Drones aceleram obras e reduzem em até 80% o tempo de levantamentos na construção civil

Tecnologia permite antecipar problemas, reduzir custos e aumentar a segurança em diferentes etapas dos empreendimentos
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Drones aceleram obras e reduzem em até 80% o tempo de levantamentos na construção civil
Foto: Divulgação Emccamp

Cada vez mais, em Minas Gerais, o uso de drones na construção civil tem reduzido prazos e ampliado a precisão de levantamentos e inspeções. Isso porque, grandes empresas do setor, como Emccamp Residencial, Direcional e EPO Engenharia têm utilizado a ferramenta para diversas funcionalidades, como levantamentos topográficos, mapeamento de terrenos e produção de materiais de comunicação alinhados à experiência de venda.

Com isso, as empresas colhem de diferentes formas o retorno sobre os investimentos. Na Direcional, a tecnologia diminuiu em cerca de 80% o tempo necessário para levantamentos topográficos. Já a Emccamp Residencial estima economizar R$ 12,5 mil em um mapeamento de terreno no Rio de Janeiro, ao substituir a contratação de um serviço de topografia.

Além da produtividade, os equipamentos contribuem para antecipar problemas que poderiam gerar retrabalho e elevar os custos das obras. As imagens aéreas permitem identificar desníveis, calcular volumes de movimentação de terra, conferir a execução de projetos e inspecionar estruturas de difícil acesso.

Segundo o coordenador de Infraestrutura da Direcional, Leonardo Costa, a estratégia para utilizar os drones começou com a necessidade de agilizar as análises topográficas de terrenos. Ele explica que um serviço convencional pode levar cerca de uma semana, considerando deslocamento da equipe, trabalho em campo e processamento dos dados.

Com o drone, o voo dura de 15 a 30 minutos e os resultados podem ser obtidos em aproximadamente duas horas, dependendo do tamanho da área. Dessa forma, a agilidade do procedimento contribui diretamente para a economia com uma operação que, antes, envolvia dias de trabalho de equipes, além dos gastos com logística.

A tecnologia permite avaliar terrenos antes da aquisição e identificar características que influenciam a viabilidade dos empreendimentos. “Hoje conseguimos identificar desníveis, estimar volumes de corte e aterro, verificar pontos de drenagem e conferir os limites das matrículas”, comenta Costa.

Prevenção de falhas e segurança

Na Emccamp Residencial, os drones integram o projeto AeroVision e auxiliam na comparação entre a execução das obras e os projetos de engenharia. A sobreposição de imagens aéreas corrigidas, chamadas de ortofotos, permite identificar divergências antes que as correções exijam intervenções mais complexas.

A tecnologia também é empregada em inspeções de fachadas e telhados. Com câmeras termográficas, a empresa consegue identificar fissuras, infiltrações e outras falhas que poderiam passar despercebidas em vistorias convencionais. Entre os problemas identificados estão calhas soltas, falhas na calafetação de esquadrias e estacas deslocadas do eixo.

A substituição de inspeções presenciais também reduz a exposição dos trabalhadores a situações de risco, como acesso a telhados, fachadas e taludes. O engenheiro responsável pelo projeto AeroVision, Rodrigo Rattes, ressalta que o drone permite verificar telhas quebradas e instalações danificadas sem que um profissional precise subir na cobertura.

A Emccamp já utilizou a tecnologia em 43 locais, sendo 16 obras e 27 novos terrenos. Entre os próximos usos previstos estão a conferência do prumo de edificações e a automação de processos por inteligência artificial.

Gestão e comercialização

Ao mesmo tempo, a EPO Engenharia também vê potencial na utilização de drones, mas neste caso, de uma forma mais comercial. A empresa utiliza a ferramenta há cerca de seis a sete anos, quando percebeu a necessidade de captação de imagens para monitoramento remoto de compradores e profissionais responsáveis pelas obras.

Dessa forma, os registros permitem que gestores e engenheiros acompanhem a execução mesmo quando não estão presentes nos canteiros. As imagens também são utilizadas nas reuniões mensais de engenharia para compartilhar informações e identificar pontos que exigem correção.

“Você consegue ver de cima, você consegue ver uma fachada mais alta, numa visão mais ampla”, esclarece a gerente de Marketing e Relacionamento com Cliente da EPO, Renata Innecco.

A empresa também utiliza os equipamentos na avaliação de terrenos e na elaboração de projeções tridimensionais dos empreendimentos. Na comercialização, as imagens ajudam a apresentar aos compradores as vistas que poderão ter de ambientes como salas e suítes.

A EPO terceiriza a captação das imagens e mantém contrato fixo com um profissional especializado. Embora não tenha mensurado os ganhos financeiros, Renata Innecco afirma que a antecipação de problemas pode evitar deslocamentos e retrabalhos.

Sobre o autor

Ana Luisa Sales

Repórter do Diário do Comércio desde 2025, graduada em jornalismo pela UFMG e especialista em ESG e sustentabilidade corporativa pela FGV.