EXCLUSIVO: Forno de Minas lança linha de queijos e mira expansão nacional
Pioneira em levar o legítimo pão de queijo pelo Brasil e pelo mundo conforme ele é produzido em Minas Gerais, através da técnica do congelamento, há quase 30 anos, a Forno de Minas verticalizou a sua cadeia produtiva e produz o próprio queijo, usado em suas receitas. Agora, a empresa que tem sede e planta produtiva em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), lança a sua primeira linha de queijos para o varejo.
São três tipos – Minas Padrão, Gouda e Parmesão – que chegam primeiro à RMBH. De acordo com o diretor geral da Forno de Minas, Rodrigo Abreu, a iniciativa vem para atender à demanda de um mercado de queijos finos que vem crescendo e complementa a oferta de produtos da marca.
“Há quase três décadas, passamos a produzir o nosso próprio queijo em busca de padronização. Até hoje, as fábricas de pão de queijo sofrem porque mesmo comprando do mesmo produtor, o sabor do pão de queijo varia muito por causa da falta de padrão do principal insumo que é o queijo. E isso faz com que o consumidor troque de marca com frequência. E nós não queríamos viver nesse ciclo. Compramos alguns laticínios em Conceição do Pará (região Centro-Oeste de Minas) e começamos a produzir queijos. Com o tempo, as pessoas que visitavam o laticínio começaram a perguntar se vendíamos. Esse nunca foi o nosso objetivo, mas começamos a perceber uma boa oportunidade de negócios”, explica Abreu.
O laticínio da Forno de Minas processa hoje cerca de 5 milhões de litros de leite por mês. É uma operação verticalizada, com o controle desde a captação do leite, comprado diretamente de produtores cadastrados e homologados pelo controle de qualidade da empresa, até o produto final.
A escolha da Região Metropolitana para o lançamento segue requisitos logísticos, mercadológicos e afetivos. Conhecida como praça-teste de diferentes produtos e serviços, Belo Horizonte tem o poder de chancelar a operação que está prevista para se estender pelo Brasil no prazo de seis meses a um ano. A ideia é usar a resposta do mercado para calibrar portfólio, sabores, embalagens, pontos de venda e logística antes de começar a expansão nacional.

“Diferentemente do pão de queijo que é congelado, o queijo é apenas resfriado, então é uma outra cadeia logística, não podemos, sequer, compartilhar o mesmo caminhão. Então vamos começar perto de casa para fazer os testes necessários e, além do mais, o mineiro é um público exigente e que entende do produto. Então, se agradarmos aqui, a chance de sucesso no resto do País é muito grande”, observa.
O projeto também nasce com uma distribuição pensada para diferentes perfis de varejo. A estratégia contempla grandes redes de supermercados e atacarejos em Minas Gerais, supermercados regionais e de vizinhança, além de padarias, empórios, casas de queijos e delicatessens.
A chegada da Forno de Minas ao segmento acontece em um momento de expansão da categoria. Segundo a Euromonitor, o mercado brasileiro de queijos avançou tanto em valor quanto em volume em 2025 e apresenta perspectiva de crescimento anual de dois dígitos em valor nos próximos anos. A consultoria aponta ainda que categorias como queijos macios e duros estão entre as que devem sustentar esse movimento, impulsionadas pela maior variedade de produtos e por mudanças nos hábitos de consumo.
Em dezembro de 2024, os “Modos de Fazer o Queijo Minas Artesanal” foram incluídos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Trata-se do primeiro bem cultural brasileiro associado à cultura alimentar a receber esse reconhecimento.
Tudo isso, no estado líder nacional na produção e aquisição de leite. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que os estabelecimentos sob inspeção sanitária captaram 27,51 bilhões de litros de leite no Brasil em 2025, recorde da série histórica. Minas Gerais respondeu por 23,9% desse volume, mantendo a primeira posição entre os estados.
“Para atender à crescente demanda por pão de queijo dentro e fora do Brasil, avançamos com o laticínio e sempre que isso acontece existe uma rampa de crescimento, ou seja, o aumento da capacidade produtiva é sempre maior do que a necessidade imediata, então existe um grau de ociosidade nos primeiros tempos. E é essa rampa que estamos aproveitando para produzir o queijo que vamos apresentar ao mercado. E assim já começamos a planejar o próximo ciclo de crescimento da fábrica de Contagem nos próximos três a cinco anos e a de Conceição do Pará vamos começar a analisar”, revela.

Hoje a Forno de Minas atende todo o mercado nacional e está praticamente em toda América Latina, Estados Unidos (EUA) e Canadá. Atualmente, a companhia exporta para 14 países. Com 1,6 mil colaboradores, a Forno de Minas também produz em Portugal e vai começar, nos próximos meses, a produzir nos EUA, levando o próprio queijo para lá e importando o polvilho.
“Estamos indo muito bem na Argentina, Chile e México. Toda essa estrutura que temos hoje vai ajudar a distribuir rápido os queijos e a McCain, que também tem uma estrutura voltada para o food service que é muito forte. Temos uma grande oportunidade sendo mineiros. Somos um povo querido e temos o direito de entrar no setor de alimentação pela nossa originalidade. Quando eu vou produzir fora com o queijo daqui, estou dizendo para as pessoas que elas estão comprando um produto mineiro”, completa o diretor geral da Forno de Minas.



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