A Groenlândia já era…
“Acordo de vida infinita” (Donald Trump)
No filme “O Grande Ditador”, dirigido, produzido, interpretado, roteirizado, musicado pelo genial Charlie Chaplin, o insuperável Carlitos, palhaço do humorismo poético e da crítica social mordaz, satiriza Adolf Hitler mostrando o chefão nazista deitado no sofá esforçando-se por equilibrar com os pés erguidos uma esfera do mapa-múndi. Não encontro dificuldade alguma em associar esse lance caricatural com a imagem que Donald Trump passa hoje a um mundo perplexo e assustado com a postura do dirigente supremo da maior potência universal.
O planeta inteiro percebe a ambição demonstrada pelo inquilino da Casa Branca, por atos e palavras, pela anexação de novos territórios ao seu país já possuidor de vastidão continental. Quem não se recorda, por exemplo, da incrível manifestação por ele feita, pouco depois da posse no segundo mandato, de que apreciaria muito fazer do Canadá uma província estadunidense? Relembremos também o mal-estar causado, pelo dito infeliz, nas relações do vizinho e parceiro de todas as horas. Observadores do palco político internacional admitem que o ressentimento gerado no seio da população canadense não se dissipou até hoje. Pelo contrário, tornou-se até mais aguçado quando, ainda recentemente, retomou o assunto.
A comunidade internacional, mesmo reconhecendo no episódio “coisa de lunático”, recebeu com igual ou maior estupefação outra confessa declaração do personagem citado no sentido de reivindicar que a lua seja considerada território dos EUA pela circunstância de que o primeiro ser humano a deixar suas pegadas no solo do satélite foi um astronauta da Nasa. Outro “objeto de desejo”, freneticamente anunciado pelo dito cujo, valendo-se até mesmo da ameaça de ocupar o território na “marra”, foi a província dinamarquesa da Groenlândia, dona de inexplorado potencial de riquezas minerais. Um fato deixou o mundo estarrecido e da onda volumosa de protestos participaram os próprios países da Otam, incluída a Dinamarca, que tanto quanto os Estados Unidos fazem parte da organização.
Pelo noticiário dos dias atuais, fica-se sabendo que as ameaças surtiram efeito. A Otam cedeu. A Dinamarca não teve mais como resistir à pressão. Pressão essa caprichosamente emoldurada com a enganosa aparência de tratado bilateral envolvendo interesses recíprocos. Na “conversa mole pra boi dormir”, posta a circular pelos canais diplomáticos, os Estados Unidos assumirão por tempo infinito a defesa da maior ilha marítima do mundo sem que isso possa significar violação da soberania da Dinamarca, nem tampouco submissão política de Copenhague a Washington. Por derradeiro, seja anotado que alguns comentaristas internacionais andam especulando se certas movimentações geopolíticas destes tempos conturbados não representem uma apropriação de terreno nascido de algum pacto secreto entre nações com propensão hegemônica.
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