Roscoe: queremos que startups desenvolvam soluções que aumentem a produtividade e a competitividade das indústrias - Crédito: Sebastião Jacinto Júnior

Um grande evento de celebração à inovação marcou a abertura oficial do programa Fiemg Lab 4.0, na última quarta-feira, no Teatro Sesiminas, na região Leste da Capital. Essa é a primeira edição do programa nessa nova versão, que vai focar em soluções voltadas para a indústria e acelerar 50 startups. Durante a inauguração, representantes das quatro indústrias madrinhas – Cemig, RHI Magnesita, Gerdau e Vale – falaram sobre suas expectativas e a importância da inovação aberta para o setor industrial. Juntas, elas aportarão R$ 1,4 milhão nas startups nos próximos 12 meses.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, afirma que o novo DNA do Fiemg Lab traz o foco da inovação para a indústria.

“Queremos que startups desenvolvam soluções que aumentem a produtividade e a competitividade das nossas indústrias. As startups, por outro lado, ganham acesso a empresas de grandes porte e crescem mais rápido. Vamos juntar esses dois mundos e gerar desenvolvimento para o Estado”, afirmou.

O programa selecionou 49 empresas de oito estados brasileiros, além de uma empresa da Carolina do Norte, nos Estados Unidos. Desse total, 50% são de Minas Gerais. As empresas desenvolvem soluções para diferentes setores e atuam com tecnologias como big data, internet das coisas, computação em nuvem e biotecnologia. De acordo com a gestora do programa, Mariana Yasbeck, as empresas são aceleradas durante um ano e, nesse tempo, apresentam ao menos uma prova de conceito de aplicação da solução.

O investimento de R$ 1,4 milhão será acessado gradativamente pelas startups, na medida em que avançam pelas fases no programa. Desse montante, R$ 240 mil serão destinados a um fundo para a realização de provas de conceito renumeradas. Essas provas serão propostas pelas indústrias madrinhas e apenas algumas startups irão realizá-las.

O vice-presidente comercial siderurgia para a América do Sul da RHI Magnesita, Celso Freitas, adiantou que as provas de conceito propostas pela empresa envolverão os temas energia e cadeia de suprimentos.

“Temos uma cadeia logística complexa e precisamos de mais eficiência. Além disso, trabalhamos com fabricação em altas temperaturas e estamos em busca de soluções para reduzir o custo de energia na produção”, diz.

Ele afirma que a proposta do Fiemg Lab chegou no momento certo, justamente quando a empresa se movimentava rumo à inovação aberta.

“Começamos algumas iniciativas de procurar startups, mas o Fiemg Lab nos chamou a atenção porque facilitaria esse trabalho de seleção e com o know hall da indústria. Já tem sido muito interessante participar do projeto, inclusive, para engajar o nosso time que precisa passar por essa mudança de cultura”, destacou.

Já o gerente-geral industrial da Gerdau, Maurício Metz, afirmou que a empresa vai lançar desafios às startups em relação à evolução de produtividade em floresta e à segurança dos trabalhadores na movimentação de panelas de aço líquido. Essa é a segunda vez que a empresa participa do Fiemg Lab e a experiência positiva na primeira edição motivou o retorno.

“Tínhamos demandas históricas que foram resolvidas de forma muito mais ágil por startups. Se tivéssemos recorrido ao formato tradicional de parcerias teríamos nos deparado com soluções muito mais caras e demoradas”, diz.

Cultura – O gerente executivo de inovação da Vale, Hélio Mosquim, afirmou que a participação no programa é importante não apenas para a implantação de novas tecnologias, mas para o desenvolvimento da cultura de inovação na empresa.

“As startups nos ensinam sobre essa forma ágil de trabalhar com foco na resolução de problemas. Além disso, há uma sinergia entre as empresas madrinhas e compartilhar cases é uma forma de acelerar a inovação também”, disse.

O gerente de inovação tecnológica e alternativas energéticas da Cemig, Frederico Ribas, afirmou que o grande diferencial que atraiu a empresa para o programa foi o seu “selo de b2b”.

“O fato de ser um programa focado em soluções para indústria pesada com foco em Minas Gerais foi o grande atrativo”, disse.

Ele também destacou que esse processo de desenvolvimento da “cultura startup” acontece aos poucos, na medida em que a empresa evolui de uma agenda exclusivamente voltada para a pesquisa e inovação e adere a iniciativas de inovação mais ágeis.