Saiba quem são os 15 primeiros indiciados pela PF sob suspeita de crimes no Banco Master
A Polícia Federal concluiu o primeiro inquérito sobre suspeitas relacionadas ao Banco Master e indiciou Daniel Vorcaro e outras 14 pessoas por suspeitas de crimes financeiros na venda de carteiras de crédito ao BRB (Banco de Brasília). Entre os indiciados estão Paulo Henrique Costa (ex-presidente do BRB) e Augusto Lima (ex-sócio de Vorcaro).

Veja quem são os indiciados e qual o papel atribuído pela PF a cada um deles no esquema.
Daniel Bueno Vorcaro
Ex-banqueiro e dono do Banco Master, Daniel Vorcaro é apontado pela PF como líder do esquema. Ele estaria à frente da definição das diretrizes gerais das operações, da articulação institucional entre Banco Master e BRB, da coordenação estratégica dos demais núcleos do esquema e outros.
Vorcaro está preso desde março de 2026 no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
Em nota, a defesa de Vorcaro diz que o relatório de indiciamento foi “açodado e afoito” e “antecipa conclusões que a própria investigação admite ainda não ter alcançado”.
Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa
Ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa é apontado como integrante do núcleo estratégico e decisório do esquema, junto a Vorcaro. Também teriam passado por ele definições de diretrizes, articulação e coordenação de outras frentes da operação.
Preso em abril deste ano, ele comandou o banco público de janeiro de 2019 a novembro de 2025, indicado ao cargo pelo então governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB).
Sobre o indiciamento, o advogado de Paulo Henrique, Davi Tangerino, diz que “o trabalho policial submeteu os fatos às hipóteses acusatórias, quando deveria fazer o inverso”.
“As conversas em aplicativos de mensageria nos celulares dos integrantes do ambiente Master mostram às escâncaras que Paulo Henrique não tinha conhecimento das fraudes nas carteiras. As testemunhas, sejam as ligadas ao BRB, sejam ao Master, são convergentes nesse tema. Também foram ignorados todos os documentos carreados aos autos, inclusive por autoridades públicas, como o Banco Central”, diz a defesa.
Augusto Ferreira Lima
Ex-sócio de Vorcaro, Augusto Lima faria parte do núcleo executivo-financeiro das operações, segundo a PF. O executivo era dono do Banco Pleno (ex-Voiter), que pertenceu ao conglomerado do Master. O BC liquidou a instituição em fevereiro deste ano.
Lima chegou a ser preso na Operação Compliance Zero, junto com Vorcaro e outros executivos do Master, em novembro do ano passado. A defesa de Lima afirmou que “rechaça integralmente a conclusão do relatório parcial” e que os documentos e esclarecimentos apresentados mostram que ele “não participou, direta ou indiretamente, da fraude mencionada”.
Em outras ocasiões, os advogados de Lima afirmaram que as operações investigadas são posteriores à saída do empresário do Master, ocorrida em maio de 2024, “e não possuem qualquer relação com sua atuação profissional ou com decisões tomadas durante sua permanência na instituição”.
Angelo Antônio Ribeiro da Silva
Diretor do Banco Master, Angelo Silva também integraria o núcleo executivo-financeiro do esquema conforme a PF. Ele chegou a ser preso nas operações que investigam a atuação do banco.
Durante as investigações, a PF apontou Silva como signatário de diversos instrumentos entre o banco e a Tirreno, empresa que as investigações da PF apontam ser de fachada.
Em nota enviada à reportagem, a advogada Joyce Roysen, responsável pela defesa de Angelo Silva, afirma que o ex-diretor do Master “nega qualquer participação nos fatos investigados” e prestou “todos os esclarecimentos solicitados pelas autoridades competentes, permanecendo à disposição para colaborar com o que for necessário.”
Luiz Antonio Bull
Diretor de contabilidade do Banco Master, Luiz Antonio Bull também é apontado como parte do núcleo executivo-financeiro. Ele chegou a ser preso em novembro de 2025, na primeira fase da operação Compliance Zero.
Ao longo das investigações, a PF apontou que ele assinou diversos instrumentos entre o banco e a Tirreno, assim como ofícios encaminhados aos órgãos de controle sobre as operações.
Após depoimento à PF em janeiro deste ano, a defesa de Bull disse a jornalistas que ele sempre esteve e continuaria à disposição das autoridades.
Alberto Félix de Oliveira Neto
Superintendente de tesouraria do Banco Master, Alberto Oliveira Neto também é apontado como parte do núcleo executivo-financeiro do esquema. Ele foi signatário do contrato de parceria entre o banco e a Tirreno.
Em depoimento à PF em janeiro deste ano, o ex-funcionário do Master manteve silêncio durante a audiência e fez apenas uma declaração para afirmar que não tinha poder de deliberação no banco, e apenas cumpria ordens.
Procurada por email às 21h30 desta quarta-feira (28) e às 14h30 desta quinta (29), a defesa de Alberto Félix não respondeu aos contatos da reportagem.
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Allan da Silva Machado
Gerente de operações bancárias do Banco Master, Allan Machado é apontado pela PF como o único integrante do núcleo operacional e de formação documental do esquema. Ele seria responsável por importar dados, formar carteiras destinadas ao BRB e coordenar a geração de CCBs, procurações e termos de assinatura.
Machado, segundo a PF, coordenou a montagem das carteiras envolvidas no esquema e a posterior produção dos lastros atribuídos à Tirreno. A defesa de Allan Machado não foi localizada até a publicação desta reportagem.
Henrique Souza e Silva Peretto
Proprietário formal e responsável pela empresa Tirreno, Henrique Peretto é apontado pela PF como parte do núcleo de interposição empresarial do esquema. Peretto foi responsável por aumentar o capital social da empresa, que saiu de R$ 100 para R$ 30 milhões.
Procurada por email às 21h30 desta quarta-feira (28) e às 14h30 desta quinta, a defesa de Henrique Peretto não respondeu aos contatos da reportagem.
André Felipe de Oliveira Seixas Maia
Ex-funcionário do Master e diretor da Tirreno. Ele é apontado como integrante do núcleo de interposição empresarial do esquema.
A perícia aponta que a Tirreno é oriunda de uma empresa de prateleira e não tinha estrutura, empregados nem patrimônio. O Master adquiriu créditos de dívidas da Tirreno “sem realizar qualquer pagamento” e os revendeu ao BRB.
Procurada por email às 21h30 desta quarta-feira (28) e às 14h30 desta quinta, a defesa de André Maia não respondeu aos contatos da reportagem.
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