Itaú prevê cenário econômico pior em 2027, mas está bem posicionado para qualquer desafio, diz CEO

O executivo chamou a atenção para o movimento de revisão de estimativas por economistas apontando menor crescimento econômico
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Itaú prevê cenário econômico pior em 2027, mas está bem posicionado para qualquer desafio, diz CEO
Foto: Adobe Stock

O Itaú Unibanco vê condições econômicas piores no cenário para 2027, mas tem um portfólio de crédito muito bem posicionado, afirmou nesta quarta-feira (4) o presidente-executivo do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho.

“Não somos imunes, naturalmente, temos uma carteira de R$ 1,5 trilhão… mas nosso portfólio está muito bem posicionado para enfrentar qualquer que seja o desafio”, afirmou em coletiva de imprensa sobre o balanço divulgado na véspera, que mostrou lucro líquido recorrente de R$ 12,6 bilhões no terceiro trimestre, alta de 6,2% ano a ano.

O executivo chamou a atenção para o movimento de revisão de estimativas por economistas apontando menor crescimento econômico, possivelmente aumento do desemprego e taxas de juros em patamar restritivo por um prazo mais prolongado.

“Isso, aliado a uma economia em que as pessoas, as famílias já estão com comprometimento de renda mais alto e as empresas precisando se refinanciar numa taxa de juros mais elevada, claro que desperta preocupações em relação ao cenário para 2027.”

Ele ressaltou, porém, que o banco tem um portfólio posicionado em clientes mais resilientes, com produtos adequados, mais garantidos no varejo e nos outros segmentos do atacado onde também consegue ter garantia quando necessário, incluindo o agro.

“Não estamos imunes, nunca fomos imunes, mas acho que o banco tem entregado resultados consistentes”, reforçou.

Na bolsa paulista, as ações preferenciais do Itaú subiam cerca de 2% no final da manhã, enquanto o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, avançava ao redor de 1%.

“O banco nunca esteve tão forte para enfrentar os desafios que podem surgir pela frente”, endossaram analistas do BTG Pactual, destacando que os papéis do Itaú são os únicos com recomendação de compra entre os quatro grandes bancos tradicionais que eles cobrem.

A carteira de crédito consolidada do Itaú somou R$ 1,544 trilhão no terceiro, aumento de 10,2% ano a ano, com a inadimplência acima de 90 dias em 2,0%, de 1,9% um ano antes – abaixo da média do mercado.

O banco reiterou o prognóstico de crescimento do portfólio de empréstimos, o que deve resultar em uma desaceleração no último trimestre de 2026 na comparação ano a ano.

Maluhy Filho ressaltou que o banco continua acreditando na dinâmica de construção de portfólio, principalmente porque tem crescido acima de dois dígitos nos públicos de média e alta rendas, “uma fortaleza do banco”.

Mas ele ressaltou que no último trimestre do ano passado houve um crescimento importante do portfólio com dois eventos mais relevantes do que o esperado – programas governamentais e antecipação de dividendos – que geram um efeito de base de comparação.

“Ainda que o banco continue crescendo dentro do que imaginava, para fins de comparação, ele tende a ter um crescimento menor do que o que acumulou nos primeiros nove meses”, afirmou.

Definições

Maluhy afirmou que uma melhora no mercado de capitais dependerá do cenário macroeconômico, e que no momento há muita incerteza no horizonte.

No caso de atividades de fusões e aquisições (M&A), ele citou que continua com uma boa dinâmica, mas emissão de dívida (DCM) já registra desaceleração, embora sempre haverá oportunidade, especialmente para bons nomes, enquanto o mercado de ações já vem parado há muito tempo, com transações pontuais.

“Ainda tem muita incerteza e incerteza não combina com o mercado de capitais. Os investidores tendem a ser mais cautelosos na alocação de seus portfólios”, afirmou o executivo.

“Há muitas assets ainda alocando recursos, então bons emissores, boas operações terão espaço ainda no mercado, mas num volume menor e já era esperado que seria menor do que foi no ano passado, que vai se acentuar agora para os próximos meses”, afirmou.

“Eu acho que quanto mais definições e previsibilidade, maior a chance do mercado retomar ou ficar fechado por um prazo mais longo. Então vai depender muito do cenário macro.”

Em meio a especulações recentes sobre mudanças na política fiscal e de juros no país nos últimos dias, Maluhy Filho ressaltou que “tão importante quanto o social é o fiscal ou tão importante quanto o fiscal é o social”, que os dois têm que andar de mãos dadas.

Mas apontou que o pior que pode acontecer com a volatilidade atual e a desvalorização do câmbio é um aumento da inflação, que deve sustentar os juros em níveis restritivos. “É do interesse de todos trabalhar com juros estruturalmente mais baixos, mas para isso o país precisa criar as condições.”

Rentabilidade

Em teleconferência com analistas, Maluhy reforçou que o banco continuará trabalhando para entregar uma rentabilidade sólida, após o retorno recorrente sobre o patrimônio líquido médio anualizado ficar em 23,6% no terceiro trimestre, de 23,3% um ano antes.

O número ficou acima de pares que já reportaram seus números, como Bradesco, que reportou ROE de 16,1%, e Santander Brasil, que atingiu um retorno de 11,9% no terceiro trimestre.

O executivo também reforçou que o banco continuará perseguindo disciplina de custos, buscando uma melhor eficiência, principalmente dado o cenário menos propício.

“Quando você olha para frente e vê um cenário mais desafiador, especialmente do ponto de vista de atividade, capacidade de geração de novos negócios, de crescimento de carteira, o exercício que só depende da gente fica do lado do custo”, afirmou.

Conteúdo distribuído por Agência Reuters

Paula Arend Laier
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Paula Arend Laier

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