A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) firmou, nesta sexta-feira (30), um acordo de exclusividade de dez dias com a chinesa Huaxin Building Materials Group para avançar na assinatura dos documentos definitivos de venda da CSN Cimentos. A operação considera um valor de empresa de R$ 12,7 bilhões, segundo fato relevante divulgado pelo grupo.
Foto: Reprodução / Site CSN Cimentos Brasil
Segundo a CSN, a Huaxin apresentou a proposta mais vantajosa para adquirir a divisão de cimentos, no âmbito do processo competitivo iniciado em março de 2026. A companhia informou ainda que manterá investidores e o mercado atualizados sobre os próximos desdobramentos da negociação.
Em 20 de outubro, a CSN informou que as negociações para a venda da subsidiária estavam em fase final e descartou a possibilidade de realizar uma oferta pública inicial de ações (IPO) como alternativa à alienação. Diante desse cenário, analistas de mercado já esperavam a formalização de um acordo de exclusividade nos dias seguintes.
Conforme o Diário do Comércio mostrou, a expectativa do mercado é que a venda da CSN Cimentos traga alívio à CSN. O analista da Genial Investimentos, Luca Vello, avalia que a alienação é positiva principalmente por permitir a desalavancagem da companhia. Segundo ele, metade do valor da transação seria destinada à quitação de um empréstimo-ponte de US$ 1,2 bilhão, garantido pelos ativos.
CSN Cimentos tem participação de 20% no mercado brasileiro
Segundo o analista, a divisão de cimentos tem capacidade instalada de 17 milhões de toneladas por ano, participação de aproximadamente 20% do mercado brasileiro e respondeu por 13% do Ebitda da CSN nos 12 meses encerrados no segundo trimestre de 2026.
Relatórios da CSN apontam que a CSN Cimentos possui sete fábricas integradas, entre elas as unidades de Arcos, Barroso, Pedro Leopoldo e Montes Claros, em Minas Gerais. A estrutura inclui ainda seis unidades de moagem e 23 centros de distribuição no Brasil. Em 2025, a subsidiária vendeu 13,4 milhões de toneladas de cimento, registrou receita líquida recorde de R$ 4,9 bilhões e Ebitda ajustado de R$ 1,3 bilhão, com margem de 26,3%.
A venda da divisão de cimentos integra a estratégia da CSN para reduzir o endividamento e reorganizar sua estrutura de capital. O plano prevê a alienação de ativos para promover uma desalavancagem entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões, permitindo que o grupo concentre suas operações nos segmentos considerados mais rentáveis, com maior potencial de crescimento e sinergias.
“As alienações fazem parte de uma estratégia da administração que pretende alcançar o potencial de, em até oito anos, dobrar o Ebitda da CSN e atingir uma alavancagem sustentável em torno de 1x a sua relação dívida líquida/Ebitda”, informou a CSN em janeiro.
Huaxin e consórcio disputaram a aquisição da CSN Cimentos
Informações de mercado não confirmadas oficialmente indicam que a CSN pretendia inicialmente obter R$ 15 bilhões com a venda da divisão de cimentos, mas teria recebido propostas inferiores. Segundo esses relatos, a disputa final ficou entre a chinesa Huaxin e um consórcio formado pela brasileira Votorantim e pela italiana Cementir.
À reportagem, o analista da Genial Investimentos destacou que a identidade do comprador tem peso relevante no mercado de cimento, marcado pela concentração. Segundo ele, as cinco maiores produtoras respondem por aproximadamente 80% do mercado brasileiro.
Vello avalia que a escolha da Huaxin, presente no Brasil desde 2025 por meio da Embu, faria a companhia alcançar a segunda posição entre as maiores produtoras de cimento do País, sem sobreposição relevante de operações. Já a aquisição pelo consórcio formado por Votorantim e Cementir reuniria empresas com posições de liderança no mercado, o que poderia exigir medidas do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e tornar a análise concorrencial mais demorada.
Repórter do Diário do Comércio desde 2022. Jornalista pela Una, eleito entre os 100 mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças (2024) e 3º lugar no Prêmio Riquezas dos Vales (2025)
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