Candidatos ao governo do Estado dizem qual futuro querem para Minas Gerais

Postulantes ao governo estadual participaram de encontros promovidos pelo Diário do Comércio
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Candidatos ao governo do Estado dizem qual futuro querem para Minas Gerais
Foto: Reprodução Adobe Stock

Entre os dias 15 e 18 de setembro, o Diário do Comércio, em parceria com o Minas Tênis Clube e o Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico de Belo Horizonte (Codese-BH), organizou o “Encontro com Candidatos”. Na oportunidade, foi entregue aos candidatos a governador e a vice-governador de Minas Gerais o documento “Diretrizes da Sociedade Civil para o Desenvolvimento de Minas Gerais”, elaborado pelas três instituições.

Além de propostas nas mais diversas áreas, o documento perpassa as missões do Parceiros do Futuro, projeto capitaneado pelo Diário do Comércio.

Todos defenderam seus planos de governo, mas falaram principalmente sobre qual futuro querem para Minas. Além das perguntas sobre suas propostas para as mais diversas áreas de uma possível gestão estadual, como saúde, educação e segurança pública, os candidatos também falaram sobre as cinco missões do Parceiros do Futuro e responderam à pergunta: “Qual Minas Gerais você quer para o futuro?”

Urna
Foto: Reprodução Adobe Stock

As respostas, em ordem alfabética, você confere a seguir, em um compilado do que os candidatos que disputam o Palácio Tiradentes para governar de 2027 a 2030 propuseram a respeito do Estado que querem não apenas para os próximos quatro anos, mas também para as futuras gerações. Este conteúdo também está disponível na plataforma digital do Diário do Comércio.

Flávio Roscoe, candidato a governador pelo PL

“Eu falei, quando recebi esse documento com propostas tão importantes, que Minas pode avançar mais e que a gente não pretende concretizar muitas delas até 2040, não. A gente pretende realizar já, em janeiro de 2027. Acredito nas parcerias para pensar e construir o futuro de Minas. Foi assim que eu fiz na Fiemg e é assim que eu vou fazer no governo do Estado. A nossa ação de impacto imediato é a desburocratização, que, de certa forma, está em uma das missões do Parceiros do Futuro quando se pensa em desenvolvimento econômico. Com a desburocratização, vamos gerar recursos e desenvolver Minas no presente e no futuro. Além disso, a desburocratização leva à segurança jurídica e melhora o ambiente de negócios. É assim que nós vamos gerar recursos para atender às demandas da sociedade.

Flávio Roscoe
Foto: Diário do Comércio / Guilherme Ferreira

Em relação à sustentabilidade, também vamos tomar medidas imediatas nesse sentido, aumentando, e muito, a fiscalização. A proposta é desburocratizar os processos de licenciamento e automatizar tudo com inteligência artificial. Dessa forma, é possível acabar com a corrupção porque os critérios serão todos objetivos. Com isso, centenas de servidores que estão hoje olhando papel por papel para aprovar, ou não, um licenciamento poderão se dedicar integralmente à fiscalização.

A Minas do futuro é essa em que o seu filho vai para a escola andando a pé, sozinho, e lá tem uma educação de qualidade, em que vai aprender Matemática e Português direito. Porque o que se vê nas escolas públicas são jovens sem aprender o básico. E isso não sou eu quem diz. São os resultados dos exames que mostram que os estudantes têm dificuldade de fazer as operações básicas da Matemática e dominar o Português. Isso sem contar quando os jovens são aliciados pelo crime na própria escola ou sofrem violência no caminho para a escola. A Minas do futuro que eu quero é a de uma sociedade mais justa, mais próspera, para que haja futuro para as nossas crianças. A gente quer deixar esperança em um futuro melhor. Eu acredito que Minas tem jeito, que o Brasil tem jeito. O Brasil tem que deixar de ser o País do futuro para ser o País do presente, assim como Minas Gerais.”

