Fundo de investimento faz aporte, assume controle da Lafaete Locações e projeta expansão da empresa

Empresa atende mais de 1.400 clientes e tem a GEF Capital Partners como nova controladora que fará um rebranding no nome e marca do negócio

A GEF Capital Partners fez um aporte que pode chegar a R$ 150 milhões na Lafaete Locações, líder brasileira no mercado de locação de espaços modulares, por meio de uma emissão de títulos conversíveis.

A Lafaete, que nasceu em Belo Horizonte, será separada do restante do grupo e passará por um rebranding (mudança de nome e marca), tornando-se em breve a UCB. A chegada da GEF Capital vai gerar outras mudanças, além da troca de marca. A proposta é implementar um novo modelo de governança para a empresa, que pretende ampliar sua atuação dentro e fora do Estado.

O processo de transição de comando da família fundadora para um modelo com profissionais de mercado está sendo conduzido pelo CEO da Lafaete, futura UCB, Frederico Samartini.

“O rebrand cria a ‘própria asa’ da marca, para não confundir com o Grupo Lafaete. Esse é um dos investimentos. Também trazemos um nível de governança: o GEF puxa a governança da companhia para o nível de uma empresa listada em bolsa. Muita empresa sonha em listar em bolsa. A gente quer fazer o contrário: aumentar a governança como se já fosse listada. Se vai listar ou não, é um próximo passo. Isso inclui consultoria de RH para revisar as pessoas”, explica Frederico.

Com atuação em diversas partes do Brasil, a nova empresa que está nascendo da Lafaete quer entender as forças existentes para unir processos. “Temos gente do Brasil inteiro. É preciso lidar com culturas diferentes e levar uma governança que respeite e entenda essas regiões, com agilidade. Isso é muito importante para nós”, completa.

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O que atraiu o fundo?

Com 76 anos de existência, a Lafaete Locações tem mais de 12 mil módulos locados para 1.400 clientes ativos pelo País, atendendo diversos setores, o que a torna menos dependente de um segmento para ter faturamento. A diversificação se tornou o principal ativo da empresa em sete décadas e meia.

“Um valor da Lafaete é estar em todos os setores. Já tenho um pé em tudo, não dependo de um setor específico. Muitas empresas são concentradas: uma tem 50% da receita em um cliente, ou 80% em três clientes, o que cria uma dependência perigosa. A Lafaete é muito pulverizada, e esse é um grande valor”, diz Samartini.

Essa qualidade foi determinante para que a GEF Capital Partners investisse na Lafaete para levá-la a outro patamar. Outros pontos do dia a dia da empresa, que também ajudaram na decisão do fundo, são o modelo de negócios sólido e as boas práticas de ESG.

“A gente olha muito para setores ESG. A construção modular é uma solução muito positiva para o mundo. Segundo, no Brasil esse mercado é cerca de dez vezes menor, em proporção, do que na Europa e nos Estados Unidos, e também menor do que em outros países da América Latina, como Chile e Argentina. Ainda é muito incipiente, então o potencial de crescimento é enorme”, declara o representante da GEF Capital, Cleiton Almeida.

Focos para o ano que vem

Construção de data centers, saneamento, construção civil e mineração de terras raras são alguns dos segmentos em que a Lafaete, futura UCB, mira expansão em 2027.

A matriz da empresa seguirá em BH, mas a ideia é ampliar a presença comercial e estratégica fora do Estado para atender o cliente com maior qualidade, entendendo suas necessidades em cada empreendimento.

“A empresa está exposta a setores que julgamos muito interessantes: mineração e materiais críticos, e infraestrutura, principalmente data centers e rodovias. São setores que a empresa já atende, que estão crescendo e recebendo investimentos no Brasil. As tendências de longo prazo também são muito boas”, comenta Almeida.

“Há também o saneamento, que ainda tem um potencial de investimento enorme, e as PPPs. O Brasil tem muita infraestrutura por vir, e isso exige muita gente. Na indústria também: fertilizantes, alimentos, papel e celulose. Toda indústria de grande porte, especialmente em áreas remotas, tem um encaixe muito bom com a solução da Lafaete”, completa Frederico Samartini, CEO da empresa.

Sobre o autor

Anderson Gonçalves

Jornalista desde 2002, especialista em Projetos Editoriais e campanhas políticas. Desde 2025 é repórter de economia e negócios no Diário do Comércio.


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