Infraestrutura sustenta operação contínua e redefine a escala do BH Airport
Uma cidade que não para. Sob a aparente fluidez de um embarque ou da pontualidade em uma decolagem, existe uma engrenagem silenciosa, composta por milhares de ativos críticos, que opera, ininterruptamente, 24 horas por dia, sete dias por semana, 365 dias por ano, e cuja indisponibilidade, ainda que momentânea, pode comprometer não apenas a operação local, mas toda uma malha aérea nacional e internacional interconectada.
A complexidade da gestão em um ecossistema aeroportuário é, em essência, multidisciplinar e sistêmica. Na sequência da série de reportagens sobre o protagonismo do terminal mineiro na aviação, o gerente de infraestrutura e meio ambiente do BH Airport, Emerson Chaves, traz para o centro da narrativa os elementos decisivos para a evolução do equipamento no cenário nacional e os desafios para equilibrar crescimento, modernização, sustentabilidade e inovação nos próximos anos.
O que diferencia a gestão de ativos em um aeroporto da gestão de infraestrutura urbana do ponto de vista de risco e continuidade operacional?
Em um único perímetro coexistem subestações elétricas de alta tensão, sistemas de tratamento e reúso de água e efluentes, redes de drenagem pluvial, plantas de climatização de grande porte, equipamentos eletromecânicos de movimentação de passageiros e bagagens, sistemas de auxílios visuais à navegação aérea, pavimentos rígidos e flexíveis de pistas e pátios, vias de acesso e estacionamentos, programas de gestão de resíduos sólidos, manejo de áreas verdes, controle do risco de fauna, sistemas de segurança eletrônica e tantos outros ativos, todos igualmente imprescindíveis e regidos por normas técnicas e regulatórias rigorosas.
É tentador comparar a gestão de um aeroporto à gestão da infraestrutura de uma cidade e, em muitos aspectos, a analogia se sustenta. Ambos operam redes de energia, saneamento, mobilidade, paisagismo e segurança em larga escala territorial. Contudo, há uma diferença fundamental que separa, definitivamente, esses dois universos: enquanto uma cidade convive, com naturalidade, com interrupções programadas e contingências pontuais em seus serviços essenciais, um aeroporto não dispõe desse privilégio. Aqui, não existe janela de manutenção que justifique a paralisação da operação. A disponibilidade exigida é total, contínua e auditável, e qualquer intercorrência se traduz, quase instantaneamente, em impacto financeiro, reputacional e, sobretudo, em risco à segurança operacional.
É nesse cenário de alta criticidade, baixa tolerância à falha e elevada densidade tecnológica que a gestão moderna de ativos aeroportuários se reinventa. Não se trata mais apenas de manter, mas de antecipar, predizer e otimizar. A integração entre engenharia de confiabilidade, análise de ciclo de vida, digitalização, sustentabilidade e governança regulatória deixou de ser diferencial competitivo para se tornar condição de existência de qualquer infraestrutura aeroportuária que se proponha a ser referência nacional.
Quando olhamos para os 11 anos de concessão, qual foi a principal transformação de infraestrutura realizada no BH Airport?
A principal transformação foi a construção e entrada em operação do Terminal de Passageiros 2, que reposicionou o terminal mineiro em um novo patamar de capacidade e qualidade de serviço. Quando o BH Airport assumiu a concessão, em 12 de agosto de 2014, o aeroporto operava com capacidade nominal próxima de 10 milhões de passageiros/ano. Com esta ampliação de área no terminal de passageiros, a capacidade saltou para 32 milhões de passageiros/ano, viabilizando o crescimento sustentável da malha aérea doméstica e internacional.
Como os mais de R$ 1,3 bilhão investidos em infraestrutura mudaram a capacidade, a eficiência e a segurança operacional do aeroporto?
Podemos considerar que o montante de investimentos realizados pelo BH Airport ao longo da concessão transformou o aeroporto em três dimensões interdependentes: capacidade, eficiência e segurança operacional. Em termos de capacidade, o aeroporto triplicou o potencial de atendimento, passando de 10 milhões para 32 milhões de passageiros por ano, além de elevar a capacidade de movimentos de aeronaves para até 198 mil ATMs anuais. Esse avanço se refletiu diretamente no desempenho operacional, registrando 13,3 milhões de passageiros em 2025, recorde histórico e crescimento de 7,8% em relação a 2024. No campo da eficiência, o BH Airport consolidou-se entre os aeroportos mais pontuais do mundo.
Esse resultado está associado à implementação de soluções de automação no atendimento bem como a configuração dos terminais de passageiros e posições de paradas de aeronaves, proporcionando uma redução significativa no tempo de permanência das aeronaves em conexão desde o momento de pouso, bem como no deslocamento das aeronaves até as posições de decolagem. Sob a perspectiva da segurança operacional, os investimentos permitiram consolidar uma infraestrutura compatível com operações de alta complexidade em conformidade com os regulamentos Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), modernização de auxílios visuais à navegação, reforçando a robustez, a confiabilidade e a resiliência operacional do aeroporto.
Além da pista, quais investimentos em pátio, taxiways, posições de aeronaves, sistemas de sinalização ou apoio em solo foram fundamentais para sustentar o crescimento da operação?
Entre os investimentos, destaque para a construção de novas taxiways, certificadas, após a ampliação da pista para 3.600 metros e responsáveis por melhorar o acesso ao pátio de cargas e ao Centro de Manutenção, bem como a recuperação do pavimento flexível da Pista de Pousos e Decolagens (PPD) e da Taxiway Alfa, assegurando maior confiabilidade e disponibilidade da infraestrutura do lado ar. Também tiveram papel relevante a modernização integral da sinalização horizontal e vertical do lado ar, a substituição das luminárias dos pátios por tecnologia LED, com ganhos de eficiência energética e segurança nas operações noturnas, além das adequações e melhorias nas vias de serviço do lado ar, que otimizaram a circulação de veículos operacionais, reduziram tempos de deslocamento e consumo de combustível e reforçaram uma operação mais sustentável.