Gabriel Azevedo, candidato a governador pelo MDB

“Primeiro, eu quero dizer que gosto muito da ideia do Parceiros do Futuro porque é conversando que a gente se entende, e governar um estado como Minas Gerais não pode ser apenas uma tarefa de um governador. O poder é de todos. Eu gostaria de fazer duas considerações muito sinceras.

Gabriel Azevedo
Foto: Diário do Comércio / Guilherme Ferreira

A primeira é que a gente pode rodar, rodar, rodar e vai cair em uma prioridade que é incontestável. Chama-se educação. Ou há um grande pacto de todos os setores para que as escolas ensinem e para que os nossos estudantes aprendam, ou nós não vamos sair do lugar. Isso envolve a gente prestar atenção na escola em que estudou, entender como ela está, garantir a valorização do professor e promover uma medição sincera da qualidade dos alunos. Então, essa força-tarefa precisa de vários agentes e a iniciativa privada, a meu ver, deveria focar nisso.

O segundo ponto é que não adianta fazer um seminário, outro seminário, o terceiro seminário com agentes, empresários e terceiro setor, ainda mais só aqui na Capital. Não dá para ficar só encontrando, não dá para ficar só conversando. Por isso, o Parceiros do Futuro é interessante, porque determina metas e prazos. E meu plano de governo está muito alinhado às propostas.

Ou seja, a educação é meta. Como fazer? Vamos resolver. Tem uma hora em que você tem que parar com a prosa e tem que fazer, colocar a mão na massa. E isso também está previsto. Então, definida a prioridade, no meu caso é a educação, vamos buscar soluções. E se, em um primeiro momento, não der para fazer tudo, porque o Estado é muito grande, vamos pegar dez escolas e atuar nelas. Ou seja, se a infraestrutura está ruim, quem pode oferecer a mão de obra para pintar ou reformar aquela escola? Se os professores não estão conseguindo lecionar por conta da didática, quem pode aprimorar? Uma vez me chamaram para fazer um projeto para o hipercentro de BH e eu falei que uma das soluções era plantar árvore. As pessoas disseram que o poder público precisava autorizar. E eu disse que a gente precisava comprar mudas e plantar. Pronto, está plantado. Então, eu gosto muito da ideia de mãos à obra.”

Jarbas Soares Júnior, candidato a vice-governador pelo PSB na chapa de Patrus Ananias (PT)

“É muito importante participar de um evento no qual a própria sociedade civil apresenta proposições que indicam caminhos. Como procurador-geral de Justiça, eu já tinha levado ao Ministério Público de Minas Gerais essa parceria e, caso eleitos, Patrus e eu vamos ampliar ainda mais essas parcerias para governar o Estado. Muitas das demandas e metas apresentadas neste encontro coincidem exatamente com o que estamos propondo para Minas Gerais.

Jarbas Soares
Foto: Diário do Comércio / Guilherme Ferreira

Por isso, é uma honra participar de um debate de alto nível com representantes de tantas entidades que realmente querem fazer a diferença, como o Diário do Comércio, o Codese-BH e o Minas Tênis Clube. Gostei muito porque aqui ouvi mais do que falei. Recebemos um documento sólido e que certamente tem ideias que serão incorporadas ao nosso plano de governo, que não é uma obra acabada. Se Deus quiser, estaremos no segundo turno, e o nosso plano de governo estará aberto para receber propostas até o dia 24 de outubro.

Quando pensamos na Minas do futuro, um olhar que o Parceiros do Futuro provoca, eu digo que a Minas de hoje tem três desafios: temos um passado nos aguardando para fazer as correções necessárias, temos o presente para tomar as decisões e precisamos projetar Minas para o futuro, no curto, médio e longo prazos. A Minas do futuro que queremos é aquela em que poderemos fazer pelo nosso Estado algo como JK fez pelo Brasil.”

Luís Eduardo Falcão, candidato a vice-governador pelo Republicanos na chapa de Cleitinho Azevedo (Republicanos)

“Essa foi uma excelente oportunidade de conversar sobre o futuro de Minas Gerais e não vejo outra maneira de construir o futuro dos municípios do Estado e do Brasil senão de forma conjunta e colaborativa. Se não for um governo participativo, ele não passa de uma monarquia que não ouve ninguém, não conversa com ninguém. Não encaro esse debate como um compromisso de campanha que traz questionamentos, mas, sim, como uma importante contribuição de ideias para construir uma convergência do que é prioritário para cada uma das diferentes regiões de Minas Gerais. Cada uma tem as suas potencialidades e seus problemas, e um governo bem-sucedido é aquele que descentraliza as ações e marca presença em todas as regiões. E isso é o que nossa chapa propõe, em consonância com o Parceiros do Futuro, um projeto que eu já conhecia há algum tempo e que me foi apresentado mais detalhadamente neste evento.

Luís Eduardo Falcão
Foto: Diário do Comércio / Guilherme Ferreira

O nosso plano de governo vai ao encontro de muito do que foi dito aqui, e a gente tem em Minas Gerais, de fato, esse desafio da sustentabilidade em um estado em que uma parte é mineração e outra parte é agronegócio. São duas atividades que, assim como outras, precisam acontecer de forma sustentável e trazer benefícios sociais e desenvolvimento econômico. A Minas do futuro que nós queremos é uma Minas com justiça tributária, com impostos que caibam no bolso do cidadão. Uma Minas com avanços na segurança pública, com integração das forças de segurança e uso de tecnologia. Uma Minas com educação técnica específica para as vocações de cada região. Uma Minas com saúde pública regionalizada, que dê dignidade a cada um dos mineiros e mineiras para que não precisem se deslocar tanto para fazer tratamento ou cirurgia. Enfim, a Minas do futuro deve ter um governo que seja presente e que a população sinta essa presença no dia a dia e em cada uma das regiões de Minas Gerais. Um governo com transparência e honestidade.”

Mateus Simões, candidato à reeleição pelo PSD

“Tenho uma excelente impressão de esforços que são feitos por entidades que se juntam buscando soluções, em vez de apenas apontar problemas, e tenho certeza de que, com o caderno de propostas que foi apresentado neste encontro, nós vamos continuar tendo sempre discussões com os poderes que mudam a realidade de Minas. O Parceiros do Futuro é um excelente projeto sobre como diversos setores vêm pensando o futuro de Minas, e a questão da sustentabilidade tem uma importância maior. Caso contrário, não teremos futuro para discutir.

Mateus Simões
Foto: Diário do Comércio / Guilherme Ferreira

Quando se fala em pensar a Minas de 2040, é curioso porque, no Brasil, o planejamento público se dá por ciclo eleitoral. A própria Constituição fala em planejamento plurianual de quatro em quatro anos. Uma empresa faz planejamento com horizonte de cinco ou dez anos, e uma empresa tem vida finita. Já o Estado, em tese, não acaba nunca. Como o planejamento dele pode ser de quatro anos? Aí, o que acontece é que a gente abandona os planos a cada virada governamental. A existência de projetos como esse nos força a pensar a longo prazo, ajuda a orientar o governo em direções que sejam sustentáveis ao longo do caminho e a perceber oportunidades que, muitas vezes, só são percebidas pelo poder público com muito atraso. Nesse sentido, considero essa iniciativa do Diário do Comércio excepcional porque faz o desenho de uma rodovia ainda a ser construída. Considero a administração pública uma coisa inebriante e gosto muito de ter a oportunidade de discutir problemas reais e profundos com quem é capaz de buscar a solução para além da reclamação. Isso sempre me estimula muito.”

Urna eletrônica e voto para o Governo de Minas
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Sobre o autor

Ana Karenina Berutti

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo e mestre em Letras pela PUC Minas. Experiência de 30 anos em cobertura política e econômica.

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