Pacto de Inovação quer unir forças para recolocar BH como referência no setor

Pacto articulado pelo Sebrae Minas busca integrar universidades, empresas e poder público para transformar potencial da capital em projetos concretos
Pacto de Inovação quer unir forças para recolocar BH como referência no setor
Foto: Diário do Comércio/Nathália Gonçalves

Belo Horizonte quer recuperar o protagonismo no setor de inovação por meio da integração entre universidades, centros de pesquisa, startups e instituições de apoio ao empreendedorismo. É com esse objetivo que nasce o Pacto de Inovação, movimento articulado pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae Minas) para fortalecer o ecossistema local e transformar o potencial da capital mineira em projetos concretos.

Um dos momentos mais relevantes do movimento ocorreu nesta quinta-feira (5), durante um workshop que reuniu por volta de 120 representantes da sociedade belo-horizontina para discutir possíveis cenários para o futuro da cidade. A proposta é consolidar uma visão compartilhada, que deverá ser validada pela governança do pacto antes do lançamento oficial, previsto para 2027.

Segundo o CEO da Gov.UP e facilitador da metodologia do Pacto de Inovação, Paulo Ardenghi, Belo Horizonte já dispõe de instituições, conhecimento e capacidade empreendedora para avançar, mas precisa ampliar a colaboração entre os diferentes setores. “A gente quer colocar todo mundo numa mesma mesa para liderar essa grande transformação”, afirma.

A expectativa é que o Pacto de Inovação reúna startups, universidades, Prefeitura de Belo Horizonte, governo de Minas Gerais e entidades como o Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico de Belo Horizonte (Codese-BH). A partir dessa articulação, a intenção é estruturar projetos com entregas concretas, capazes de contribuir para o desenvolvimento da cidade.

Ardenghi cita como referência a experiência de Porto Alegre (RS), onde participou da coordenação da área de inovação da prefeitura. Segundo ele, a capital gaúcha conseguiu ampliar a integração entre instituições e desenvolver iniciativas como um hub de inovação que reúne grandes empresas do Rio Grande do Sul.

Apesar da experiência, o facilitador ressalta que Belo Horizonte deverá construir seu próprio modelo, considerando as características e potencialidades locais. “BH tem instituições e líderes incríveis e um ambiente favorável para a colaboração”, avalia.

Integração de instituições é desafio para fortalecer inovação em BH

Presente no evento, o secretário de Desenvolvimento Econômico e Trabalho de Belo Horizonte, Adriano Faria, destacou que a Capital já conta com empresas de tecnologia, parques tecnológicos, polos de inovação e startups consolidadas. Segundo ele, o desafio agora é organizá-los e ampliar a participação do setor no desenvolvimento econômico da cidade.

“Agora é a hora de colocar a mão na massa, organizar todos esses atores para que a gente possa pensar a BH do futuro. Não temos dúvida de que o desenvolvimento econômico da cidade passa pela tecnologia, pela inovação e pela economia criativa”, destaca.

O secretário também ressaltou o papel do poder público, que deverá atuar em prol da redução da burocracia e no estímulo a novos negócios. “A prefeitura já começa ajudando quando deixa de atrapalhar, quando retira a burocracia do processo de empreender e desenvolver um negócio”, relata.

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Para o diretor técnico do Sebrae Minas, Douglas Cabido, Belo Horizonte tem um histórico de protagonismo no ecossistema de inovação, mas perdeu relevância nos últimos anos. Segundo ele, o Pacto de Inovação surge como uma oportunidade de recuperar esse espaço por meio da articulação entre instituições que, muitas vezes, atuam de forma dispersa.

“A ideia é que o Sebrae, junto com outros atores importantes, possa articular uma agenda convergente de inovação, sem competição interna de egos e vaidades, pensando no futuro”, ressalta.

Cabido destacou que o objetivo é transformar as discussões em iniciativas concretas, capazes de fortalecer o ambiente de negócios e reposicionar a capital mineira como referência no setor. “Tudo o que for construído, conversado e pactuado precisa, de fato, sair do papel para tornar BH novamente esse hub de inovação”, acrescenta.

Diário do Comércio participa de mobilização pelo futuro de BH

O Diário do Comércio também participou do encontro, que reuniu representantes de diferentes setores para discutir o futuro de Belo Horizonte. Para a presidente e diretora editorial do Diário do Comércio, Adriana Muls, a iniciativa reforça um momento de mobilização em torno de agendas de desenvolvimento de longo prazo para a Capital e para Minas Gerais.

“É um evento para celebrar, mais um movimento acontecendo em BH nessa visão de futuro da cidade, tendo como tema a inovação. O maior aprendizado é que a maior das inovações é social, quando conseguimos mobilizar, articular e construir em conjunto diversos futuros”, destaca.

Adriana Muls também ressaltou a atuação do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico de Belo Horizonte (Codese-BH), que trabalha na construção de uma visão de futuro para a Capital e a Região Metropolitana, e do projeto Parceiros do Futuro, liderado pelo Diário do Comércio, que amplia essa discussão para o desenvolvimento de Minas Gerais.

Segundo ela, a convergência dessas iniciativas evidencia um momento importante para Belo Horizonte e o Estado, marcado pela articulação de diferentes instituições em torno do planejamento de futuro.

Sobre o autor

Leonardo Morais

Repórter de economia e negócios do Diário do Comércio, com experiência em jornalismo digital e produção multimídia. Graduado pela PUC Minas, foi premiado com o 2º lugar no Prêmio Sebrae de Jornalismo, Fotojornalismo (2024).


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