Fujimori assume o poder no Peru, ampliando a guinada à direita na América Latina
Keiko Fujimori toma posse como presidente do Peru nesta terça-feira (28), tornando-se a mais recente de uma série de líderes conservadores eleitos em toda a América Latina por eleitores frustrados com a criminalidade, o fraco crescimento econômico e a instabilidade política.
A filha do ex-presidente Alberto Fujimori, de 51 anos, torna-se, assim, a primeira mulher eleita chefe de Estado do Peru.
Sua vitória no segundo turno das eleições presidenciais de junho marcou o retorno de uma das dinastias políticas mais influentes e polêmicas do país e coroou uma volta à cena política após anos de tentativas frustradas.
Fujimori será a décima presidente do Peru desde 2016, após uma década tumultuada em que nenhum líder chegou a completar o mandato regular de cinco anos.
Sua eleição amplia uma tendência mais ampla de guinada à direita na América Latina, com uma série de líderes recém-eleitos defendendo laços mais estreitos com os Estados Unidos e políticas mais duras contra o crime.
Fujimori afirmou que há um “espaço muito significativo” para cooperação com o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e manifestou interesse em que o Peru venha a aderir ao “Escudo das Américas”, iniciativa regional proposta por Trump para combater o crime transnacional.
Washington tem feito um dos maiores esforços dos últimos anos para aprofundar os laços com o Peru, importante produtor de cobre e minerais essenciais, com portos estratégicos no Pacífico, em uma tentativa de conter a influência da China na região.
Fujimori nomeou na segunda-feira Elmer Cuba, ex-membro do conselho do Banco Central, como ministro da Economia, e Carlos Espa, ex-candidato à Presidência que também trabalhou para a Embaixada dos EUA em Lima, como ministro das Relações Exteriores.
“Vamos construir o consenso necessário para transformar decisões em resultados para os cidadãos”, disse Fujimori.
Congresso, desafios econômicos
Fujimori derrotou por uma pequena margem o deputado de esquerda Roberto Sánchez em uma das eleições mais acirradas da história moderna do Peru. Sánchez alegou fraude eleitoral sem apresentar provas e prometeu liderar um bloco de oposição de esquerda no Congresso.
Protestos contra sua candidatura reuniram centenas de ativistas de esquerda e grupos da sociedade civil em Lima antes do segundo turno. Estão previstas manifestações para coincidir com a posse nesta terça-feira.
A expectativa é que o partido Força Popular, de Fujimori, detenha o maior bloco minoritário em um Congresso fragmentado, que voltou a ter uma estrutura bicameral pela primeira vez em três décadas.
Na votação para eleger a presidência do Congresso, realizada em 26 de julho, a coalizão vencedora garantiu a presidência do Senado, enquanto a oposição conquistou a liderança da Câmara dos Deputados.
Manter o apoio legislativo pode se revelar um desafio.
“Não haverá muito espaço para um período de lua de mel”, disse o analista político peruano e consultor empresarial independente Jeffrey Radzinsky. “Ela precisa conquistar a confiança de um amplo segmento da população que desconfia dela, ao mesmo tempo em que atende às altas expectativas.”
O Peru tem se mantido como uma das economias mais resilientes da América Latina, apesar de anos de turbulência política, impulsionado em grande parte pelas exportações de cobre. O Banco Central elevou recentemente sua previsão de crescimento para 2026 para 3,4%, citando uma demanda interna e investimentos mais fortes.
O crescimento desacelerou drasticamente em maio, com a queda na produção pesqueira e o enfraquecimento das exportações agrícolas, expondo a vulnerabilidade do país a choques relacionados ao clima.
Conteúdo distribuído por Reuters
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