ALMG debate impactos da privatização da Copasa sobre trabalhadores nesta sexta-feira
As condições dos trabalhadores da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) após a privatização serão debatidas em uma audiência pública da Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social, nesta sexta-feira (3), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Solicitado pelo presidente da comissão, o deputado Betão (PT), o encontro também vai discutir a escala de trabalho e a transferência de três mil colaboradores da empresa para diferentes unidades no Estado.
Segundo a ALMG, menos de um mês após a conclusão do processo de privatização da Copasa, ocorrido no último dia 16, na Bolsa de Valores de São Paulo (B3), a empresa anunciou a transferência compulsória de mais de três mil trabalhadores. Betão considerou “absurda e inaceitável” a medida, por ser tomada sem transparência, sem diálogo e sem apresentar critérios que justifiquem a decisão.
“A empresa coloca em risco a vida de centenas de famílias, impondo mudanças bruscas de cidade, aumento de despesas e impactos profundos na rotina e nas condições de trabalho. Não podemos aceitar que quem dedica a vida à prestação de um serviço essencial seja tratado dessa forma”, completou.
O parlamentar afirma que protocolou um requerimento exigindo a suspensão imediata das transferências e a apresentação dos estudos e fundamentos que embasaram a medida. “Vamos cobrar explicações, defender os direitos da classe trabalhadora e buscar reverter esse grave ataque; seguimos firmes na defesa da dignidade do trabalho, do serviço público e do patrimônio do povo mineiro”, conclui.
Representantes da empresa, sindicatos e órgãos públicos são convidados para a audiência
Conforme a ALMG, foram convidados para a audiência desta sexta-feira (3) a diretora-presidente da Copasa, Marília Carvalho de Melo; o superintendente regional do Trabalho e Emprego em Minas Gerais, Carlos Alberto Calazans; os presidentes dos Sindicatos de Engenheiros em Minas Gerais, Murilo de Campos Valadares, e dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos de Minas Gerais, Milton Luiz Costa.
Confirmaram presença, até o momento, o presidente do Sindicato dos Administradores no Estado de Minas Gerais, Mauricio Pereira de Jesus; e a coordenadora do Fórum Sindical e Popular de Saúde e Segurança do Trabalhador, Marta de Freitas.
Privatização mudou o controle da companhia
O processo de privatização da Copasa foi concluído no último dia 16, em uma cerimônia na B3 em São Paulo. O governo de Minas entregou as ações à empresa ganhadora, a Equatorial, que pagou R$ 8,38 bilhões ao Estado.
A Equatorial passou a ser a maior acionista da Copasa, com 30% do capital total ou 114.075.921 ações, correspondente a 66,67% da oferta (R$ 5,59 bilhões). O Estado, que tinha 50,03% do capital social da empresa, agora tem 5,03%, mas fica também com a chamada “golden share”. Essa é uma ação preferencial de classe especial que confere ao governo de Minas poder de veto sobre assuntos estratégicos, como alteração de denominação e de sede da companhia.
Outra acionista da Copasa, a Perfin ampliou o volume de ações de 15,25% para 20,11%. Investidores institucionais ficaram com 10,5% do capital da empresa, em volume financeiro de R$ 1,96 bilhão. Investidores do varejo passaram a deter 4,5% do capital social, com movimentação de R$ 838,9 milhões.
Copasa afirma manter diálogo com trabalhadores e Legislativo
Procurada pela reportagem do Diário do Comércio para comentar sobre as pautas da audiência pública na Assembleia, a Copasa informou que mantém um canal de diálogo constante, transparente e respeitoso tanto com as entidades representativas dos trabalhadores quanto com o Poder Legislativo.
A Companhia disse ainda que “todas as suas decisões administrativas, planejamentos operacionais e movimentações internas são conduzidos com estrito cumprimento da legislação trabalhista e dos acordos coletivos vigentes, assegurando total segurança jurídica e respeito ao seu corpo funcional”.
No que se refere à desestatização, a Companhia reitera que “o processo de transição administrativa com o novo controlador ocorre de forma gradual e planejada, com foco absoluto na eficiência, na continuidade e na qualidade dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário prestados à população mineira”, finaliza a Copasa.
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