Consulta digital permite checar dono do imóvel antes da compra

Plataforma RI Digital permite checar restrições e titularidade de imóveis antes da negociação; Minas é o terceiro estado que mais usa o serviço

Antes de levar um cliente para visitar um imóvel ou avançar em determinada proposta, imobiliárias e administradoras de Minas Gerais têm recorrido cada vez mais à consulta prévia feita pela internet. A RI Digital, plataforma do Operador Nacional do Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis (ONR), analisa a matrícula e verifica se o bem tem alguma restrição, se está de fato em nome de quem o oferece e se a documentação está regularizada.

No primeiro semestre de 2026, Minas Gerais contabilizou mais de 1,3 milhão de solicitações pela ferramenta, um avanço de 12,9% frente ao ano anterior. O Estado é o terceiro em usuários do País, atrás apenas de São Paulo e Paraná. No Brasil, foram 12 milhões de pedidos no período, crescimento de 15,8% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.

Para a conselheira jurídica da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato da Habitação de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG), Letícia Madureira, a ferramenta mudou a rotina do setor. Segundo ela, a grande maioria das administradoras de imóveis já incorporou o RI Digital, que facilita o acesso às informações e permite que a imobiliária concentre energia nos negócios com mais segurança jurídica.

“Agiliza muito o processo, o custo é acessível e pode ser pago no cartão. Além disso, é uma ferramenta de alcance nacional, permitindo que o cliente pesquise imóveis em qualquer estado do Brasil”, avalia a conselheira.

Além da praticidade no momento da consulta, a ferramenta também amplia possibilidades durante a negociação de um imóvel. Segundo Letícia Madureira, o corretor passa a ter “uma carta na manga” para ganhar pontos com o cliente. A RI Digital ainda permite monitorar alterações na matrícula e verificar a legitimidade de quem se apresenta como proprietário.

Entre as funcionalidades disponíveis na plataforma estão a emissão de certidões digitais, consulta de matrículas, pesquisas patrimoniais, monitoramento registral e o envio eletrônico de títulos para registro pelo e-Protocolo. A busca permite ainda identificar em qual cartório um imóvel está registrado, mesmo sem a matrícula ou a escritura.

Combate à fraude

Para a conselheira, o uso da RI Digital deveria ser prática obrigatória em todas as imobiliárias, especialmente em um mercado com alto volume de fraudes. “Diante do volume de fraudes no ambiente digital, a ferramenta oferece uma certidão com validade jurídica, que permite identificar documentos falsificados. A autenticidade pode ser conferida no Registro de Imóveis Digital (RI Digital), trazendo mais segurança e confiabilidade ao processo”, argumenta.

A especialista ressalta, no entanto, que a consulta prévia não substitui a diligência completa. “Continua sendo importante buscar no cartório a certidão de ônus e reunir toda a documentação de due diligence, incluindo a verificação de dívidas fiscais, trabalhistas e cíveis, para que comprador e vendedor compreendam os riscos”, salienta.

Sobre o autor

Leonardo Morais

Repórter de economia e negócios do Diário do Comércio, com experiência em jornalismo digital e produção multimídia. Graduado pela PUC Minas, foi premiado com o 2º lugar no Prêmio Sebrae de Jornalismo, Fotojornalismo (2024).