Descontrole e despreparo na pré-campanha de Flávio Bolsonaro

Candidato escolhido por Jair Bolsonaro para carregar seu legado parece não emplacar e empolgar na corrida presidencial
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Descontrole e despreparo na pré-campanha de Flávio Bolsonaro
Foto: Beto Barata/PL

“A suprema arte de governar consiste em substituir a força pela sabedoria, o arbítrio pela lei e os impulsos pessoais pelo bem comum.” (Cícero)

A caminhada pré-eleitoral do senador Flávio Bolsonaro com vistas ao Planalto vem sendo pontuada por lances bastante ruidosos. O conteúdo, em certos momentos, pode-se dizer até radioativo. Numerosos militantes da oposição não escondem, a esta altura, sua preocupação quanto a algumas manifestações de visível despreparo e ausência de traquejo político e administrativo do candidato escolhido pelo pai para carregar seu legado.

O primeiro sinal de alarme quanto ao comportamento errático de Flávio ocorreu quando do insopitável regozijo que dele e de seus parceiros se apoderou com o anúncio das descabidas taxas extras impostas por Trump aos produtos brasileiros. A propósito, não há como olvidar aquela promessa de represália nos começos dos “malentendidos” suscitados por Washington, caso a justiça brasileira não interrompesse — vejam só o tamanho do absurdo! — o processo contra os responsáveis pela tentativa de golpe de Estado liderado pelo ex-chefe do Executivo.

Outra situação desconcertante, para dizer o mínimo, adveio do promíscuo relacionamento do senador com Daniel Vorcaro, pivô da fraude bilionária do Master. Flávio se enrolou todo ao tentar explicar a razão de haver sido contemplado, na conta pessoal, com “generosa ajuda” equivalente a uma “polpuda Mega-Senna”.

Aconteceu logo em seguida a inimaginável “desavença familiar”, provocada por ele e irmãos alvejando a ex-primeira-dama, ocasião em que adeptos bolsonaristas deram vaza, nas redes sociais, a repulsivas manifestações misóginas.

Ao depois, houve aquela incrível mensagem a Marco Rubio, secretário de Defesa dos EUA, pleiteando o adiamento do tarifaço para período posterior à eleição no Brasil, bem como sua disposição, em sendo eleito, de enviar os Estados Unidos “equipe de transição”, com o provável intuito de “receber instruções” a serem incorporadas a sua administração, valha-nos Deus…

Tal pai, tal filho, o conhecido ditado popular ganhou atualidade noutro insólito lance protagonizado pelo senador. Lance esse extremamente parecido com aquele que valeu punição judicial a Jair Bolsonaro, em passado recente. Dirigindo-se a diplomatas estrangeiros, o senador, candidato a presidente, criticou acerbamente o sistema eleitoral brasileiro, apontando-o como suscetível a manobras fraudulentas. Seja anotado que a destemperada acusação foi, de pronto, rechaçada com veemência, pelo presidente do TSE, Ministro Nunes Marques.

Como se tudo isso já não bastasse para alçá-lo a uma posição de incômoda evidência, brotou na trilha da campanha a histriônica figura de Javier Milei com seus destemperos verborrágicos e completa falta de tato diplomático.
Esperar pra ver os efeitos, perante a opinião pública, de todo esse descontrole.

Cesar Vanucci
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Cesar Vanucci

Jornalista ([email protected])

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