Esquerda internacional importa ‘cartilha’ de Janones e usa o ‘L’ como símbolo antiultradireita

Desde a reeleição do presidente Lula, ativistas e candidatos de esquerda ao redor do mundo tratam a estratégia digital de Janones como fórmula para vencer a direita e a ultradireita

A poucas horas do resultado do segundo turno no domingo (25), a catalã Ada Colau pediu aos presentes no comício da Frente Ampla, em Madrid: “Vamos todas levantar o braço com o L de Lula”.

A ex-prefeita de Barcelona, líder da coalizão de esquerda na Espanha, repetiu o gesto que apoiadores do presidente fizeram ao longo da campanha que o elegeu pela quarta vez. O “L”, formado com o indicador e o polegar, ficou no ar enquanto Colau dizia “pela esperança. Pela Palestina livre. Por Lula no Brasil. Pela Frente Ampla no dia 29 de novembro. Vamos ganhar, companheiras.”

O movimento na Espanha é exemplo de como a reeleição de Lula deu novo fôlego à esquerda internacional. O premiê Pedro Sánchez, do Partido Socialista Operário Espanhol, parabenizou a vitória do petista e afirmou que se inspirará nela para frear o avanço de partidos de direita nas eleições gerais do próximo mês.

“Se o Brasil conseguiu, a Espanha consegue”, afirmou Sánchez durante comício em Gijón, no norte espanhol. Sánchez chegou até a convidar o deputado André Janones (Rede-MG) para colaborar com a estratégia eleitoral na campanha pela reeleição. A equipe do congressista ainda não confirmou se o convite foi aceito.

A presidente Claudia Sheinbaum, do México, também convidou oficialmente Janones para uma visita de trabalho, visando a ações coordenadas para consolidar a esquerda no país. Ao parabenizar a vitória do presidente Lula, fez o “L” com os dedos. “Muitos, muitos parabéns ao presidente Lula, ao povo do Brasil, é uma lufada de ar fresco para a América Latina e o Caribe”, afirmou ela.

Desde a vitória no domingo, ativistas e candidatos de esquerda ao redor do mundo tratam a estratégia digital de Janones como uma espécie de fórmula para vencer a direita e a ultradireita, que avançam a galope na América Latina e na Europa.

O principal método importado tem sido, até o momento, grupos de WhatsApp como o “Exército do Lula”, que somou mais de 10 milhões de pessoas às vésperas do segundo turno.

Iniciativas do tipo começaram a surgir na França. O canal “Léquipe de Mélenchon officielle”, por exemplo, já reúne mais de 46 mil pessoas em apoio à candidatura de Jean-Luc Mélenchon, da esquerda radical, para as eleições presidenciais de 2027.

A convocação partiu do deputado francês Antoine Leaument, que mencionou a experiência brasileira em vídeo divulgado nas redes sociais. “Nós vimos bem o que aconteceu no Brasil e não se preocupem, vamos aplicar um método que funcione”, disse.

Apoiadores de Mélenchon também gravaram vídeos no TikTok fazendo o “L” com os dedos e, na sequência, invertendo as mãos para baixo até formar um “M”. Mélenchon publicou no sábado (24), no Instagram, um apoio à reeleição do presidente. “Nós, que estamos na luta, precisamos da vitória de Lula. Sua vitória será a vitória do povo contra o império americano. Contamos com o Brasil como um país e uma nação irmã.”

Na França, a eleição de abril do ano que vem parece caminhar para uma disputa de extremos: Mélenchon de um lado, e a ultranacionalista Marine Le Pen de outro. A candidata do Reunião Nacional lidera as intenções de voto com cerca de 35% do eleitorado, segundo a Reuters, e o candidato do França Insubmissa marca 16%. Emmanuel Macron, atual presidente, não poderá concorrer.

A inspiração na “cartilha” de Janones também aparece na América Latina e no Caribe, cuja guinada à direita ganhou reforços este ano com as eleições de Keiko Fujimori, no Peru, e de Abelardo de la Espriella, na Colômbia. Javier Milei e Santiago Peña lideram a Argentina e o Paraguai desde 2023.

Os argentinos criaram o “Exército do Peronismo”, em oposição à reeleição de Milei em 2027 e “inspirado no Exército do Lula”, como diz a descrição do canal do WhatsApp. Já são mais de 40 mil inscritos.

Nos Estados Unidos, que terão eleições de meio de mandato no próximo mês, ativistas têm espalhado o método do parlamentar mineiro para fortalecer o Partido Democrata. A vitória no Congresso norte-americano é vista como crucial para fazer contrapeso a Donald Trump, republicano.

Jess Craven, influenciadora de conteúdo político nas redes sociais, publicou um vídeo intitulado “O que podemos aprender com o Brasil?”, repostado por Janones. A mobilização pela vitória de Lula oferece “dicas que nós, ativistas pró-democracia, precisamos pôr em prática e levar para o coração”, afirma ela. O vídeo soma quase 500 mil visualizações no Instagram.

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Tamara Nassif
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Agência Folhapress