PF faz operação contra sancionados pelos EUA por suposta ligação com PCC
A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (3), uma operação contra pessoas sancionadas nesta semana pelo governo dos Estados Unidos por suposta ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou em entrevista a jornalistas que a corporação antecipou a ação policial após a sanção dos EUA, o que levou a um prejuízo porque os investigados acabaram sendo alertados e um dos alvos está foragido, segundo ele. “Não houvesse a designação, o desfecho seria outro e teríamos localizado a pessoa”, disse Rodrigues. “Então houve, eu vejo, um prejuízo à investigação”, considerou.
Uma fonte a par da investigação detalhou que a representação da PF sobre o caso foi apresentada em março, e a decisão judicial autorizando a operação foi de 2 de junho — portanto, anteriores à designação pelo governo dos EUA do PCC como organização terrorista internacional.
A PF então decidiu antecipar a ação para esta sexta após a publicação pelo governo norte-americano sancionando na quarta-feira os alvos da operação.
A secretária Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, uma das sancionadas pelo governo dos EUA, foi presa pela PF, segundo duas fontes com conhecimento da ação. Victor Henrique de Oliveira Shimada, outro sancionado e também alvo da operação, está foragido, segundo uma dessas fontes.
A defesa de Shimada não respondeu imediatamente a um pedido de comentário após a operação. Em um comunicado na quinta-feira, a defesa negou qualquer envolvimento com organização criminosa ou lavagem de dinheiro. A Reuters não conseguiu contatar imediatamente os representantes de Oliveira.
De acordo com uma das fontes, a operação vinha sendo planejada antes da sanção imposta pelo governo norte-americano, mas teve que ser acelerada após o anúncio das sanções pelo governo do presidente norte-americano, Donald Trump, no dia 1º de julho.
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Essa foi a primeira ação policial do governo brasileiro envolvendo pessoas sancionadas pelos EUA após o governo Trump ter designado, em junho, o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Em nota, sem citar os alvos da operação, batizada de Exchange, a PF disse que o objetivo da ação desta sexta é “desarticular organização criminosa especializada na lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas”.
A corporação disse ainda que os agentes cumprem 13 mandados de busca e apreensão e 11 de prisão temporária, expedidos pela Justiça Federal de São Paulo, nas cidades paulistas de São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana do Parnaíba. “Também foi determinado judicialmente o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados até o montante total de R$10,4 bilhões”, afirmou a PF.
“As investigações prosseguem, e os envolvidos poderão, em tese, ser responsabilizados pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e outros delitos eventualmente identificados no curso da apuração.”
Para Rodrigues, a designação do PCC e do Comando Vermelho como terroristas não mudará a forma de atuação da corporação. Ele defendeu que os EUA colaborem mais com o Brasil no avanço de bloqueio de bens, de ativos e da repatriação de indivíduos ligados a organizações criminosas.
Conteúdo distribuído por Reuters
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