Entidades empresariais de Minas cobram transparência e imparcialidade do STF

Crise na Suprema Corte preocupa setor produtivo em Minas, que aponta insegurança jurídica e instabilidade política em ano eleitoral como problemas para a democracia brasileira
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Entidades empresariais de Minas cobram transparência e imparcialidade do STF
Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

Enquanto a crise no Superior Tribunal Federal (STF) se estende e ganha novos capítulos a cada instante, instituições como a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e a Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas) cobram transparência, imparcialidade e celeridade na análise dos fatos recentes que envolvem a Corte. A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) se agravou em setembro de 2026 a partir de desdobramentos das investigações sobre o caso Banco Master, que colocaram em lados opostos os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.

A divulgação de um relatório da Polícia Federal com mensagens envolvendo Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro desencadeou uma sequência de acusações e decisões conflitantes, incluindo pedidos de investigação e o afastamento do diretor-geral da PF. O embate expôs divergências dentro da própria Corte e levantou questionamentos sobre os limites das decisões individuais dos ministros, a transparência e a credibilidade do STF.

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Para as entidades, o momento torna essa responsabilidade ainda maior, especialmente em ano eleitoral, quando a confiança nas instituições públicas não pode ser colocada em risco com a Justiça beneficiando grupos ou atingindo adversários sob pena de gerar insegurança, ampliar a polarização e produzir consequências econômicas e sociais que serão pagas por todos os brasileiros.

“O Brasil não pertence a governos, partidos, grupos econômicos ou qualquer pessoa. O Brasil pertence aos brasileiros. E nenhuma instituição da República, por mais poderosa que seja, pode se colocar acima da sociedade que lhe dá legitimidade”, divulgou a Fiemg por meio de nota.

A Fiemg, que representa mais de 75 mil indústrias no Estado, ressalta em sua nota que situações como as que estão ocorrendo no STF comprometem a confiança da população nas instituições e exigem “apuração independente, sem privilégios ou qualquer tentativa de proteção corporativa”, pois, em uma democracia sólida, nenhum agente público está acima dos princípios da transparência, da responsabilidade e da prestação de contas.

A entidade defende ainda a recente manifestação dos treze ex-ministros do STF que solicitam ao presidente da Suprema Corte que “designe, com toda a urgência, sessão pública para que o Pleno determine imediata e rigorosa apuração, sob o devido processo legal, dos gravíssimos fatos cuja divulgação vem comprometendo o prestígio e a autoridade desse Tribunal, a confiança do povo e até a estabilidade das instituições democráticas”.

A ACMinas se somou a cerca de 3 mil entidades de todos os setores e regiões do Brasil, que representam aproximadamente 90% do PIB nacional, em defesa do Estado de Direito, da segurança jurídica e do fortalecimento das instituições. Também assinam o manifesto a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), Confederação Nacional do Comércio (CNC) e Confederação Nacional da Indústria (CNI).

“Para o ambiente de negócios e para toda a sociedade, instituições fortes, previsíveis e submetidas aos princípios constitucionais são fundamentais para preservar a confiança, a estabilidade e as condições necessárias ao desenvolvimento do país”, manifesta a ACMinas. Para a instituição, defender a segurança jurídica e o respeito ao Estado de Direito é também defender um Brasil mais estável, democrático e capaz de gerar desenvolvimento.

Sobre o autor

Ana Karenina Berutti

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo e mestre em Letras pela PUC Minas. Experiência de 30 anos em cobertura política e econômica.

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