Franchising ainda tem espaço para inovação? Redes apostam em novos formatos para crescer
Com crescimento de 10,1% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2025 e faturamento de R$ 72,7 bilhões, o setor de franquias brasileiro demonstra resiliência mesmo diante de um cenário macroeconômico desafiador. Entre janeiro e março, a atividade gerou 1,78 milhão de empregos, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), e alcançou 204,9 mil operações em todo o País. As unidades reúnem mais de 3 mil marcas, reforçando a capilaridade e a relevância do segmento para a economia brasileira.
Diante desses números e da presença consolidada das franquias em praticamente todas as etapas da jornada de consumo dos brasileiros — de farmácias, academias e clínicas a redes de alimentação — surge uma questão: ainda há espaço para novos negócios e ideias disruptivas em um modelo que, à primeira vista, parece ter atingido elevado grau de maturidade?
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Para o diretor de expansão e franquias do Rei do Mate, João Baptista, mesmo em um cenário de aparente saturação, o franchising continua oferecendo oportunidades para marcas capazes de identificar demandas ainda não atendidas ou propor novas soluções para necessidades existentes.
“A inovação no setor está cada vez mais ligada à capacidade de adaptar modelos de operação, reduzir barreiras de entrada para franqueados e responder às mudanças no comportamento do consumidor”, afirma o executivo. Atualmente, o Rei do Mate reúne mais de 328 unidades no País, duas delas em Minas Gerais: uma em Belo Horizonte e outra em Juiz de Fora, na Zona da Mata.
Segundo Baptista, um exemplo dessa estratégia é o avanço de formatos mais flexíveis e acessíveis, como as lojas compactas do Rei do Mate. O modelo permite levar a franquia para locais antes considerados inviáveis para uma operação tradicional, como hospitais, universidades e centros corporativos.
“As primeiras operações apresentaram desempenho acima das expectativas, tanto em vendas quanto em rentabilidade, acelerando os planos de expansão da companhia”, afirma. Com esse novo modelo de negócio, a meta é faturar R$ 460 milhões neste ano, crescimento de 12,19% em relação à receita de 2025.
O diretor de expansão do Bob’s, Fabiano Lima, afirma que ainda há amplo espaço para crescimento do setor de franquias, principalmente por meio da interiorização, da digitalização das operações e da personalização da experiência do cliente. A rede, com mais de 70 anos de atuação, possui 59 operações em Minas Gerais.
“Vejo três grandes frentes. A primeira é a expansão para cidades médias e pequenas, que apresentam elevado potencial de consumo e desenvolvimento econômico. A segunda é o uso cada vez mais inteligente de dados e tecnologia para tornar a operação mais eficiente e conhecer melhor o consumidor. A terceira é a flexibilidade dos modelos de negócio”, destaca.

Segundo Lima, já não existe uma fórmula única: cada mercado demanda um formato diferente, seja em shopping centers, lojas de rua, drive-thru, rodovias ou outros pontos de conveniência. “A inovação está justamente em adaptar a marca à realidade local”, afirma.
Automação amplia oportunidades para novas franquias
O CEO do Grupo Avend, Guilherme Álvares, destaca que, embora a maior parte das franquias esteja no varejo, poucas ainda atuam no segmento de varejo automatizado, o que abre espaço para novas oportunidades de negócio.
“O movimento observado nos minimercados com lavanderia e, mais recentemente, nas vending machines comprova essa tendência. Hoje, quem deseja empreender busca cada vez mais serviços automatizados, que dependem menos da presença humana. O próprio movimento que a inteligência artificial vem fazendo favorece esse cenário”, afirma o executivo, que está à frente de uma das maiores redes brasileiras de varejo automatizado e vending machines.

Com 11 anos de mercado, a marca reúne 272 unidades próprias e franqueadas no País, dez delas em Minas Gerais, distribuídas entre Belo Horizonte e cidades como Viçosa, na Zona da Mata; Lavras, no Sul de Minas; e Uberlândia, no Triângulo Mineiro.
Inovar passa a ser questão de sobrevivência
Diante das constantes mudanças no mercado, líderes de grandes franqueadoras afirmam que a inovação deixou de ser um diferencial competitivo para se tornar um requisito de sobrevivência no mercado.
“Daqui a cinco anos, acredito que uma franquia inovadora será aquela capaz de unir tecnologia, simplicidade operacional e geração de valor para franqueados e consumidores”, analisa o CEO e cofundador da Maria Brasileira, Felipe Buranello. A rede, especializada em limpeza residencial, possui 54 unidades em Minas Gerais, incluindo a primeira franquia comercializada pela marca, em operação há 12 anos em Belo Horizonte.
Segundo Buranello, não será suficiente dizer que uma empresa utiliza inteligência artificial ou possui presença digital. Para ele, essas ferramentas tendem a se tornar um requisito básico. “A franquia realmente inovadora será aquela capaz de transformar essas soluções em ganhos práticos, como mais eficiência, melhor atendimento, menor custo, maior rentabilidade e decisões mais inteligentes”, completa.

Ele disse acreditar que as redes mais inovadoras serão aquelas capazes de se adaptar rapidamente às mudanças do mercado. “O consumidor muda muito rápido, e o franqueado também espera respostas ágeis da franqueadora. Modelos engessados tendem a perder espaço. As marcas que souberem testar, corrigir, ouvir quem está na ponta e evoluir continuamente sairão na frente”, afirma.
Outro ponto importante nos próximos anos, segundo o CEO, será a capacidade de desenvolver negócios mais acessíveis e escaláveis. “Franquias com potencial de expansão entre multifranqueados deverão ganhar ainda mais força”, conclui.
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