor de Créditos registra déficit e recompõe capital após pagamentos a clientes de bancos como Master e Pleno
Derrocada do conglomerado do Master reduz patrimônio do FGC em R$ 17,1 bi
Foto: Amanda Perobelli / Reuters

O FGC (Fundo Garantidor de Créditos) terminou 2025 com um patrimônio líquido de R$ 123,2 bilhões, uma queda de 12,25% em relação aos R$ 140,4 bilhões de 2024, antes da onda de liquidações envolvendo o Banco Master.

Balanço divulgado nesta terça-feira (28) aponta que, considerando os valores arrecadados com os bancos associados ao fundo e os valores pagos com os reembolsos, houve déficit de R$ 17,1 bilhões no ano passado.

O FGC garante até R$ 250 mil, por CPF ou CNPJ, para investimentos em produtos como conta corrente, poupança, CDB, RDB, LCI, LCA e LCD, por instituição financeira associada ou conglomerado.

As liquidações extrajudiciais de Banco Master, Master de Investimentos e Letsbank levaram o fundo a reservar R$ 40,6 bilhões ao final de 2025 para pagamento de garantias aos credores, que começou em 17 de janeiro de 2026.

Já as liquidações de Will Bank e Pleno, também ligados ao conglomerado de Daniel Vorcaro, demandaram mais R$ 11,2 bilhões.

No total, foram provisionados R$ 51,8 bilhões e pagos R$ 49 bilhões, ou seja, 94,5% do total. O restante depende do cadastramento dos credores nas plataformas do FGC. Até o momento, o pagamento de garantias já alcançou 870 mil clientes e investidores dessas instituições.

As contribuições das instituições associadas totalizaram R$ 6,3 bilhões em 2025, ante R$ 5,7 bilhões em 2024. Além disso, o resultado financeiro dos investimentos do fundo alcançou R$ 21,8 bilhões, acima dos R$ 10,8 bilhões do ano anterior, com rentabilidade correspondente a 99,39% da Selic média para o período.

Os depósitos elegíveis à garantia também cresceram e somavam R$ 5,53 trilhões ao final de 2025 ante R$ 5 trilhões em 2024. Os depósitos a prazo cresceram 11,81% na comparação anual e passaram a representar 58,7% do total dos instrumentos elegíveis à garantia do FGC.

Estavam cobertos pelos limites do fundo 47,93% do total. Em relação a contas individuais, 99,65% estavam integralmente cobertas pela garantia.

RECOMPOSIÇÃO DO FUNDO

Dados os gastos do FGC com o Master, o fundo aprovou junto aos seus associados o adiantamento de 60 meses de contribuições, que foi pago ao fim de março.

Entre os dias 23 e 25, o fundo recebeu R$ 32,2 bilhões, o que deixou o patrimônio líquido em R$ 118,5 bilhões ao fim do primeiro trimestre de 2026.

Este valor pago pelos bancos saiu do depósito compulsório de cada uma das instituições no Banco Central, de modo a minimizar o impacto no sistema financeiro. Compulsório é a fatia dos depósitos que cada banco deve deixar guardada no BC para assegurar sua liquidez e estabilidade.

O QUE É O FGC

O FGC é uma associação civil, sem fins lucrativos, com personalidade jurídica de direito privado. É ele que protege o brasileiro contra a falência de todas as instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central a funcionar no Brasil.

O fundo foi criado em 1995, após autorização do CMN (Conselho Monetário Nacional), em meio a crise bancária que levou diversos bancos à falência. O seu objetivo final, além de garantir depósitos e investimentos até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, é conferir estabilidade ao sistema financeiro.

SÃO GARANTIDOS PELO FGC:

  • operações compromissadas que têm como objeto títulos emitidos, após 8 de março de 2012, por empresa ligada;
  • depósitos à vista ou sacáveis mediante aviso prévio;
  • poupança;
  • depósitos a prazo, com ou sem emissão de certificado, como CDB e RDB;
  • depósitos mantidos em contas não movimentáveis por cheques destinadas ao registro e controle do fluxo de recursos referentes a prestação de serviços de pagamento de salários, vencimentos, aposentadorias, pensões e similares;
  • LC (letra de câmbio);
  • LH (letras hipotecárias);
  • LCI (letras de crédito imobiliário);
  • LCA (letras de crédito do agronegócio);
  • LCD (letras de crédito do desenvolvimento).

Conteúdo distribuído por Folhapress

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