Negócios

Matozinhos atrai projeto de R$ 3 bilhões e aposta em hub ferroviário

Complexo Railtech Matozinhos focará em tecnologia ferroviária, gerando milhares de empregos na Região Metropolitana de Belo Horizonte
Matozinhos atrai projeto de R$ 3 bilhões e aposta em hub ferroviário
Foto: Divulgação A.Dell'Agnese Arquitetura

Matozinhos, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), vai sediar um hub de inovação voltado para o setor ferroviário. Com aportes que podem chegar a R$ 3 bilhões em 10 anos, será construído na cidade um novo bairro chamado Railtech Matozinhos, um complexo que promete ser um novo hub de inovação e indústria, com foco em tecnologia ferroviária. Na primeira fase, o investimento ficará próximo a R$ 1,5 bilhão. Os projetos para início das obras estão em fase de aprovação e licenciamento.

O projeto foi apresentado durante o Fórum de Investimento de Minas Gerais – Novas Fronteiras para o Investimento e a Inovação, organizado pela Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil (Britcham) em parceria com a Invest Minas.

O prefeito de Matozinhos, Ítalo Borges, destacou que o projeto coloca a cidade no centro de investimentos em inovação. “Com o Railtech, a gente coloca Matozinhos no centro do mapa de investimentos para um novo ramo, para uma nova atividade que tem crescido muito na região. Nós já nos preparamos estrategicamente, juridicamente e legislativamente. Já fizemos as alterações que cabiam fazer para termos segurança jurídica e legislativa para atrair investimentos. Matozinhos está de mente nova, um novo olhar para o futuro e de portas abertas para receber os investimentos”, ressalta.

O consultor em desenvolvimento econômico da Directpar, Adriano Carvalho, explica que o projeto foi idealizado pela Directpar em parceria com a prefeitura de Matozinhos e o fundo de investimento Mapa Investimentos.

Contando com uma malha ferroviária considerável, o projeto do hub de Matozinhos surge da percepção de que o Brasil está revivendo o setor ferroviário, porém, ao invés de competir com a fabricação de locomotivas e vagões, o Railtech Matozinhos focará na tecnologia embarcada, sistemas de segurança, gestão e sensores, áreas onde há uma lacuna no mercado e um grande potencial de desenvolvimento.

O projeto, quando completo, terá cerca de 30 prédios, voltados, principalmente, para a instalação de empresas. A expectativa é gerar cerca de 5 mil empregos imediatos durante a fase de construção e instalação, e cerca de 20 mil empregos quando estiver totalmente maturado, o que deve ocorrer em um período de 10 anos

“O Railtech Matozinhos não será apenas um aglomerado de empresas, mas um bairro completo, projetado para concentrar todo o ecossistema ferroviário. Ele abrigará galpões industriais, hotéis, restaurantes, lojas, edifícios de escritórios corporativos e espaços para startups. A ideia é criar um ambiente onde a sinergia e a colaboração impulsionem a inovação, reunindo todos os atores do setor em um único local”, diz.

Carvalho explica ainda que Matozinhos tem grande potencial para o desenvolvimento do hub. “As ferrovias já estão em Matozinhos, que é na RMBH, onde nós temos toda uma estrutura de formação de mão de obra, de pesquisa, de inovação na Capital e que Matozinhos pode se beneficiar. Nós já preparamos a cidade para ter todos os instrumentos jurídicos para receber os aportes, temos o plano diretor, lei de zoneamento, lei de incentivo, houve a criação da Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Tudo isso teve que ser feito antes e o município fez o dever de casa”, frisa.

A Mapa Investimentos, conforme o CEO e Managing Partner, Bernardo Giusti Werneck Cortes, será a responsável pela estruturação da operação do Railtech Matozinhos, ou seja, pela criação do veículo de investimento, seja um fundo de investimento ou criando estruturas separadas para o faseamento do projeto, que incluirá indústria, logística, área corporativa, hoteleira e centro de convenções.

No caso da indústria, ela será focada em ferrovia, para atender pequenos fornecedores, porém, de alto valor agregado que vão oferecer desde software até componentes para vagões. A indústria pesada, conforme Cortes, poderá integrar o projeto em uma fase posterior.

A iniciativa inclui ainda uma pera ferroviária – onde os vagões chegarão e serão entregues – um terminal de grãos e um terminal de minério, com capacidades de 500 milhões de toneladas de minério ao ano e de 300 milhões de toneladas de grãos.

“Toda a captação será via modelo privado, ou seja, a gente tem investidores nacionais e internacionais que estão acompanhando o projeto para poder colocar o valor todo do investimento. A construção do projeto será faseada, porque não dá para o Railtech Matozinhos nascer todo de uma vez, já que ele será ancorado com contratos de built to suit, para as empresas já irem se instalando, pagando aluguel. Nós ficamos com o empreendimento e vamos recebendo os aluguéis que vão inclusive financiar todo o desenvolvimento do projeto”, explica.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas