A mais recente trapalhada bolsonarista

Derrotado nas urnas, Flávio Bolsonaro resolveu se intitular o presidente dos Estados Unidos do Brazil ( com Z mesmo)!

“A eleição acabou. Agora, seguir em frente.” (Tarcísio de Freitas, governador de SP)

Estupefação geral. Ultrapassou as fronteiras. A mais recente “trapalhada bolsonarista” produziu torrente de comentários, todos confluindo em direção ao aforismo nascido da impecável dramaturgia shakespeariana: “Trata-se de loucura, é certo; mas tem método!”

As implicações golpistas da amalucada atitude assumida por Flávio Bolsonaro soam escandalosamente como “versão 2026” do insano ato subversivo de 2022. O radical ressentido é alguém incapaz de distinguir o divisor de águas existente entre as ideias que professa e o sentimento de conteúdo humanístico dos que pensam diferente.

Sob a camuflagem de um projeto obscurantista, o que estamos vendo na realidade é uma obstinada reprodução de estratégia que afronta o Estado Democrático de Direito. A reincidência não é fruto de mero acaso, ou de arroubo retórico e irrefletido, mas sim de uma tática que mira a polarização perene, com método de degradação institucional.

Ocorre que a consciência civilista do País já atestou não haver mais espaço para aventura autoritária. Quando a política se despe do respeito às regras do jogo democrático, resta apenas o estigma do isolamento e da responsabilidade perante a lei. Em sua abestalhada ânsia por protagonismo, Flávio Bolsonaro isolou-se geográfica e politicamente. Perdeu a liderança da oposição, tão ambicionada, para a qual não dispõe de qualificações. Sua indigência política e intelectual revelou-se visível em seu ridículo manifesto à Nação, assim que deu com os costados em Miami, desembarcando em voo clandestino da Argentina. Não é de se ver que o personagem no manifesto se proclama presidente dos Estados Unidos do Brazil (isso mesmo que você leu: Estados Unidos do Brazil… e com Z)?

O espanto produzido pela nova tentativa conspiratória atingiu em cheio os próprios aliados. Grande parte deles já está cuidando de se safar da grossa enrascada em que se meteu. Tarcísio de Freitas, governador de SP, foi incisivo, mesmo que de forma polida, na discordância: “A eleição acabou, agora é seguir em frente”. Os partidos que apoiaram Flávio, a começar pelo PL, presidido por Valdemar Costa Neto, fizeram questão fechada de reconhecer a legitimidade do pleito que deu a vitória a Lula. A Comunidade das Nações apressou-se em cumprimentar os vitoriosos no pleito, a um só tempo em que a mídia internacional louvou a lisura do processo eletivo, descrevendo-o com vistosas manchetes de primeira página.

O ministro Nunes Marques, do TSE, ao indeferir os apelos infundados do candidato derrotado, chancelou a soberania da vontade popular. Contra os fatos e a firmeza das instituições, a insensatez dos saudosistas do autoritarismo não encontra guarida alguma no sentimento nacional. A democracia triunfou, e aos que a hostilizavam resta o ajuste de contas com a lei.
O tema comporta mais considerações.

Cesar Vanucci
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Cesar Vanucci

Jornalista ([email protected])


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