Plataforma mineira gratuita da UFMG amplia divulgação de dados estratégicos para empresários e governantes

Ferramenta desenvolvida em Minas Gerais terá novos indicadores sobre ciência e tecnologia e ocupações; atualização também prevê inteligência artificial e painéis temáticos
Plataforma mineira gratuita da UFMG amplia divulgação de dados estratégicos para empresários e governantes
Foto: Divulgação UFMG | Gabriel Lisboa

O DataViva, plataforma desenvolvida em Minas Gerais para analisar as características econômicas de municípios e regiões, está em processo de atualização do Diagnóstico de Desenvolvimento Regional. A nova versão prevê a incorporação de indicadores sobre ciência e tecnologia e ocupações, além de uma interface renovada e recursos de inteligência artificial.

Vinculada à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a ferramenta tem características semelhantes às de apenas outras duas plataformas ligadas a grandes instituições de ensino e pesquisa no mundo: as universidades de Harvard, nos Estados Unidos, e Toulouse, na França.

Conforme a universidade, a atualização busca ampliar a capacidade de identificar as características produtivas de cada território e as possibilidades de desenvolvimento e diversificação econômica associadas a elas. A ferramenta reúne dados sobre emprego, salários, comércio exterior, meio ambiente e ciência e tecnologia, que podem ser consultados em diferentes escalas territoriais.

A plataforma permite analisar, por exemplo, quais atividades econômicas apresentam potencial de crescimento em determinada região, quais conhecimentos e capacidades já estão presentes no território e quais setores podem representar oportunidades de diversificação. As informações também podem subsidiar decisões empresariais e a formulação de políticas públicas.

Diagnóstico regional ganha novos indicadores

A nova versão do Diagnóstico de Desenvolvimento Regional está sendo desenvolvida pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar), da UFMG. Entre as novidades estão a inclusão de informações sobre ciência e tecnologia e sobre as ocupações existentes nas diferentes regiões.

Segundo o professor do Cedeplar e integrante da equipe do DataViva, João Romero, a ampliação da base de informações busca aprofundar a compreensão das características de cada território e das possibilidades de desenvolvimento econômico associadas a elas. “Os indicadores são como um GPS: apontam a direção da atenção”, explica Romero.

O pesquisador ressalta, no entanto, que os dados não devem ser utilizados isoladamente na formulação de políticas públicas ou na definição de estratégias de desenvolvimento. “O DataViva oferece uma base importante para políticas orientadas por evidências, mas as informações precisam ser complementadas por outras análises antes da definição e da implementação das ações”, reforça.

A atualização também prevê uma interface renovada para o diagnóstico regional e a criação de painéis temáticos sobre transformações ecológicas, desigualdades e Cadastro Ambiental Rural. O uso de inteligência artificial deverá facilitar a exploração e a análise de grandes conjuntos de informações.

Complexidade econômica

Um dos recursos já consolidados do DataViva é o índice de complexidade econômica, que mede o grau de sofisticação da produção de determinado bem ou atividade. O indicador permite estimar, de forma indireta, os conhecimentos e as capacidades necessários para desenvolver uma atividade econômica.

Na prática, a análise ajuda a identificar setores que podem ser explorados a partir das competências já existentes em uma região. Também permite avaliar quais atividades podem representar oportunidades de diversificação, considerando a estrutura produtiva e os conhecimentos disponíveis em cada território.

Os dados são apresentados por meio de mapas, gráficos e recursos interativos. A proposta é facilitar a análise dos indicadores e permitir que usuários sem conhecimento especializado em estatística ou análise de dados consigam explorar as informações.

Para o professor do Cedeplar e coordenador da equipe do DataViva, Gustavo Britto, a combinação entre pesquisa acadêmica e aplicação prática é um dos diferenciais da ferramenta.“A ferramenta está vinculada a um ambiente universitário e, por isso, consegue incorporar com maior agilidade avanços metodológicos da pesquisa sobre desenvolvimento econômico”, afirma.

Plataforma foi criada em Minas Gerais

O DataViva foi lançado no início da década passada, por iniciativa do governo de Minas Gerais, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). Desde 2022, a plataforma é gerida pelo Cedeplar, por meio de instrumento de cooperação.

Entre os usuários estão órgãos públicos e entidades como o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, especialmente em atividades relacionadas às políticas industrial e de comércio exterior, além do Ministério do Desenvolvimento Regional e do Sebrae.

Sobre o autor

Ana Luisa Sales

Repórter do Diário do Comércio desde 2025, graduada em jornalismo pela UFMG e especialista em ESG e sustentabilidade corporativa pela FGV.


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