Esse conjunto de intervenções foi complementado pela modernização dos auxílios à navegação e pelas adequações nos sistemas de sinalização dos pátios de aeronaves, permitindo maior flexibilidade operacional para suportar diferentes configurações e mix de aeronaves, com mais segurança, eficiência e capacidade de resposta ao aumento da demanda.
Quais os ganhos concretos a obra de modernização do Desembarque 1 trouxe para a operação do aeroporto?
A modernização do Desembarque 1 trouxe ganhos concretos para a operação do aeroporto ao adicionar cinco novas esteiras de restituição de bagagem, ampliando a capacidade de atendimento à demanda de passageiros, além de incorporar mais de 2 mil m² de área totalmente modernizada. A nova configuração operacional permitiu dedicar o Desembarque 1 às operações da Azul, enquanto o Desembarque 2 passou a atender Gol e Latam, proporcionando melhor distribuição dos fluxos e maior eficiência operacional.
A intervenção também contemplou a implantação de dois novos conjuntos de banheiros, incluindo sanitários masculino, feminino, prioritário e fraldário, além da modernização integral dos sistemas de climatização, sinalização de orientação aos passageiros, elevador, escadas rolantes e área de carrinhos. Complementarmente, foram instaladas câmeras de monitoramento e sistemas eletrônicos de última geração, reforçando a segurança, a acessibilidade, o conforto e a qualidade da experiência dos passageiros no desembarque.
Como a modernização do Desembarque 1 melhorou o fluxo de circulação, a segurança, a acessibilidade e a agilidade no desembarque?
A modernização do Desembarque 1 reorganizou todo o fluxo de chegada doméstica, proporcionando maior agilidade à operação ao distribuir os desembarques entre o TPS1 e o TPS2, reduzindo congestionamentos no meio-fio e nas áreas de restituição de bagagens e melhorando a circulação dos passageiros no terminal.
A intervenção também elevou o nível de segurança por meio da implantação de novos sistemas de sonorização, controle de acesso, CFTV de última geração, detecção e alarme de incêndio. Além disso, a obra ampliou as condições de acessibilidade com o aumento do número de elevadores, a instalação de novas escadas rolantes, sanitários prioritários e fraldário, assegurando atendimento mais adequado aos Passageiros com Necessidades de Assistência Especial (PNAEs).
A infraestrutura atual do BH Airport está preparada para qual horizonte de crescimento?
A infraestrutura atual do BH Airport está dimensionada, modernizada e preparada para atender plenamente ao horizonte de crescimento previsto até 2044, final do contrato de concessão. Com a ampliação do terminal, a modernização dos sistemas críticos, a reorganização dos fluxos operacionais, a expansão das posições de aeronaves, a qualificação dos pátios, taxiways, sistemas de apoio em solo, bagagens, climatização, energia, sinalização, monitoramento e segurança operacional, o aeroporto dispõe de uma base robusta para sustentar o crescimento da demanda com níveis adequados de conforto, eficiência, segurança e qualidade de serviço para passageiros, companhias aéreas e demais usuários. O foco estratégico deve permanecer na manutenção, modernização contínua e gestão eficiente dos ativos existentes.
Quais são hoje as principais prioridades para o próximo ciclo de investimentos em infraestrutura?
O próximo ciclo de investimentos em infraestrutura do BH Airport está estruturado para assegurar a continuidade operacional, a segurança, a conformidade regulatória e a modernização permanente dos ativos críticos, de forma alinhada ao planejamento estratégico da companhia.
A priorização dos investimentos considera a criticidade dos sistemas, o ciclo de vida dos equipamentos, os riscos operacionais, os compromissos regulatórios e a contribuição de cada iniciativa para a qualidade do serviço prestado aos passageiros, companhias aéreas, órgãos públicos, parceiros comerciais e demais usuários do aeroporto. No campo da tecnologia, a próxima fronteira de evolução está na consolidação de uma gestão cada vez mais digital, preditiva e orientada por dados, integrando sistemas, plataformas de monitoramento, automação e inteligência artificial para apoiar decisões sobre manutenção, operação, consumo de recursos, desempenho de ativos e qualidade do serviço.
Esse movimento é particularmente importante porque o ciclo de vida de determinados ativos aeroportuários tem se tornado cada vez mais curto em função da rápida obsolescência tecnológica, da evolução dos sistemas de automação, das novas exigências de segurança, das mudanças regulatórias e da necessidade de interoperabilidade entre diferentes plataformas. Portanto, acompanhar continuamente a evolução tecnológica deixa de ser uma escolha e passa a ser uma condição para manter a infraestrutura eficiente, segura, resiliente e aderente às melhores práticas do setor.
A sustentabilidade também deve permanecer como eixo estruturante dos investimentos. O avanço da agenda de baixo carbono, a ampliação de soluções de eficiência energética, o uso racional da água, o reuso de recursos hídricos, a gestão integrada de resíduos, a redução de emissões, a eletrificação gradual de equipamentos e frotas de apoio, a modernização de sistemas de climatização, iluminação e utilidades, além do engajamento da comunidade aeroportuária em práticas ESG, são frentes que reforçam a visão de uma infraestrutura aeroportuária mais eficiente, responsável e preparada para os desafios ambientais e climáticos dos próximos anos.
Ouça a rádio de Minas