A América diz não a Trump

As eleições para o Congresso na América marcaram um momento decisivo. Veja como a massacrante derrota do presidente foi recebida
A América diz não a Trump
Foto: Reuters/Elizabeth Frantz

“Não se vence alinhando-se ao extremismo, mas ouvindo a voz do povo.” (Beto O’Rourke, líder democrata do Texas)

Pretendíamos, no comentário de hoje, abordar mais uma vez aspectos significativos da campanha eleitoral acontecida no Brasil, que deu motivo à incrível “trapalhada do senador fujão”. Todavia, outro estrondoso evento político, monopolizando as manchetes de um polo a outro deste nosso maltratado planeta azul, induz-nos a deixar para depois as considerações a propósito arroladas.
Ficará bastante difícil para os analistas políticos identificarem uma paragem qualquer do Atlas em que a acachapante derrota de Donald Trump nas recentes eleições para o Senado, a Câmara dos Representantes e os governos de numerosas províncias estadunidenses não tenha sido comemorada com manifestações de regozijo popular. Tudo isso sem falar da compreensível sensação de alívio observada nos círculos de aliados históricos, há muito inconformados com o tratamento truculento vindo de Washington.

Essa reação popular, envolvendo cidadãos de diversas nacionalidades e culturas, expõe o grau de repulsa trazido pela avalancha de decisões arrogantes e perturbadoras da ordem internacional com origem na mesa de despachos do Salão Oval da Casa Branca. Antes, as ações geopolíticas da nação líder da comunidade global não colidiam tão virulentamente e tão constantemente com os interesses dos países parceiros. A diplomacia aplainava divergências. O diálogo removia nó górdios das discordâncias supostamente intransponíveis e as negociações não deixavam margem a dúvidas atrozes.

Com Trump, tudo mudou para pior. Tarifaços fora de propósito usados como chantagem, política imigratória afrontosa aos direitos humanos, ameaças imperialistas e atos bélicos inconsequentes, todos lastreados pela obsessão pessoal de figurar como pacificador mundial. Trump colheu agora o inevitável troco da Democracia.

A extraordinária virada da oposição democrata nas urnas impõe ao mandato presidencial um severo freio de arrumação. O modelo do “governo dividido” restabelece a fiscalização do Congresso e bloqueia os arroubos autoritários da Casa Branca.

Os americanos tomaram a solene decisão de dizer um basta categórico a tudo que vem causando desassossego a eles próprios e ao resto do mundo. Ao isolar o extremismo em sua matriz original, o recado das urnas desidrata a retórica autoritária por aqui, demonstrando que a prepotência não sustenta projetos de poder contra a soberania popular. É sumamente animador assinalar, nesse novo panorama, a emergência de lideranças procedentes de minorias étnicas e setores compromissados com as causas civilistas mais nobres, assegurando ao tecido social norte-americano a pluralidade e a dignidade representativa que o compõem.

Cesar Vanucci
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Cesar Vanucci

Jornalista ([email protected])


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