Leilões de imóveis reúnem mais de 860 ofertas em abril, com descontos de até 84%
O mês de abril concentra uma nova rodada de leilões de imóveis no país, com mais de 860 lotes disponíveis e descontos que chegam a 84%, segundo plataformas do setor.
As ofertas incluem imóveis residenciais, comerciais, terrenos e áreas rurais, com possibilidade de pagamento à vista —em alguns casos com abatimento adicional—, além de parcelamento e financiamento de longo prazo. As vendas são realizadas online.
Apesar dos preços abaixo do mercado, especialistas alertam que o valor de arrematação não reflete o custo total da operação, que pode incluir despesas com impostos, regularização, eventual desocupação e reformas.
Uma das plataformas que concentram ofertas é a Zuk, que reúne imóveis distribuídos por todos os estados. Entre os destaques está um leilão em parceria com o Itaú Unibanco, com mais de 150 ativos e valores que vão de R$ 2.961, por um terreno de 250 metros quadrados em Adamantina (SP), a R$ 40,3 milhões, por uma área rural de 1.242 hectares em São Félix do Araguaia (MT).
Entre os maiores descontos está uma casa em Catanduva (SP), com preço reduzido em 84%, avaliada em R$ 368,4 mil.
Há ainda imóveis leiloados em parceria com grandes empresas e outras instituições financeiras, como Bradesco, Santander, Banco Pan, Inter, Safra, Sicoob, Creditas, C6, Bari, além de judiciais e empresas.
Os valores variam de R$ 20 mil para uma casa na cidade Nossa Senhora do Socorro (SE), com 60,84 m², até R$ 30,8 milhões para uma área rural, na cidade de Itararé (SP), com 293,18 m². Na cidade de Magé (RJ) um residencial/comercial com 392 m² está sendo leiloado com desconto de 77%, por R$ 305 mil.
Além da oferta direta, a empresa lançou uma plataforma agregadora que reúne mais de 27 mil lotes de diferentes leiloeiros, bancos e processos judiciais em um único ambiente digital. A ferramenta permite filtrar imóveis por localização, preço, metragem e tipo.
Outro leilão relevante do mês é promovido pelo Itaú em parceria com a Biasi Leilões, também nesta quarta, às 11h, com 146 imóveis distribuídos por 18 estados. O portfólio inclui casas, apartamentos e terrenos, com lances iniciais que vão de R$ 27,7 mil a R$ 1,37 milhão.
Nelson Paiva, diretor da ED Ventures, que integra o grupo Empreender Dinheiro, diz que para quem busca a casa própria, o leilão pode ser uma alternativa, mas com restrições claras.
“Faz sentido se o imóvel estiver desocupado, com matrícula regular e possibilidade de visita”, diz. Ainda assim, afirma, esses ativos costumam atrair primeiro investidores profissionais, o que reduz as chances para iniciantes.
A recomendação é recorrer a apoio especializado antes de entrar na disputa. “Contratar um advogado para analisar o edital e a matrícula é o melhor seguro que existe nessa operação”, afirma Paiva.
“O desconto anuncia o preço de arrematação, não o custo total da operação, que precisa ser detalhadamente analisado. Quando você soma ITBI [Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis], regularização, eventual desocupação, reforma e tempo de venda, a margem real encolhe bastante, e às vezes desaparece”, diz.
O crescimento desse mercado, impulsionado por plataformas digitais e maior participação de bancos, tem atraído não só compradores em busca da casa própria, mas também investidores mais sofisticados. Mas, segundo o especialista, não é um investimento básico.
“Funciona como uma camada de oportunidade dentro de um portfólio maior, nunca como base”, diz Paiva. Segundo ele, a estratégia só faz sentido para quem já tem uma reserva de emergência consolidada, e está disposto a imobilizar capital por até 12 meses sem pressão. “Recomendamos para clientes que possuem cerca de 70% a 80% do seu patrimônio em ativos de segurança”, afirma.
COMO COMPRAR A CASA PRÓPRIA EM UM LEILÃO?
1º Passo: Cadastro no site do leilão
- Confira com a Junta Comercial do seu estado se o leiloeiro está devidamente credenciado
- O cadastro nada mais é do que encaminhar os seus dados pessoais para análise
- Para evitar cair em golpe, fique atento ao domínio do site, que tem de terminar com “.com.br”
- Desconfie de sites com erros de ortografia e terminando com apenas “.com” ou “.net”
- Leiloeiros e empresas gestoras de leilões não utilizam o WhatsApp e nenhuma outra rede social, como Facebook e Instagram, para fazer negociações ou receber lances
2º passo: Solicitação para participar dos leilões - É hora de escolher o tipo de lote (casas, apartamentos, terrenos, fazendas entre outros) para dar o lance e solicitar a participação no leilão
- Em alguns casos, é possível dar lances em mais de um imóvel dentro do mesmo leilão, até a data e o horário de encerramento da operação
3º passo: Aquisição - Se o seu lance for o maior quando o leilão for encerrado, o imóvel é seu
- O leiloeiro, pessoalmente e por email, dará todas as orientações sobre o pagamento
- Se o edital permitir o parcelamento e/ou financiamento, siga as regras do documento
4º passo: Processo de formalização do imóvel - Para qualquer modalidade de pagamento, é preciso recolher o ITBI junto à prefeitura do município onde fica o imóvel. A alíquota varia de acordo com a cidade. E, depois, proceder com o registro, junto ao Cartório de Registro de Imóveis onde está matriculado o imóvel adquirido
- É preciso entregar os documentos solicitados como: RG/CPF, certidão de nascimento (ou, se for casado, certidão de casamento, RG e CPF do cônjuge); comprovante de residência, declaração de Imposto de Renda, extratos bancários dos últimos três meses e holerites dos últimos três meses (se assalariado)
QUAIS OS CUSTOS DE COMPRAR UM IMÓVEL NO LEILÃO? - Comissão do leiloeiro – o percentual sempre constará no edital, mas geralmente é de 5% sobre o valor do lance
- ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis) – o valor do imposto sobre transações imobiliárias é definido pelo município e varia entre 3% e 5% sobre o valor do lance
- Registro e demais procedimentos no Cartório de Imóveis – a estimativa aqui é de mais ou menos 1% sobre o valor da arrematação, e inclui o registro e eventuais baixas de gravames (penhora, hipoteca etc)
- Custas judiciais – para emissão da carta de arrematação, mandado de imissão na posse, e possível despesa com oficial de justiça – em torno de 1% do total
Conteúdo distribuído por Folhapress
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