31ª CASACOR Minas: 42 mil visitantes e legado para a Capital
A 31ª CASACOR Minas encerrou sua temporada de 2026 com resultados que ultrapassam os números de visitação e reforçam a importância da mostra para a arquitetura, o design, a cultura e a dinâmica urbana de Belo Horizonte. Realizada entre 15 de agosto e 6 de outubro, na histórica sede da PUC Minas Lourdes, a edição recebeu mais de 42 mil visitantes, reuniu 58 profissionais em 40 ambientes e instalações e contou com a participação direta de mais de 130 empresas. Ao longo de sua realização, o evento também se consolidou como um espaço de intensa programação cultural, abrigando mais de 270 atividades, entre encontros, eventos e mais de 60 palestras e conversas com profissionais de diferentes áreas de atuação, consolidando-se como uma importante plataforma de conteúdo.
Mais do que apresentar tendências e soluções para o morar contemporâneo, a edição de 2026 estabeleceu uma relação muito particular com a cidade ao ocupar um dos edifícios mais representativos de sua história arquitetônica. Construído em 1941, com projeto de Raffaello Berti, o imóvel de características art déco, localizado no Circuito Liberdade, ganhou novas possibilidades de uso e interpretação a partir das intervenções propostas pelos profissionais participantes.
Legado
Ao encerrar sua passagem pela histórica sede da PUC Minas Lourdes, a 31ª CASACOR Minas deixa um importante conjunto de melhorias e intervenções que ultrapassam o período de realização da mostra, contribuindo para a preservação do patrimônio arquitetônico e a valorização dos espaços da universidade. As ações contemplam desde a recuperação de elementos originais da edificação até a implantação de novos ambientes e estruturas que serão incorporados permanentemente ao cotidiano acadêmico.
Entre as benfeitorias realizadas, estão a restauração de 793 m² de pisos originais de madeira, a recuperação de 780 m² de pisos de granilite nos corredores e a requalificação de 295 m² de pavimentação externa. As intervenções também incluem a restauração de escadas de concreto, janelas, esquadrias e vidros, além da recomposição dos rodapés de pedra, sempre respeitando as características arquitetônicas originais do edifício.

Outro destaque é a recuperação da Capela, cuja fachada recebeu uma nova pintura após um estudo de prospecção cromática que permitiu identificar sua tonalidade original. O trabalho de valorização do patrimônio contempla ainda a limpeza e a nova iluminação das fachadas art déco, com projeto da light designer Mariana Novais, da Atiaîa Lighting Design, em parceria com a Interlight.

O conjunto de melhorias inclui também projetos concebidos para a mostra que passarão a integrar definitivamente a estrutura da universidade. Entre eles estão o Foyer PUC Minas, assinado por Camila Vilela e Bárbara Pazzini; os quatro banheiros públicos, projetados por Francisco Morais, da Framo Arquitetura; e o Pavilhão Oca ArcelorMittal, desenvolvido pela BCMF Arquitetos, que será destinado a atividades acadêmicas, culturais e de convivência. Somam-se a essas estruturas o Auditório CAU/MG + PUC Minas e a Instalação Rizoma, de Antônio Grillo e André Gibram, ambos criados para a 30ª edição da mostra e incorporados ao patrimônio da instituição.

Mais do que preparar a edificação para receber a mostra, essas intervenções reafirmam o compromisso da CASACOR Minas com a preservação e a valorização do patrimônio arquitetônico de Belo Horizonte. Ao conciliar a recuperação de elementos históricos com a criação de novos espaços de uso permanente, a mostra contribui para a conservação do edifício e amplia suas possibilidades de utilização pela comunidade acadêmica, deixando contribuições que permanecem muito além do encerramento do evento.
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