Lula é reeleito para o quarto mandato e vence disputa mais apertada desde a redemocratização

Petista superou Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno com 51,74% e aposta em fim da escala 6x1, Ministério da Segurança e soberania sobre terras raras como marcas do novo governo
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Lula é reeleito para o quarto mandato e vence disputa mais apertada desde a redemocratização
Foto: Reprodução Facebook

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República para seu quarto mandato em disputa contra Flávio Bolsonaro (PL), neste domingo (25). Às 21h09, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele marcava 51,74% de votos e superou o adversário, com 48,26% de votos. Apesar de ter perdido no primeiro turno por uma diferença de 2,2 milhões de votos, o petista mudou a estratégia de campanha no segundo turno e conseguiu virar apostando na mobilização nas ruas e nas redes.

No primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro liderou com 56.104.268 votos (47,03% dos válidos), contra 53.876.617 votos de Lula (45,16%). O presidente e o vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), da chapa Brasil Pronto Pra Mais (FE Brasil, PSB, Psol-Rede e PDT), tomam posse em 5 de janeiro de 2027.

Com a reeleição, Lula terá que governar com Congresso de maioria oposicionista. No primeiro turno, o PL elegeu 121 deputados e 28 senadores, tornando-se a maior bancada, enquanto o PT ficou em segundo lugar, elegendo 70 deputados e nove senadores. A nova configuração do Congresso Nacional vai demandar de Lula muitas alianças político-partidárias para garantir sua governabilidade e o cumprimento de várias promessas de campanha.

O plano de governo do presidente reeleito registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem 84 páginas e 13 eixos estratégicos. A palavra-chave é soberania nacional. As principais propostas para o mandato 2027-2030 são o fim da escala 6×1 e a redução da jornada para 40 horas semanais sem diminuição salarial, proposta recentemente aprovada no Congresso Nacional. Lula também garante que vai manter a política de valorização real do salário mínimo, isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e regras de remuneração e proteção previdenciária para trabalhadores por aplicativos.

Na segurança pública, o presidente promete criar o Ministério da Segurança Pública para coordenar Sistema Único de Segurança Pública (Susp), com aporte de R$ 10 bilhões do Fundo Nacional de Infraestrutura Social para equipar polícias estaduais e municipais. Outra promessa é o fortalecimento do programa Brasil contra o Crime Organizado e, por consequência, a asfixia financeira do crime organizado.

No setor empresarial, Lula promete criar polos industriais para beneficiar terras-raras no Brasil e apresenta o Plano Inova Brasil para garantir nuvem, data centers e inteligência artificial brasileiros, além da defesa do Pix e ampliação do complexo industrial da saúde e da base industrial de defesa.

Já nas áreas social, saúde e educação, o petista promete a ampliação dos programas Bolsa Família, Pé-de-Meia e Minha Casa, Minha Vida, bem como a expansão do Farmácia Popular com exames laboratoriais gratuitos, fim das filas do Sistema Único da Saúde (SUS) com teleconsultas e inteligência artificial (IA), e ampliação de escolas em tempo integral e institutos federais.

Na economia e transição ecológica, a proposta é a manutenção do arcabouço fiscal com meta de sair de déficit de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 para superávit de 1,5% em 2030, desmatamento líquido zero até 2030, fortalecimento do Fundo Clima e Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) com foco em neoindustrialização. Ainda na economia, o programa prevê ainda simplificação da nota fiscal e ampliação do teto de faturamento do microempreendedor individual (MEI) de R$ 81 mil para até R$ 140 mil, permissão para contratar segundo funcionário e pacote de microcrédito.

Sobre o autor

Ana Karenina Berutti

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo e mestre em Letras pela PUC Minas. Experiência de 30 anos em cobertura política e econômica.